1386 – Razão ou Emoção?

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razaõ-e-emoção-2015.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

U.

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ma mensagem recebida de um professor da UFBA, através da lista de discussão “debates-l”, lembrou-me o que sempre indaguei a mim mesmo: “Greve é razão ou Emoção”? Ou seja, o movimento paredista deve ser regido pelo coração ou pelo cérebro? Ou melhor seria pelos dois? O diabo é que, segundo o Saci, o coração não entra nessa história, pois só a massa cinzenta fatura…

Nas contendas humanas há sempre alguém para defender táticas, estratégias e o escambau Algo como o jogo do xadrez. Movimento planejado peça por peça, com os peões na frente para receberem os primeiros petardos, e os bispos e torres para dificultar o acesso à rainha e ao rei… Mas há também quem se deixa levar pela intuição, ou como alguns preferem, “pelo instinto”. Afinal, quem está certo?

Na última Assembleia, o Prof. Luis Filgueiras esboçou teorizar sobre a greve. Mas em três ou quatro minutos, nem Einstein teria melhor sorte. Ficou só no esboço. Já o Prof. Francisco Santana contraditou o Prof. Filgueiras. Para o Prof. Santana, a greve é um cabo-de-guerra. Ganha quem tem mais força. E no caso da greve da UFBA e das demais IFES, o Grande Irmão está de olho em toda a movimentação nacional. Se o movimento grevista estiver forte, o pacote de maldades, que virá do Palácio do Planalto, será mais modesto. Caso contrário, virá “para esbuguelar”, nas palavras pouco piedosas do meu amigo de gorro vermelho e pito.

Para ser sincero, não tenho um convicção “matemática” sobre se é isso ou aquilo. Ora inclino-me para a razão, ora inclino-me para o contrário dela. A partir da mensagem supra citada, por pouco, muito pouco, pouco mesmo, não me inclinei por um “ensaio de lucidez”, conforme sugestão de um colega.

Confesso que foi o Saci que colocou minhocas na minha cachola… E volto para a estaca zero perguntando: o que deve reger a greve? Razão, emoção ou ambas?

 


 

Caro  Menandro:

Recebo diariamente  nas  listas  de  discussão  de  Ufba  uma  enxurrada de  análises “sacizescas”  sobre  o  movimento  grevista  em  curso  e  outras  temáticas  internas  à universidade.  Como  contraponto,  achei  inteiramente  pertinente  a  publicação  do  Prof. Wilson  Gomes  (FACOM)  disponível  na  sua  página  do  facebook  sobre  especificidades  da atual  greve.    Para  mim,  trata-se  de  um  verdadeiro  “ensaio  de  lucidez”… Um abraço! Carlos Gouveia

Confira [abaixo]: 

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Caro Prof. Carlos Gouveia,

Muito me aprazou ler o artigo recomendado pelo colega. De fato, um verdadeiro ensaio de lucidez. Muito grato pela lembrança.

Infortunadamente, mostrei-o ao meu escrachado amigo de gorro vermelho e pito, pois queria tomá-lo doravante como ilustre referência para as nossas conjuminâncias teóricas, mas ele debochou-me dizendo que a semiologização do real tem atingido duramente algumas áreas da academia… Falou-me, ainda, que pela tessitura habilidosa das palavras, alguns pretendem entender e explicar o Universo a partir de um único grão de areia, sem nele (no Universo) pisar.

Como o colega pode observar, o pestinha ficou irredutível diante da minha proposta de adotar a tão convincente racionalidade explícita do colendo articulista como esteio intelectual para o nosso blog. Contudo, preferi não contrariá-lo, uma vez que a inevitável convivência diária com o meu endiabrado amigo pode transformar-se num verdadeiro inferno, caso eu insista no que ele chama de “capitulação diante da racionalização freudiana justificadora agorafóbica” – expressão pernóstica, aliás, que eu nem de longe suspeito de que diabo trata e que ele, ferozmente, regurgita – sempre que eu avento a possibilidade de pensarmos em novas formas de luta diferentes das praticadas na Era Analógica…

Para terminar, agradeço de toda forma, mais uma vez, a atenção do colega por ter-me brindado com tão precioso ensaio de lucidez – do qual o genial Saramago nem de longe produziria algo semelhante! – prometendo disseminá-lo aos amigos e até mesmo a desafetos (caso os tenha – pois não estou certo disso…).

Claro que, por prudência, fora do alcance do radar questionador/inquisitorial do meu irrequieto amigo de gorro vermelho e pito. Seguro ficou para serpente… Rss

Saudações universitárias,

Menandro Ramos
FACED/UFBA


Por Wilson Gomes,

publicado em 12/06/2015.

Falamos  tanto  das  pautas  loucas,  reivindicações  insensatas,  agendas  inconsequentes  e protestos  desparafusados  da  direita  ou  dos  movimentos  pouco  sofisticados  da  esquerda, certo?  Então,  o  que dizer  das  “razões  para  se  estar  em  greve”  que a  assembleia  de professores  da  UFBA,  de  posse  de  grande  racionalidade  e  a  partir  de  um  estoque profundo  e  sofisticado  de  análises,  concordou  que seria  suficiente  para  um  ato  tão  grave quanto  a  suspensão  das  atividades  docentes? No  topo  da  lista  das  “razões”  (!),  o  meu  preferido:  a  instituição  está  em  greve  por  “verbas para  a  educação”.  Que  verbas?  Não  há  verbas?  Se  precisa  de  mais,  de  quanto  mais  se precisa?  Para  que  exatamente  se  precisa  mais,  uma  vez  que,  todos sabemos,  a  educação pública  custa  muito  e  o  país  também  tem  outras  necessidades?.  A  fazenda  pública  não  é infinita  e  o  sistema  das  universidades  federais  expandiu  muito  recentemente:  É  uma expansão sustentável?  Até  que ponto  é  sustentável?  Podemos  fazer  mais  e  melhor  com as  verbas  que temos  ou  é  preciso  vir  mais,  sempre  mais,  ad  infinitum?  Se  o  governo  quiser que a  gente  saia  da  greve  vai  ter  que dar  quanto  mais  dinheiro  e  para  que  fim?  Não  sei, acho que  qualquer  pessoa  sensata  se  perguntaria  coisas  assim  antes  de  entrar  em  greve, que é  uma  coisa  seríssima,  na  educação.  Ou  não?  “Verbas  para  educação”  é  como  “não há  amor  como  o  amor  de  mãe”,  ninguém  desafia  porque é  deselegante,  mas  significa  tudo e  nada  ao  mesmo  tempo. A  reivindicação  (reivindicação?)  é  coroada  pela  demanda  de  que a  UFBA  seja  pública  (não é?),  gratuita  (não  é?)  e  de  qualidade.  Ah  bom.  a  qualidade deve  estar  em  baixa.  Mas, espere  um  pouco,  a  qualidade  da  UFBA  deve  ser  produzida  pelo  governo,  a  quem  a reivindicação  é  destinada,  ou  pelos  professores-pesquisadores,  que desandaram  a  entrar em  greves  que,  como  todo  mundo sabe,  é  uma  coisa  que afeta  gravemente  a  qualidade do ensino  e  da  produção  científica  da  Universidade?  Há  algo  de  vicioso  neste  círculo,  quando os  de  menos  qualidade  (sempre  os  mesmos)  forçam  a  mão  para  uma  greve,  que diminui  a qualidade,  a  fim  de  reivindicar  qualidade  (a  ser,  naturalmente,  oferecida  por  gnomos  do bem  enviados  pelo  governo,  imagino). Abaixo  está  a  lista  completa  das  “razões  por  que  entramos  em  greve”.  Julguem  vocês mesmos.  Eu  tinha  respeito  intelectual  pelo  movimento  docente  universitário  quando reivindicava  simplesmente  reajustes  salariais:  acho  honesto  reivindicar  salários  ou  direitos. 

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