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O Plano Marshall no Haiti

janeiro 27, 2010

Rapidinho o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, vem com essa história de criar um outro “Plano Marshall” para promover a reconstrução do Haiti.

Já faz mais de cinco anos meu chefe escreveu um texto em resposta a um seu colega da FACED/UFBA sobre o tal Plano:

“Compreendo a sua indignação diante de todas as dificuldades sofridas pela humanidade, ocasionadas por dirigentes americanos (não apenas eles, é claro), nessas quase dez últimas décadas, com descomunais inserções imperialistas pelo mundo afora, notadamente a partir do Plano Marshall, depois da Segunda Guerra Mundial ou, mesmo, durante, no célebre encontro ocorrido na Conferência de Bretton Woods, (em New Hampshire, nordeste dos EUA) em 1944, com propósitos, declarados, de reabilitar a economia internacional, através de empréstimos aos países-membros. Note que, a partir daí, a plausibilidade do discurso do Velhinho-Mausinho ficou quase que irrefutável. Digo quase, porque o exame dos fatos e a reflexão crítica sobre as fissuras por ele deixadas, permitiram o pensamento humano avançar, denunciando o conto-do-vigário em que muitos, de boa-fé, caíram.”

“Temos que admitir que, na época, as opções não eram muitas e, por isso mesmo, o Velhinho-Mausinho deitou e rolou. Veja que, nesse Plano Marshall, parido no pós-guerra, o governo americano propôs ajudar a reerguer o bloco capitalista, formado pelos países da Europa Ocidental, destroçados pela guerra, mas ao mesmo tempo ele garantiria a venda exclusiva dos produtos industrializados americanos. O propositor do plano, o secretário de Estado dos EUA, George Catlett Marshall, fez um belo discurso: “A política dos EUA é contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos” (Bela solidariedade, não? Aqui entre nós, vou usar um eufemismo, para não expor, de modo chulo, a canalhice interesseira, bem peculiar ao Velhinho-Mausinho…).” […] (O texto completo pode ser lido no Rascunho Digital da FACED/UFBA, intitulado de Era uma vez um Velhinho-Mauzinho).”

Ao concluir sua leitura e lincá-la com a proposta do diretor do FMI acima, minha reação foi a de tampar o nariz e exclamar:

FUMMM! Tem cheiro de rapinagem no ar!

A caca dos ricos

janeiro 27, 2010

Para o meu amigo Saci-Pererê, se quisermos sonhar com um amanhã repleto de vida na Terra, incluindo nela a humanidade, é preciso, com urgência, ensinar às crianças e aos jovens o que a ambição desmedida do capitalismo tem feito com o nosso planeta. Pouco se pode esperar dos que já passaram dos trinta, inclusive aí me incluindo. Ele me disse que, se pudesse usar uma metáfora suja, escolheria, guardando as proporções devidas, a dos proprietários mal-educados de cães, que se recusam a recolher os dejetos deixados pelos seus animais em praças e logradouros públicos, pois se acham os donos do mundo e que podem tudo.

Suas leituras o informaram que, de acordo com o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, em português –, se houvesse a interrupção súbita da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, a atmosfera terrestre ainda levaria cerca de 50 anos para se “desintoxicar”.

De acordo com o que também li, para o Banco Mundial, a bagatela de 270 bilhões de dólares por ano, durante uma década, seria suficiente para controlar os efeitos das mudanças climáticas.

Ora, juntando o que li com o que o Saci pesquisou, a conclusão que nós dois chegamos é a de que, enquanto os ricaços do mundo não recolherem a caca (ou, se a academia preferir, faeces – do latim) que a sua ambição desmedida vem produzindo, a vida na Terra estará por um fio.

A julgar pela celeridade com que injetaram os 11,9 trilhões de dólares para reduzir os efeitos da crise financeira recente, comparada com a lerdeza ou a má vontade para tratar de assuntos que dizem respeito à saúde do planeta (vide o fiasco de Copenhague), estaremos – se nada for feito rapidinho – num mato sem cachorro, ou melhor, ficaremos sem mato e sem cachorro. O tempo ruge, pois.

É o que pensamos o Saci e eu. S.M.J.
Menandro Ramos

Pobre Haiti!

janeiro 19, 2010

A cena era deprimente. A impressão que tive –  juntamente com outros amigos que assistiam comigo o jornal televisivo -, foi a de que, em vez de providenciar logo o socorro para a mulher presa nos escombros, o militar aguardava os holofotes e o microfone da poderosa emissora brasileira. Enquanto isso, a repórter  anunciava, com sensacionalismo, o lance da infausta ocorrência.

Mais uma vez, o oportunismo do mundo capitalista se faz presente com estardalhaço. Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, não se faz outra coisa senão proclamar as virtudes do modo de exploração globalizado, inócuo, porém para atender as demandas mais fundamentais dos povos necessitados. Nunca se passou tanta fome num mundo tecnologizado como o atual e de armazéns tão abarrotados de alimentos.  Os cataclismos naturais são sempre responsabilizados pelas omissões  políticas e absenteísmos deliberados, conforme interesses mercantis imperialistas. A situação calamitosa agora,  entretanto, suscita empenho especial.

O Haiti virou passarela para corações generosos reafirmarem que o capital financeiro (ou seus belos porta-vozes e fetiches), também tem coração e sabe ser generoso com os desafortunados.

Assentada a poeira do terremoto e sepultadas as suas vítimas, a TV agora se empenha em mostrar espalhafatosa a lista dos generosos ricaços que publicizam as suas esmolas. (Seria chauvinismo dizer que a pop star Madonna deu menos do que a bela modelo brasileira de sobrenome complicado?)

Enquanto isso, em vez de prestar ajuda humanitária através do envio de profissionais da área da saúde e afins, o governo brasileiro já cogita aumentar a força armada…

Barack Obama, que joga no mesmo time, também já tirou sua lasquinha – ou lascona – segundo alguns observadores.

Pobre Haiti!

Até na desdita, é palanque e vitrine para a propaganda e a rapinagem.

Até quando?

O Saci é o Saci!

janeiro 19, 2010

Recebi, de um leitor carioca, uma mensagem querendo saber se eu e o Saci somos uma pessoa só. Aproveito o ensejo, definitivamente, para dizer aos demais leitores o que eu respondi ao consulente investigador e  que vale também para esclarecer qualquer dúvida futura:

Não vou repetir o que Baudelaire disse sobre Madame Bovary: “Madame Bovary c’est moi!”. Por uma razão muito simples: eu sou apenas amigo do Saci (aliás, acho bem melhor do que ser Amigo da Onça…). Acredite ou não, volta e meia ele me aparece para me propor traquinagens. Dentro do possível eu resisto, mas às vezes capitulo. (rsss)

O Prof. Israel Pinheiro, colendo presidente da APUB, chegou até sugerir ser um surto de esquizofrenia (confira AQUI) deste que vos escreve…

Mas o peralta existe mesmo, como existiu o demônio (daímones) que tanto perturbou o velho Sócrates/Platão em Lísis.

O que confirma a tese de que ninguém escapa dos fantasmas e espíritos arteiros. Sejam gregos ou baianos. Filósofos e não filósofos…

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Sucessão na reitoria da UFBA

janeiro 19, 2010

Se não digo o meu paradeiro nestas férias, que ora desfruto, não é por temer um atentado. Que isso fique bem claro. Afinal, vivemos num país democrático. Mesmo eu fazendo considerações críticas acerca do filme “Lula, o filho  do Brasil”,   – como sendo mais uma peça de marketing da dinastia de Tutankamon -, não creio que me tocaiarão numa curva qualquer. Felizmente, os tempos são outros. Além do isolamento social, acredito que não serei molestado. Acho que ainda poderei andar por aí, sem lenço, mas com documento… Pelo menos é o que penso, até o presente momento.

De modo que, o fato de não dizer onde me encontro nestas férias, é tão-somente para o inoportuno  Saci não me perturbar com suas visitas. Não há outro motivo. Juro.

Mesmo assim, ele não me deixa em paz. Toda vez que me dirijo a uma lan house para conferir minhas mensagens, me surpreendo com uns vinte ou trinta e-mails do pândego.

Particularmente, o que recebi hoje me chamou a atenção pelo despropósito da pergunta. Divido-o com vocês:

“Oi Chefe, tudo joinha?

Alguma novidade sobre a sucessão na reitoria da UFBA? Já tem candidato (a) para dar continuidade à Nova Universidade?
E a oposição já lançou algum nome ou vai haver um ‘acordão’ com um(a) candidato(a) único(a)?

Estou com saudade.

‘Bração,

Saci”

Agora, caro leito, vê se pode uma perseguição dessa! Eu sei lá de fofoca de sucessão (ou de Guerra de Secessão)? Nem nas minhas férias o pilantra me dá sossego!…

É só um desabafo. Desculpe-me se estou lhe amolando.

Ai, como é duro ser amigo do Saci!

O Saci não ganhou medalha…

janeiro 14, 2010

… É verdade, mas justiça seja feita, bem que ele merecia. Pelo menos, se houvesse medalha para quem acerta nas previsões. Ele cantou a pedra, como se constuma dizer. Como Nostradamus, ou, contemporaneamente, o jornalista Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo, que cifrou anúncios para denunciar fraudes, o meu amigo Saci também escreveu um texto enigmático para mostrar que a “dedicação” de alguns seria recompensada. Não deu outra. Relembre o que ele escreveu na legenda de uma charge:

“General Isopor, carinhosamente conhecido entre seus pares por “El Tesourón”, só tinha uma coisa em sua mente: tesourar! O que lhe valeu, certamente, muitas medalhas, comendas e o reconhecimento sincero dos seus superiores hierárquicos. […].”

Veja mais no texto General Isopor – “El Tesourón”. (Publicado em 25/08/2009)
Também no texto Israel, o Império contra-ataca. (Publicado em 21/08/2009)

Capital X Trabalho

janeiro 12, 2010

Repasso o bilhete, datado de 08/01/2010, que deixei pro chefe.
É mais um cabo de guerra entre o capital (mole, mole) e o trabalho (aff! que dureza!):

Chefe,

Num certo local da cidade, alguns insistem em reafirmar:
Cordeiros da Bahia, uni-vos!’.

Em outro, a ordem é enfatizar que ‘O bom cordeiro não berra… e não bebe nem água!

Num outro ainda, ah! Carneirinhos felizes repetem em estribilho: ‘O silêncio vale [medalha de] ouro!’

Viu só como o real é múltiplo?

Amplexos mil.
Saci

Curtinhas do Saci

janeiro 12, 2010

E quem tem tempo para ler, em pleno verão, aqueles longuíssimo (e, às vezes, chatérrimos) textos neste blog, conforme reclamou o colendo presidente da premiada APUB? Quem?

Pensando no conforto do leitor, meu amigo Saci me assegurou que administraria a minha caixa de e-mail durante meu período de férias. Vou confiar nele. Prometeu-me textos telegráficos, notas minúsculas. Entrego-lhe também a administração do seu blog, para que ele escreva o que bem entender. Estou confiado que neste períoodo ninguém lê quase nada. Ou será o contrário?

Mesmo que eu não consiga chegar até a Grécia, por razões contrárias à minha vontade, vou enviar para os leitores do Blog do Saci-Pererê, um texto pseudo-filosófico intitulado “Lula e o Mito da Caverna”, inspirado no Livro VII de A República, de Platão e no filme “Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto.

Aguarde, pois, prezado leitor.

Boas férias para todos!

Menandro Ramos
Amigo do Saci

Patrulhamento anunciado

janeiro 12, 2010

A propósito de um suposto patrulhamento ( leia sobre o assunto) contra o cantor Caetano Veloso, que ousou não entrar na fila do beija-mão do presidente Lula, assunto sobejamente explorado pela mídia, inclusive a digital, não posso deixar de me manifestar do meu modo zen, atitude recentemente assumida:

Tomara que o Camarote da premiada APUB não seja QG de patrulheiros… São muitas as formas engendradas para que se use a tesourada vil com eficiência. Já se pensa na modalidade Tesoura atrás do Trio. Oxalá os “camisas negras” não sejam reeditados.

Paz e Amor!

Menandro Ramos
(de férias, por aí).

APUB na mídia digital

janeiro 12, 2010

Aos poucos, o Brasil vai tomando conhecimento da Bula Proibitória expedida pela presidência da APUB. Alguns blogs já noticiaram o retrocesso. Entre eles, o Observatório da Universidade. A autorização para a publicação dos textos e charges já foi dada e dispensa, aos interessados em divulgar o arbítrio,  a consulta prévia.

          Saci-Pererê