– A greve do fim do mundo

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Meu debochado amigo de gorro vermelho e pito não vê nenhum mal em um cientista político fazer ficção literária, semelhante à Guerra do Fim do Mundo, do escritor peruano Vargas Llosa; ou um químico fazer uma análise política pertinente; ou mesmo um Saci brincar de Criador bissexto. Para ele o mundo está aí é para ser experimentado e partilhado… (Clique na ilustração – “O Grande Enganador” – para visualizá-la melhor).

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Petronílio Cedraz
Instituto de Química/UFBA

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ela segunda vez leio uma mensagem na rede e fico confuso. Atribuo essa dificuldade de entendimento à minha formação em química e em pedagogia, diferentemente de um “cientista político”, muito mais afeito a estas análises.

A primeira mensagem recebeu o título “ASSEMBLEIA OU ARRASTÃO”. Naquela oportunidade o professor atribuía ao comando de greve a usurpação do comando da mesa diretora dos trabalhos da assembleia. Diferentemente dele, o que eu vi foi um Diretor da APUB, convidado a participar da mesa, apoderar-se do microfone em mãos da Presidente em exercício, e dirigir a assembleia até o final, sem sequer devolvê-lo para o encerramento dos trabalhos. Portanto, quem “destituiu” a Presidente, em exercício, na minha humilde avaliação, foi o Diretor por ela convidado a compor a mesa.

Nessa mesma assembleia, o mesmo Diretor apresentou, assim que assumiu a direção dos trabalhos, ignorando a Presidente, em exercício, a alteração da pauta da convocação, incluindo a modificação do estatuto da entidade. Lembrando-me desses fatos, comecei a ter dificuldade em entender o que escrevia o Professor. Quem “arrastou” a assembleia? Foi o comando de greve???

Agora aparece outro escrito sob o título “A greve do fim do mundo”, sobre o qual destaquei alguns trechos que considerei de difícil compreensão, repito, para um químico, leigo nas análise políticas.

Transcrevo a seguir trechos do texto “A greve do fim do mundo” e em seguida apresento minhas dificuldades em entendê-los.

Vejamos,

Diz o Professor:

…”O governo Dilma, seguindo o espírito do anterior, já deu provas de que não está indiferente à sorte dos deserdados, dando muita ênfase à escola publica, mesmo a superior, que é muito cara”…

O governo Dilma deu provas como? Precisando de uma greve para conceder um mísero reajuste de 4% que já havia sido acordado para março?? A escola pública superior é cara?? Para um químico educação é investimento.

… “Não entender, por exemplo, que o limite está em nós mesmos enquanto categoria e grupo social é grave.”

Ora, se o limite está em nós mesmos, quer dizer que não deveríamos fazer a greve ou que já devíamos ter saído dela? É grave uma categoria formada por trabalhadores, todos de nível superior, tomarem uma decisão de greve, uma greve com um número tão grande de IF? Pelo número de IF em greve é quase unanimidade. Será que todos estão errados??

… “E quem mais conhece estes limites são os nossos inimigos no próprio governo.”

E temos inimigos neste governo? Um governo “que, como o anterior, já deu provas de que não está indiferente” a nossa categoria? Ou temos inimigos que antes estavam conosco e agora se passaram para o lado deles? Quem são esses inimigos? Será fácil adivinhar???

…”um grupo arrivista que em nome da classe se afasta dela,…”

Quem se afastou da classe foi quem continua batalhando com ela ou quem de uma forma ou de outra se aproximou do governo?

… “O poder da burocracia sindical, no nosso caso, que lhes propicia dinheiro e espaço político,….”

Esta afirmação para mim é séria. A direção sindical propicia dinheiro??? Como??? Espaço político estamos vendo acontecer aos montes.

…. “Um “socialismo” à sua imagem e semelhança, vertical, autoritário, conservador; tipicamente soviético…”

Na minha época de estudante ouvia muito esse tipo de acusação. Era infiltração soviética, dinheiro de Moscou… Que coisa mais antiga, descolada no tempo. Ou não, como diria Caetano.

… “O objetivo primeiro da Andes nesta greve é retomar as antigas secções sindicais que foram para o Proifes, transformadas em sindicatos locais. São sindicatos grandes. Precisam colocar a mão na dinheirama para sustentar partidos sectários, que por sua vez colocam sua máquina à disposição do sindicato para fazer a greve do fim do mundo.”

Caramba!!! É então desta dinheirama citada antes? Então, quando o grupo que ganhou a eleição do ANDES, na época em que estávamos em greve e o Presidente do Senado recebeu, segundo declarações do mesmo, documento de um presidente do ANDES, eleito mas ainda não empossado, garantindo a saída da greve para que encaminhasse o tal projeto que não queríamos, já estavam pensando nessa “dinheirama” e nesse “espaço político?

É esse mesmo grupo que, depois de perder as eleições do ANDES, percebendo que não mais reconquistariam o tal “espaço político” e a“ dinheirama”, por conta da atitude citada (entrega de documento ao Presidente do Senado sem aval das bases), cria o Proifes.

Será que agora eu entendo a verdadeira razão, depois do depoimento de um dos seus defensores???

Como eu não percebi antes? ??

…”São os que arregimentam as claques para atacar assembléias de professores ainda não sob o seu estrito controle.”

Olha só. Quando houve aquele reboliço envolvendo pessoas do alto escalão da UFBA, inclusive com prisões, eu vi em uma assembleia, pessoas que hoje estão à frente do movimento-luta, tendo dificuldade de se pronunciar quando se referia ao tal reboliço. Manifestações provindas de pessoas que hoje se dizem constrangidas de falarem na assembléia. Para defender aquele ato podia?? E não eram os estudantes, pois estes tinham sido retirados da Reitoria, dias antes, e levados para a PF. Quem então constrangia os Professores que queriam falar do assunto escabroso???

… “A imensa divulgação que a grande imprensa, principalmente a Globo, está fazendo do discurso da Andes é porque ambos têm o mesmo objetivo político: derrotar o projeto de um governo popular em curso desde o presidente Lula.”

Novamente, tenho dificuldade de entender a argumentação apresentada. Eu vi no noticiário da grande e da pequena imprensa, a divulgação do que o governo queria. Li até material produzido por colegas nossos, de outras Universidades, reclamando exatamente o contrário. Ou seja: a imprensa tomou o partido do governo. Onde está o apoio ao discurso do ANDES?? E, o que é pior, quem é que foi para a TV Globo, minutos depois da declaração do ministro sobre uma nova proposta dizer, sem sequer ouvir as bases, que todos os 15 pontos das reivindicações tinham sido atendidos?? Só faltou dizer: A GREVE ACABOU. Quem é que a TV Globo colocou no ar??? Quando a globo só fala da greve entrevistando estudantes formandos que “estavam com empregos certos” etc.. está tentando desestabilizar o governo popular??? Quem é o aliado da TV??? Fica muito difícil, para mim, entender essa argumentação. Bem, deve ser por conta da minha formação, acredito.

…”É com imensa tristeza que vemos hoje o rumo que tomou o nosso antigo sindicato nacional,”

O antigo sindicato hoje está tomando rumo diferente do que sempre teve, em que? Porque faz uma greve contra um governo que já deu provas de estar do nosso lado? Muitos dos outros governos também foram eleitos democraticamente e fizemos greves contra eles. E nem por isso éramos taxados de desestabilizadores.

…”O Proifes tem presença e representatividade em nossas maiores universidades, está presente em 77 campi das nossas IFES e Institutos Federais, é interlocutor qualificado”

O que significa interlocutor qualificado? A situação atual não é resultado de uma negociação capitaneada por essa instituição que quando foi divulgada projetava ganhos astronômicos para os professores ao final de 3 anos?? Quer dizer, ao final de 2011? Não foi nesta negociação que foi criada a classe de associado, que ferra com os aposentados??? E que um sindicato não assinou? Será que minha memória já está falhando???: Também é possível, já tenho idade para aparecerem estas falhas (kkk)

…. “A grande imprensa (quem diria!) nossa aliada”..

A grande imprensa está nos ajudando em que? Em que está sendo nossa aliada? Como disse antes, o que se vê é exatamente o contrário. Novamente. Quem foi o entrevistado pela grande imprensa depois do anúncio da segunda proposta do MEC??? Quem é aliado da grande imprensa do governo???? Quem apresenta um discurso mais afinado????

…”Portanto, definitivamente não somos aliados da direita brasileira, tão bem representada pela Globo e cia.”

E por acaso quem é esquerda nessa história??? Tenho dificuldade novamenteem entender. Quem está contra o trabalhador?? Que é que disse que nunca foi de esquerda? Porque agora seria? Eu acho que o professor não esperava pela entrevista do seu líder na Globo no JN, porque depois daquela!!!!!

…”não conseguem quórum para uma de cento e vinte professores para modificar um artigo do estatuto da APUB “…

Eu não fui para a tal assembleia de modificação do estatuto porque entendi que é o estatuto como um todo que está sub judice. Ou não é ? Será que outros professores não pensaram da mesma forma? Aliás, quem convocou a tal assembleia, como explicitado no início, foi o diretor da APUB que dirigia a assembleia. Será que não foi por isto?

…”Os professores conseguem diferenciar a questão política de interesse geral (a greve) de um discurso ideológico completamente apartado de seus interesses dentro do movimento paredista.”

Ora se os professores “conseguem diferenciar” as duas coisa, e não era de se esperar diferentemente, qual é a preocupação?

Criticar um discurso ideológico quando se vem com argumentos de não fazer greve contra um governo popular, de esquerda, sensível ao interesses do trabalhador. Que o que se quer é, aliado à grande imprensa desestabilizar o governo, coisas de Moscou….etc e etc…Faça-me uma garapa.

…”rejeitarem a sua proposta o certo é que o governo a retirará e ficaremos sem nada para os próximos três anos.”

Será que esta é uma informação privilegiada repassada pelos negociadores qualificados? Não, não era, pois logo depois do escrito apareceu a segunda proposta que também foi rejeitada. De novo, a análise política falhou.

…”O Proifes, na sua tradição de uma entidade propositiva, vai pelo caminho das conquistas parciais”

Conquistas parciais semelhantes as que vieram da última negociação?? Conquistas parciais para quem??? Quais??

…”Conquistas parciais e economicamente relevantes ou nada.”

… “Evidentemente que é inaceitável uma proposta em que…”

Afinal, é “inaceitável” ou devemos nos conformar com “conquistas parciais” ?? Que confusão…

…”ainda que minoritária, não tenha reajuste suficiente para cobrir a inflação …”

Se é admitido que “não tenha reajuste suficiente par cobrir a inflação” como aceitar uma coisa destas? Será que tem algo menos claro para mim??

…”O governo já disse reiteradas vezes que não tem mais recursos para essa proposta”

E qual o governo diz que tem recursos para atender ao trabalhador? Esse discurso é velho e presente em governos da ditadura ou os ditos democráticos e populares, ou não é?? Nesse caso, quer dizer que já foram encerradas as negociações e que não teremos nada mesmo? Então, depois do reiterado pelo governo devemos sair da greve? Errou novamente o analista, pois já apareceu outra proposta que apresenta “um impacto no orçamento” maior que o previsto pela proposta anterior e que a imprensa desestabilizadora tratou de alardear.

…”Há aqui também um problema de equidade. O nosso reajuste não vai poder estar muito acima dos demais.”

Equidade??? Qual a categoria de funcionário público que recebe os menores salários?? Tenho visto várias comparações e digo: eu gostaria de ter equidade com os salários de nível médio de outros poderes da república ou de outras categorias do próprio executivo. Vamos olhar o salário inicial dos vários cargos que estão com concurso aberto. Onde está a equidade reclamada? Até parece o discurso de um representante do MPOG.

Diante de todas essas minhas dificuldades de entender os analistas políticos, só me resta, como químico, (e deve ser por isto), esperar que meus grandes líderes decidam por mim???? Não, claro que não. Estou com a greve, não até “o fim do mundo” pois até lá não estarei mais aqui.

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3 Respostas to “– A greve do fim do mundo”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l” da UFBA:

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    A GREVE DO FIM DO MUNDO

    O governo Dilma, seguindo o espírito do anterior, já deu provas de que não está indiferente à sorte dos deserdados, dando muita ênfase à escola publica, mesmo a superior, que é muito cara. No entanto, há um
    momento em que um limite se estabelece, não pelo governo mas por uma ordem poderosa que paira acima dele. A tese de que em política, quem grita mais leva, é uma boa tese, mas inócua e depois muito perigosa, quando endossada pela insensatez. Não entender, por exemplo, que o limite está em nós mesmos enquanto categoria e grupo social é grave.

    Podemos fazer coisas de conseqüências muito imprevisíveis dentro de um certo espírito juvenil. É com estes limites, que todos nós temos que trabalhar. E quem mais conhece estes limites são os nossos inimigos no próprio governo. Quando este limite for extrapolado, será sempre por um grupo arrivista que em nome da classe se afasta dela, pretendendo radicalizar a luta da classe, radicaliza somente o discurso classista, o que além de não prestar pra nada, atrapalha muito e às vezes por muito tempo.

    A greve e os partidos

    Descolados do movimento real, sem a sua referencia como elemento básico de atuação, passam a ter um discurso próprio, um discurso ruim porque reflete agora o mundo destas pessoas, o mundo que aí está, um mundo elitista, conservador, individualista, onde o poder é tudo e o resto não é nada. O poder da burocracia sindical, no nosso caso, que lhes propicia dinheiro e espaço político, duas coisas fundamentais para seu real projeto de um partido político nacional com o qual farão a “revolução socialista”, a redenção de todos nós! Um “socialismo” à sua imagem e semelhança, vertical, autoritário, conservador; tipicamente soviético porque os objetivos da liderança, do partido estão colocados acima da sociedade. Não é parte da luta social, instrumentaliza-a em beneficio de seu projeto partidário, um sujeito oculto no seu discurso. O objetivo primeiro da Andes nesta greve é retomar as antigas secções sindicais que foram para o Proifes, transformadas em sindicatos locais. São sindicatos grandes. Precisam colocar a mão na dinheirama para sustentar partidos sectários, que por sua vez colocam sua máquina à disposição do sindicato para fazer a greve do fim do mundo. São os que arregimentam as claques para atacar assembléias de professores ainda não sob o seu estrito controle.

    Os professores e os partidos

    Os nossos professores que estão fazendo a greve por melhoria salarial, carreira, condições de trabalho etc,etc, como ficam nesta historia toda? Literalmente a ver navios. A Andes, lá no inicio da greve disse com todas as letras que mesmo se a proposta do governo fosse boa, eles continuariam em greve. Então o professor Wellington Duarte da UFRN, nosso diretor de comunicação no Proifes, sabiamente acertou na mosca: “esta é a greve do fim dos tempos,a greve do fim do mundo”.

    Isto é, se depender dos andinos, esta greve só termina com o mundo, com o final dos tempos. Uma não terminará sem o outro. Seu objetivo único e explícito é desgastar, enfraquecer o governo Dilma. Portanto, quanto mais longa, melhor. A imensa divulgação que a grande imprensa, principalmente a Globo, está fazendo do discurso da Andes é porque ambos têm o mesmo objetivo político: derrotar o projeto de um governo popular em curso desde o presidente Lula.

    É com imensa tristeza que vemos hoje o rumo que tomou o nosso antigo sindicato nacional, principalmente quando nos lembramos de seu glorioso passado dos anos 80 e 90, quando esteve integrado ao que havia de melhor nas lutas sociais daqueles anos. O Proifes tem presença e representatividade em nossas maiores universidades, está presente em 77 campi das nossas IFES e Institutos Federais, é interlocutor qualificado dos milhares de professores que representa nas mesas de negociação, tem projeto de carreira e de ensino superior, os quais vem discutindo em todas os fóruns onde tem assento. Nunca foi contra a greve ou qualquer outra forma de luta social, apenas prioriza a negociação e o parlamento, porque temos um governo democrático e um parlamento receptivo às teses do ensino público.

    A grande imprensa (quem diria!) nossa aliada..

    Pois bem, com todos estes apetrechos e qualificações, o Proifes foi marginalizado pela grande imprensa: não estava fazendo a greve. O mesmo aconteceu com todos os seus sindicatos federados. A APUB, pese a todos os esforços de sua diretoria, não conseguiu colocar cinco linhas na imprensa até o dia 29/05, quando entramos em greve. Aí a coisa mudou da água para o vinho. A greve era o único que contava. Era o mascote da grande imprensa. Porque a Andes abandona uma negociação que está tendo um curso normal e o Proifes não, este é um tema fundamental para a imprensa, quando o assunto dela é a informação, a respeitabilidade do leitor. Mas como não é, nenhuma questão importante que envolve todo este processo que se arrasta a meses, veio à tona na grande imprensa. Portanto, definitivamente não somos aliados da direita brasileira, tão bem representada pela Globo e cia. que resolveu por um fim ao atual projeto político do governo petista. A Andes é sua grande aliada no nefando projeto. A greve da Andes é para desgastar o governo. Por isto não pode terminar nunca, pelo menos
    enquanto estiver no seu controle. Esta é a mesma imprensa que aprovou o golpe militar de 1964, os 21 anos de ditadura e todos os governos anteriores a Lula. Agora travestida de fiel escudeira de uma greve de professores, uma classe que ao longo do tempo, vem agüentando todas as pancadas de todos os regimes. É muita ironia ou pelo menos alguma coisa aqui está muito estranha. Quem viver, verá.

    Os professores só apóiam a greve!

    Mas voltando ao paroquial, os andinos, completamente isolados dentro da APUB nas últimas gestões, ressurgem agora com algum apoio entre os professores, principalmente os novos. Um apoio, o dos professores, à greve e não ao discurso supostamente identificado com estes que se entendem donos da greve. É sintomático o fato de que alardeiam assembléias com duzentos, trezentos ou mais professores e não conseguem quorum para uma de cento e vinte professores para modificar um artigo do estatuto da APUB que eles dizem estar prejudicando a greve. Os professores conseguem diferenciar a questão política de interesse geral (a greve) de um discurso ideológico completamente apartado de seus interesses dentro do movimento paredista. Assim que a greve para os nossos andinos não é a mesma coisa que para os e a grande massa de professores que acorreu às primeiras assembléias para fazer a greve, não. Por isso, se depender só dos andinos, essa greve não termina tão cedo, independente de seus resultados imediatos na mesa de negociação com o governo. O que está posto, portanto, é a clareza, o discernimento dos professores quanto ao comportamento “particular” de seus “líderes”.

    O momento é de decisão

    Todos sabermos que se as três entidades (Andes, Proifes e Sinasefe) que negociam a greve com o governo rejeitarem a sua proposta o certo é que o governo a retirará e ficaremos sem nada para os próximos três anos. Então os professores estão diante de um dilema de signo positivo: radicalismo versus negociação. Conquistas parciais e economicamente relevantes ou nada. O Proifes, na sua tradição de uma entidade propositiva, vai pelo caminho das conquistas parciais como primeira opção por entender que a nossa capacidade para arrancar do governo o que consideramos de direito é muito limitada no imenso tabuleiro dos interesses políticos que estão em jogo na questão específica de reajuste dos servidores públicos. Evidentemente que é inaceitável uma proposta em que uma parte da categoria, ainda que minoritária, não tenha reajuste suficiente para cobrir a inflação dos três anos do acordo. Mas o que está em jogo, repito, é a questão de interesse geral. O governo já disse reiteradas vezes que não tem mais recursos para essa proposta pelo fato também de este reajuste ser o maior entre as categorias do serviço público. Há aqui também um problema de equidade. O nosso reajuste não vai poder estar muito acima dos demais. Os andinos não estão nem ai para toda esta peroração em torno da política, do que podemos fazer, do que pode ser feito etc.etc. O que eles querem é a greve do fim do mundo. Dizer que mesmo
    se a proposta do governo for boa, eles continuam em greve é muito grave para a situação que está posta. É mais do que suficiente para sabermos com quem estamos labutando, quem são eles e o que querem.

    Portanto fiquemos atentos aos acontecimentos que se aproximam e as decisões que temos que tomar. Sejam quais forem, têm que ser decisões nossas, da pauta que é publica e não a do sujeito oculto, mas é verdade bastante insinuado, muito pouco dissimulado, ùltimamente.

    Israel Pinheiro,
    Prof. Depto. Política/UFBa, membro do CD/Proifes

  2. osaciperere Says:

    Circulou na madruga, na “debates-l”, da UFBA:
    ————————————————

    A GREVE ACABOU

    Chegou ao fim a greve nas IFES. Para o que queríamos foi muito pouco. Para o que podíamos ter foi muito. Aqui é importante ver quanto estar tendo até agora os demais setores do serviço publico. Ainda é preciso ver também que foi uma greve muito tumultuada, desde o seu inicio pelo nosso antigo sindicato nacional. Eles fizeram tudo para atrapalhar.

    Começaram a greve extemporaneamente interrompendo uma negociação com a qual haviam se comprometido levar até o fim. Nunca fizeram uma proposta de negociação ao governo. Sempre jogaram em cima da mesa suas 77 reivindicações. Tem coisas que vem de Thomé de Souza. Eles fazem a greve do fim do mundo sempre dizendo que está pouco para tudo que o governo oferecer. A SINASEFE, cara-metade da ANDES, reforçou o esquema por todo o tempo contribuindo para piorar uma criatura que já não prestava.

    O PROIFES negocia, não tergiversa

    O PROIFES, sentado na mesma mesa, tratando do mesmo assunto, teve um outro entendimento de todo este processo. Sempre vendo no governo um negociador e não um inimigo á espreita pronto para atacar, entrou na greve no tempo certo (quando esgotou a negociação) e trabalhou todo o tempo no sentido de construir com os demais, uma proposta de carreira. Por fim o governo apresentou sua proposta com final em 2015. A ANDES e a SINASEFE, parecendo que cumpriam muito mais uma maldição do que uma negociação, rejeitaram-na in limine como dizem os advogados. O PROIFES, de imediato, protocolou um documento de 15 pontos nos órgãos competentes, propondo correções na tabela oficial. O governo acatou na totalidade as correções do PROIFES. Trato feito, trato cumprido. O PROIFES aponta pra o fim da greve.

    Um acordo agora ou a greve do fim do mundo

    A ANDES e a SINASEF não aceitaram a proposta original do governo nem a final com as correções. Diante do que está posto a greve deles por certo continuará ad eternum. Nós vamos a plebiscito onde os professores decidirão se aceitam ou não a proposta do governo. O plebiscito é necessário para se ouvir um número máximo e não o mínimo que vai às assembléias. Ademais, faz parte do estatuto do PROIFES a consulta eletrônica nesses casos. Assim o fizemos nos dois acordos anteriores que o PROIFES assinou. Esta proposta é o máximo que o movimento grevista pôde conseguir neste momento. A bagatela de 4,2 bilhões que entra nas contas dos professores, enquanto os demais setores estão a zero até agora, indica que estamos no caminho certo. É preciso tratar com muita responsabilidade assuntos que têm grandes implicações na vida das pessoas. A GREVE ACABOU. O governo deu o que estava disposto a dar. Poderia ser muito menos se pensarmos no que está acontecendo com as outras categorias do serviço publico em greve. A grande diferença aqui está em que se os professores disserem não à greve, ela terminará, então com que o governo já deu. Caso os professores digam sim a continuidade do movimento, ela terminará mais adiante sem nada
    para a categoria. É grave a responsabilidade que se tem pela frente. Sabemos que se rejeitamos a proposta do governo, este dinheiro vai imediatamente para outro lugar. É pegar ou largar. A proposta não é ruim com um aumento de 8% em media, tendo em vista as circunstâncias em que isso ocorre e o que estão tendo os demais servidores públicos também em greve. É muito importante também a abertura da carreira ao conjunto dos professores. Todos poderão chegar a adjunto 4 sem titulação e a associado e titular com doutorado. As 12 horas/aula semanais foram para o ‘’espaço’’. Enfim, os 15 pontos que o PROIFES propôs de emendas às propostas do governo foram atendidos. Não podemos perder agora o que construímos ao longo dos meses Agora não podemos jogar fora tudo isto a troco de discurso ideológico, sem nenhum compromisso com os professores, a não ser fazer a propaganda de partidos. Não podemos perder nada que já conquistamos a troco de nada. Serão mais três anos sem nenhum aumento. De mais a mais, nada nem ninguém vai responder pelos prejuízos financeiros e acadêmicos que teremos com a rejeição da proposta do governo. Só nós mesmos podemos evitá-lo e só temos até a próxima terça-feira para fazer isso no plebiscito da APUB sobre a aprovação da proposta. Pedimos, portanto aos colegas uma reflexão sobre o assunto. Na próxima quarta-feira às 21 hs. Temos que dar uma resposta ao governo, se aceitamos ou não a proposta que já se concluiu a discussão. É bom lembrar que somente os filiados à APUB poderão votar. Tudo isto pede de nós uma maior participação nesse processo.

    Por fim, queiramos ou não, esta é a situação sobre a qual teremos que decidir no plebiscito de segunda e terça-feira. Não ir lá é também uma forma de decisão, é deixar aos outros que decidam a nossa vida para os próximos três anos. É bom lembrar ainda que na próxima quarta-feira não vamos decidir o fim da greve ou sua continuidade. O fim da greve é fato consumado. O GOVERNO NÃO VAI MAIS RECEBER QUEM FICAR EM GEVE. O que vamos decidir é se sairemos com os ganhos e vantagens da proposta do governo agora ou de mãos abanando mais adiante. É preciso trazer os dois lados da questão, também por um problema de honestidade e respeito aos nossos colegas. O que não se fez, por exemplo, na última assembléia, quando se tinha conhecimento pleno da proposta do governo. Vai ser
    melancólico o fim desta greve se ela não terminar agora. Foi assim com os três meses de greve da FASUBRA no ano passado. Não foram recebidos uma vez sequer pelo governo. Os responsáveis pela aventura insólita da FASUBRA no ano passado são os mesmos que determinam os destinos da ANDES hoje.

    Israel Pinheiro,
    Prof. Departamento de Política/UFBA.

    • Menandro Ramos Says:

      Car@s,

      Nada como a leitura de uma peça humorística antes de dormir!

      Eu e o Saci quase estouramos de tanto rir. Como a pintura em forma de texto veio sem título, o meu amigo de gorro vermelho e pito sugeriu um:

      “Ordes é ordes: a greve acabou!”

      Boa-noite (madrugada) a todos e bons sonhos!

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