Eméritos clamam por correntes

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EMÉRITOS-CLAMAM-POR-CORRENT.

DD.

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ói? Dói. Mas é verdade a notícia, a mais pura verdade, com assinatura em baixo e tudo mais. Professores Eméritos da UFRJ clamam pelas correntes, pelos grilhões do MEC, pela perda de autonomia acadêmica. Foram mais ou menos essas as palavras proferidas pelo Saci ao ler a tal CARTA DOS PROFESSORES EMÉRITOS do Rio de Janeiro.

Para o pestinha, quando um professora galga a “emeritude” do título honorífico concedido apenas a pessoas especiais por conta do que realizaram na academia, após pendurarem a chuteira, ele não pode jamais se prestar a papéis servis, menores como o de pelego, de traidores da categoria.

– Até porque, chefia, em nenhum momento os “emerilegos”, diferente do que afirmam em relação à greve, são incapazes de discernir os malefícios – leia-se ajuste fiscal e cortes  levyanos –  que de fato vêm ameaçando a Universidade enquanto instituição de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Que o senso comum faça isso, que haja assim ou que assim se manifeste, é até compreensível. É imperdoável, entretanto, a genuflexão quando se tratas de intelectuais supostamente esclarecidos.

Abaixo, as questões levantadas por Zezinho, a nota do atual reitor da UFRJ e a mencionada “Carta dos professores Eméritos’.

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zezinho

Para o Saci, pueril o Zezinho levantou questões fundamentais que muitos PHDeuses jamais ousariam levantar em todos os caminhos acadêmicos que percorreram…

Nota de Interesse Público e da Comunidade da UFRJ:
 
A reitoria registra a sua preocupação e lastima que um grupo de docentes Eméritos, sem qualquer diálogo prévio, tenha exortado, por meio de Carta datada de 20 de agosto de 2015, o ministro da Educação a realizar intervenção governamental na UFRJ, em desrespeito ao preceito da autonomia universitária assegurada constitucionalmente, ao recente processo eleitoral, validado por unanimidade pelos conselhos superiores da Instituição, e aos colegiados superiores.
 
A UFRJ sofreu duramente na ditadura, inclusive quando setores acadêmicos listaram os professores considerados subversivos para serem afastados compulsoriamente da universidade. Em 1998, alegando que o candidato que venceu a eleição, Professor Aloísio Teixeira, possuía vinculação com os sindicatos, docentes solicitaram ao ministro da Educação da época, Paulo Renato Souza, a nomeação de um reitor não eleito pela comunidade, jogando a UFRJ em uma de suas maiores crises institucionais com graves consequências para o ensino, a pesquisa e a extensão, precipitando a aposentadoria de centenas de docentes que não suportaram o ambiente de arbítrio, afetando gravemente a pós-graduação.
 
Os trâmites relativos a pedidos de afastamento do país para a realização de atividades acadêmicas, recebidos pela Reitoria entre 28 de maio e 28 de agosto, foram atendidos e publicados em Diário Oficial. Nesse período, a UFRJ concedeu 77 pedidos de afastamento do país, garantindo que os docentes realizassem suas atividades.
 
Em relação ao calendário acadêmico, desde a gestão anterior da reitoria, o Conselho Universitário aprovou resolução reconhecendo a legitimidade das greves e assegurando o direito de greve dos estudantes, propugnado futuro ajuste no calendário. O colegiado institucional responsável pelo calendário é o Conselho de Ensino de Graduação (CEG). As solicitações de excepcionalidade seguem sendo examinadas autonomamente pelo CEG que já reconheceu particularidades no Colégio de Aplicação, mantendo as atividades acadêmicas no terceiro ano do ensino médio, bem como as atividades de internato do curso de medicina.
 
A UFRJ não irá afrontar o direito de greve por meios coercitivos. 
 
No que se refere ao funcionamento da UFRJ, por definição estatutária e de seus colegiados superiores, a instituição busca a sua legalidade e sua institucionalidade na Constituição Federal, em seu Estatuto e no ordenamento legal pertinente. Todos os atos da instituição estão assim referenciados. 
 
Visando garantir espaços abertos à controvérsia, como é próprio da universidade, a reitoria convidará todos os seus Eméritos para uma reunião para discutir os problemas que afetam a UFRJ, particularmente, a sua grave crise financeira, advinda de um longo período de subfinanciamento, bem como para que possam contribuir, com a experiência acadêmica que os singularizou como Eméritos, para a solução dos mesmos e, sobretudo, que sigam inspirando com sua experiência o permanente aperfeiçoamento institucional da UFRJ, em prol da sociedade brasileira.
 
Rio de Janeiro, 28 de agosto 2015.
 
Roberto Leher
Reitor da UFRJ

 

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Camaradas,
Os docentes (d)eméritos da UFRJ estão tentando articular um golpe contra o Roberto Leher ou, no mínimo, constrangê-lo no exercício de suas funções. Trata-se, explicitamente, do começou uma forte batalha ideológica pelo modelo de universidade. Os assinantes (pelo menos os de letras, comunicação e história) são quadros do pensamento conservador e do campo das desrrazão…Sendo alguns do campo da razão subalterna.
Todo apoio ao reitor recém empossado e defensor histórico da educação pública no Brasil.
Abraços,
Milton Pinheiro
CARTA DOS PROFESSORES EMÉRITOS DA UFRJ
Exmo. Sr Ministro da Educação
Professor Renato Janine Ribeiro
Esplanada dos Ministérios, Bl. L – 8o Andar – Gabinete 70047-900 – Brasília – DF (e-mail: gabinetedoministro@mec.gov.br)
Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2015
Senhor Ministro,
Na qualidade de Professores Eméritos da UFRJ trazemos à sua atenção nossa profunda preocupação com episódios recentes que vêm ameaçando a nossa Universidade enquanto instituição de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Nossa preocupação vai além da quase completa paralisação das aulas e atividades administrativas numa greve que já dura 3 meses. Greves por longos períodos já ocorreram no passado, mas o que presenciamos agora é de gravidade sem precedentes: a transformação de instâncias sindicais em canais de tramitação dos procedimentos acadêmicos, e de decisão sobre questões da alçada do Conselho Universitário e do próprio Reitor.
Relatamos a seguir apenas dois exemplos de episódios recentes de nosso conhecimento:
1) Foi negado o pedido de afastamento do país de docente visando participar de evento científico representando a UFRJ. O processo seguiu as etapas iniciais de avaliação; porém, antes de ser encaminhado à Reitoria, duas entidades ligadas ao SINTUFRJ (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ), “Comando Local de Greve” e “Comissão de Ética” sentiram-se no direito de analisar e negar o afastamento por não considerá-lo uma atividade essencial. Solicitações análogas de outros docentes tiveram o mesmo desfecho. Na prática isto representa uma usurpação, aparentemente consentida, da autoridade da Reitoria, à revelia de qualquer norma ou regulamento da Universidade.
2) Em reunião do Conselho Universitário de 13/08/2015, o professor Afrânio Kritski, diretor da Faculdade de Medicina e com aprovação da respectiva Congregação, solicitou posicionamento do Conselho Universitário, órgão colegiado máximo da UFRJ, sobre o reinício das aulas na sua Unidade, conforme desejam seus professores. Em resposta, o Pró-Reitor de Graduação, professor Eduardo Serra, informou que o Conselho de Ensino de Graduação deliberouque excepcionalidade deste tipo deveria ser encaminhada ao CLG (Comando Local de Greve), procedimento acatado pelo Reitor, não incluindo o assunto na pauta do Consuni.
Entendemos que a avaliação de questões acadêmicas por instâncias de caráter sindical, como o “Comando Local de Greve” e a “Comissão de Ética”, invertem a prática universal em instituições de ensino e pesquisa do julgamento pelos pares, inviabilizam a convivência universitária sadia e prejudicam gravemente a reputação da nossa Universidade.

A UFRJ segue uma rota perigosa, que em breve poderá tornar-se irreversível. Certos de sua compreensão sobre a gravidade da situação institucional vigente, contamos com sua ação pronta e enérgica no sentido de apurar as responsabilidades por episódios como os descritos e regularizar os procedimentos acadêmicos da UFRJ.
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Saudações Universitárias,
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– Antonio Carlos Secchin, Faculdade de Letras
– Antonio Flávio Barbosa Moreira, Faculdade de Educação
– Fernando Cardim de Carvalho, Instituto de Economia
– Fernando Garcia de Mello, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
– Heloísa Buarque de Hollanda, Faculdade de Educação
– I-Shih Liu, Instituto de Matemática
– José Murilo de Carvalho, Instituto de História
– Luiz Felipe Canto, Instituto de Física
– Marcello André Barcinski, Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
– Martin Schmal, COPPE
– Nelson Velho de Castro Faria, Instituto de Física
– Radovan Borojevic, Instituto de Ciências Biomédicas
– Willy Alvarenga Lacerda, COPPE
– Antonio Dias Leite, Instituto de Economia
– Erasmo Ferreira, Instituto de Física
– Fernando de Souza Barros, Instituto de Física
– Gilberto Barbosa Domont, Instituto de Química
– Herch Moysés Nussenzveig, Instituto de Física
– João Saboia, Instituto de Economia
– Luiz Bevilacqua, COPPE
– Luiz Pereira Calôba, COPPE
– Mario Luiz Possas, Instituto de Economia
– Muniz Sodré, Escola de Comunicação
– Nicim Zagury, Instituto de Física
– Takeshi Kodama, Instituto de Física
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