Contradição no seio da UFBA

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Pauzinhos 2015.

Menandro Ramos
FACED/UFBA

A.

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contradição está fortemente instalada dentro da UFBA. Se, por uma lado, o partido do governo e políticos a ele coligados, ditos de esquerda, são capazes de eleger dirigentes, por outro lado, a executiva federal, ao operar cortes na Pátria Educadora para assegurar o tão falado superávit primário exigido pelo capital internacional, condena a instituição a um futuro incerto. Recentemente, um docente da Escola de Administração, em conversa informal com colegas da FACED, arriscou dizer que, se estivesse no lugar do Prof. João Carlos Salles, entregaria solenemente uma chave simbólica da UFBA ao MEC, expondo cuidadosamente os motivos da sua recusa em administrá-la sem os recursos que a instituição faz jus para tocar convenientemente um reitorado profícuo e decente.

A mesma instituição que estendeu o tapete vermelho para o ex-ministro José Dirceu (veja AQUI) – que se encontra atualmente cumprindo pena na Papuda, pelo crime de corrupção ativa e por formação de quadrilha – , e concedeu o título de doutor honoris causa ao ex-presidente Lula (veja AQUI), ambos do Partido dos Trabalhadores, hoje se vê na iminência de fechar suas portas por falta de recursos mínimos para a sua manutenção.

Foi grande o comparecimento do público baiano à cerimônia de outorga do título honorífico ao ex-presidente, no Salão Nobre da Reitoria. Fonte: Portal da UFBA.

Para ficar nos casos apenas de ligações da academia mais significativas ou “de ponta” do alto clero do PT com a UFBA, cita-se quatro ou cinco secretários do executivo estadual que são docentes da casa. Sendo que um deles debate-se valentemente para provar que não tem nada a ver com a operação da Lava Jato, conforme reiteradas denúncias veiculadas na mídia…

E aí estoura a greve, premida pelo sufoco vivido nos últimos tempos pela instituição, com situações patéticas de até cortes de energia elétrica em algumas unidades de ensino da UFBA. Mas algo inédito acontece. Pela primeira vez na história da UFBA o próprio reitor manifesta-se simpático à greve, dentro dos limites institucionais que o cargo permite.

O movimento paredista impõe-se, local e nacionalmente em dezenas de instituições federais, fortalecido inclusive pela adesão dos estudantes e trabalhadores técnico-administrativos. Nem por isso o governo se sensibiliza. Ao contrário. Recrudesceram-se os cortes. Seguindo a vocação privatista desse governo, beneficiou-se o FIES com quase R$18 bilhões para universidades e faculdades privadas, enquanto a Educação Pública perdeu cerca da metade desse montante, ou seja, cerca de R$ 9 bilhões a menos. Sequer o alto escalão do MEC recebe dirigentes do movimento docente para um conversa – ainda que breve.  Após quatro meses de resistência dos docentes, de repente, não mais do que de repente – sem qualquer razão lógica para justificar o esmorecimento, justamente no momento em que o governo se encontra mais fragilizado por pressões políticas e econômicas, inclusive com a ofensiva da direita de pedido de impeachment da presidente Dilma -, eis que começam a surgir ponderações de que a conjuntura não é mais favorável à manutenção da greve.

Sem explicação plausível, chovem discursos apontando a inexorabilidade do fim da greve. O que intriga é que essas vozes não vieram apenas do interior da direção proificista, ou dos docentes produtivistas “empijamados”, ou da direita estudantil que clamava por aulas, ou da militância petista ou do PCdoB que infesta a UFBA. Se fosse dessas partes ou de algumas delas, seria até compreensível. O que intriga é que veio também por parte de uma fração expressiva de docentes combativos frequentadores de AGs, e parte do Comando Local de Greve, que política e ideologicamente se situa em posição diametralmente oposta aos governistas camuflados ou assumidos.

Sem dúvida, é preciso um esforço enorme para descobrir se o que está havendo é excesso de boa-fé ou se é mesmo ingenuidade…

Convém que a valorosa geração recém chegada de combatentes em favor da UFBA e da Educação Pública de qualidade fique atenta ao legado metafórico do passado, expresso tanto no “Canto da Sereia” quanto na “Vitória de Pirro”…

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Uma resposta to “Contradição no seio da UFBA”

  1. Francisco Santana Says:

    Houve de tudo um pouco, mas o determinante são as cibernéticas ideológicas que dominam as lideranças mesmo as mais combativas de esquerda. Elas reagem de maneira automática diante de determinadas situações sem refletir sobre essas situações. É como se obedecessem a um catecismo imutável.

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