Conexões

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CONEXÕES 2016.

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esde tempos muito remotos que os artistas servem o poder e o poder se serve dos artistas, seja o poder religioso, seja o poder político…

Artesãos, artífices, artistas, arquitetos estiveram presentes na Babilônia, Grécia, Roma, Alemanha nazista… O documentário “Arquitetura da Destruição”, abaixo, só para ilustrar, produzido e dirigido pelo cineasta sueco Peter Cohen, dá ideia do quanto Hitler usou e abusou da Arte. Há de se constatar que a dimensão particular da arte está sempre presente, mostrando as contradições do real: o grande Carlinhos Brawn é uma peça do quebra-cabeça que liga a Globo ao governo Lula/Dilma. Mas outras “peças” ou “interesses” também possibilitam outras conexões da mídia como o poder político e financeiro. Talvez o momento peça para concentrarmos a artilharia no nefando Temer que promete transformar a vida do trabalhado um inferno…

Rede social é isso: o Prof. Marcio Correia Campos, da UFBA, reverberou um post de alguém que havia publicizado Aninha Franco. E vem o Saci e mistura tudo… Bom, o texto primeiro que foi forjado pelos eventos da política e da cultura brasileira deve ser conhecido. Com a licença de Aninha Franco*:

Trilhas: o que a Sociedade acha

A Sociedade acha que “Lei Rouanet” e ladrão se equivalem, que artistas são “vagabundos” e que MinC não presta pra nada. A Sociedade contesta a manutenção do MinC com hospitais fechados, leitos perdidos e “desemprego Dilma” que atinge, atualmente, 11 milhões de brasileiros. E alguns poucos da Sociedade sabem – e não escreveram sobre isso, ainda -, que Dilma pretendeu extinguir o MinC antes de Temer. Essa Sociedade que acha e manifesta sua opinião nas redes sociais e paga os impostos que se transformam em patrocínios está ausente da Cultura brasileira. Alguns Artistas distantes da Sociedade, como os Políticos, não entendem por que a Sociedade chegou nesses achados.

O MinC foi criado por José Sarney, autor do IDH do Maranhão, em 1985. Em 1990, Collor extinguiu o Ministério com uma canetada, mas Itamar Franco o trouxe de volta quando assumiu, implorando que alguém fosse seu ministro. Antônio Houaiss aceitou reclamando que o orçamento não sustentava uma secretaria estadual, que inexistia infraestrutura e que a Lei criada por Paulo Rouanet (1991), que nunca funcionou a serviço da Cultura, era anacrônica. Saiu sem vitórias, em 1993, substituído por Jerônimo Moscardo que quis fazer uma revolução ateniense na cultura, e foi ejetado dela pelos Fenícios que implantaram o Plano Real no País.

Então, passearam pelo MinC, de 1985 a 1994, nove ministros, até que Francisco Welffort, petista de origem, se estabilizou no cargo aplicando a lei Rouanet, uma lei de audiovisual paternalista planejada por Houaiss (1992), usando a administração caótica montada por Celso Furtado. Esse MinC bichado patrocinou projetos do Sudeste (89,5% dos patrocínios), como o atual, ignorou a subsistência de projetos.BR referentes, e investiu milhões em patrocínios na Bróduei Paulista, que mesmo assim cobrou ingressos caríssimos. A Sociedade foi emputecendo a cada um desses fatos.

Gilberto Gil assumiu esse ministério, em 2003, com poder midiático para fazer dele uma pasta de Cultura a serviço de Artistas e Sociedade, mas customizou o ministério bichado de Welffort com um marketing de “Esquerda Camarote” até 2008, deixando, de importante, os pontos de cultura que, enquanto casas sem conteúdo, não servem pra nada. Dizem os que assistiram, e ainda não escreveram sobre o assunto, que quando Gil assumiu o ministério, em 2003, Juca Ferreira foi posto na Secretaria Executiva do MinC com resmungos de “não sou da área”.

Juca ficou secretário e se tornou ministro sem ser da área. Por isso, a Sociedade não entende como o Centro Histórico de Salvador está arrasado depois de 13 anos, quatro meses e 11 dias de ministros baianos no MinC. A que serviu esse MinC ? Como é que os ocupantes do Teatro Vila Velha pedem dinheiro à Sociedade depois de 13 anos, quatro meses e 11 dias de fidelização do Teatro ao projeto de poder do PT? A que serviu esse MinC ?

O Vila Velha teve um pensador, João Augusto, que escreveu no Plano de Trabalho do Teatro, nos Anos 1960, que nenhuma casa artística deveria se envolver com “ideologia, seja ela qual for”. Isso serve ao MinC e aos artistas do Vila Velha. Temer não extinguiu um Ministério, extinguiu um aparelho de propaganda lulopetista mantido com verbas que deveriam proteger a Biblioteca Pública Nacional, os Centros Históricos do País, sua Memória e resguardar a independência criativa dos Artistas brasileiros.

* Aninha Franco é escritora


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