Archive for março \28\UTC 2012

Valeu, Millôr!

março 28, 2012

Para o Saci, a vida (ou a morte) tem dessas coisas: o genial humorista, desenhista, tradutor e escritor José Sarney acabou sobrevivendo o "esforçado" político e romancista Millôr Fernandes, mas um deles apenas vai se tornar imortal de verdade...

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O que escrever sobre Millôr Fernandes?
Mate a saudade de

Tributo ao Mestre do Humor

março 26, 2012

Para o Saci, a genialidade do humorista cearense é explorada à exaustão pela "Grobo", como forma de autoproclamar-se a "bam-bam-bam" das emissoras televisivas, ou a "plim-plim-plim" conforme arrelia o meu escrachado amigo... Com o propósito, é claro, de atrair as maiores fatias do bilionário mercado de anunciantes. (clique na arte para visualizá-la melhor). Uma cena de "O Grande Ditador, de Chaplin, inspirou a intervenção digital sacizesca.

 

á poucos dias, o Saci comentava comigo sobre o humor inteligente de Chico Anísio, diferente do humor “colegial” de Renato Aragão. Ele comparava o estrondoso sucesso de bilheteria dos filmes do famoso Trapalhão com a modesta exibição, mesmo no Estado da Bahia, do belo trabalho cinematográfico “Cascalho”, do baiano Tuna Espinheira, baseado no romance de Herberto Sales, autor igualmente baiano. Quanta injustiça!

Enquanto um tinha o marketing global a seu favor, o outro tinha a indiferença do governo Jaques Wagner em divulgar a cultura cinematográfica dos que lutam heroicamente para fazer cinema na terra de Glauber Rocha.

No embalo da conversa, veio o nome de Chico Anísio, que com justiça é chamado de ” O Mestre” do humor da TV brasileira. A sua estonteante criação de mais de duas centenas de personagens fala por si. Ninguém conseguiria empanar-lhe o brilho. É vero.

Além do humor, o ex-marido da ex-ministra da Economia do ex-presidente Fernando Collor de Melo – Zélia Cardoso de Melo -, nas palavras pretéritas do Saci, pintava e praticava a arte de cultivar amigos e estimular a veia artística dos seus parentes. Todos esses amigos quridos, quando ouvidos, foram unânimes em ressaltar a generosidade do criador da Escolinha do Professor Raimundo.  E também criador de Chico City, do Coronel Limoeiro, de Justo Veríssimo e de Bozó, entre centenas de outros.

Nessa última personagem, fez a crítica aos que usam a influência das empresas que trabalham para auferir benefícios pessoais. “Eu trabalho na Globo”. Logo, sou influente, tenhos amigos poderosos, minha empresa de trabalho é temível, etc. A Globo, que não é nada boba, fez que não entendeu o sentido da crítica e até estimulou o bordão… Agora se vinga dele, e o bom entendedor saca logo pelo dito e pelo não dito, mas induzido: Chico Anísio foi dos nossos quadros; aqui se fez; aqui se projetou; além de Maranguape, ele pediu que suas cinzas… O Brasil inteiro reconhece e chora a morte do Mestre do humor brasileiro. A Casa que abrigou tal prata, ou melhor, tal ouro de tão raro quilate, merece, sem dúvida, todas as loas. Essas e outras considerações fizeram parte de um vasto rol de lembranças evocadas pelo falecimento do saudoso artista, e de um bom bate-papo que tive com o meu amigo Saci. A morte tem o poder de, às vezes, fazer despertar o filósofo que temos adormecido dentro de nós.

A cada reflexão do Saci, eu acrescentava as minhas próprias considerações ao amigo de gorro vermelho e pito. Pensei no bigodudo Justo Veríssimo e no político que o havia inspirado.  Quem teria sido?  Algum senador? Algum parlamentar de basto bigode? Se é que isso acontecera, pois todos pareciam, quando a personagem surgiu, tão íntegros, tão impecáveis… Nessa época, os “mensalões” não haviam sido ainda batizados pela mídia… Eram pagãos! (Ou “pagões”, como prefere pluralizar o Saci, num flagrande despudor contra a norma padrão da afiada Língua de Machado de Assis…).

Claro que não tinha como deixar de pensar na Escolinha do Professor Raimundo e naquele “grande mestre” venal que era tentado sempre por presentinhos, em troca de uma boa nota – por parte de alunos corruptores -, e também que se deixava seduzir por moçoilas de hermosas formas:

– Chamou, chamou?

Chico Anísio deixa saudade. De verdade mesmo! Se as instituições políticas e educacionais fizeram e fazem por merecer críticas, pior para elas. Se o povo brasileiro, para quem o grande humorista dedicou seu trabalho, compreende que a Política e a Escola são meros adereços na República de Bananas, e não merecem ser levadas a sério, pior para o povo brasileiro!

Tanto para a Política, ou melhor – para os políticos -, quanto para a Educação, ou melhor – para os professores-, vale o bordão por ele criado e já imortalizado:

– E o salário ó…

Só que em polos diametralmente opostos – um representado pelos braços abertos largamente; o outro, pelos dedos indicador e polegar a curta distância entre si.

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Foi bom lhe conhecer, lhe assistir, lhe ouvir, Velho Chico! Foi muito bom! Seu gesto, sensivelmente largo, grande, de pedir que suas cinzas fossem também espalhadas ao redor da pequenina Maranguape, certamente superam outros eventuais “gestos pequenos”, mas demasiadamente humanos e que todos cometemos…

 

A TV Educa?

março 10, 2012

Ao surpreender o Saci em frente à TV vendo o apresentador Pedro Bial filosofar sobre o voyeurismo do BBB, resolvi perguntar-lhe se a TV educava ou não. Ele prontamente respondeu: "Educa não, chefia! Apenas massifica. E se, neste exato momento, você me vê diante da telinha ouvindo atentamente as tiradas bialescas, não tire conclusões precipitadas. É que, de repente, resolvi tirar a prova se o animal que atende (ou não!) pelo nome de burro, é desprovido de qualquer tipo de inteligência, realmente, ou se só é uma calúnia disseminada milenarmente sobre o pobre bichinho (Equus africanus asinus)...

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Se depois da quase hermética charge do Saci o(a) Leitor(a) ainda não consegue distinguir Educação de Massificação, o pestinha  se oferece para explicar tudo, numa ótima, sem cobrar um tostão. Para ele, a Educação fornece as bases para que se encontre a solução dos problemas da vida, enquanto a Massificação passa a certeza de que não há probelmas, e que tudo é lindo, maravilhoso, fantástico, conforme as propagandas e os apresentadores, despojadamente, ensinam… PLIM-PLIM!  

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Leia também A TV e a reinvenção do Mundo (AQUI)