Entropia republicana

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Safadão 2016

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Cap e douro.

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ntropia é um conceito com o qual os físicos trabalham, vindo lá da Termodinâmica que mede a desordem das partículas de um sistema físico. Quanto maior a desarrumação, de acordo com a Lei da Termodinâmica, ou quanto maior for a bagunça ou a desordem de um sistema, maior será a sua entropia.

Em cima dessa ideia, o Saci tentou medir o índice caótico que o modo de produção capitalista fez chegar até a nossa pobre República, digna de lástima, coitadinha. Escusado dizer que o pilantrinha do meu amigo de gorro vermelho e pito não teve êxito, uma vez que, para uma tarefa de tal porte, ele precisava de dispor, para ajudar nos cálculos complexos, de pelos menos dois computadores iguaizinhos ao supercomputador Santos Dumont, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), adquirido por R$ 60 milhões, aquele mesmo que está se deteriorando em Petrópolis, por falta de recursos financeiros federais para sua manutenção. (Saiba mais AQUI). O próprio Saci reconhece que se a Pátria Educadora não o fez, muito menos o fará a Pátria Temerosa…

De fato, não há como não atribuir o que a nossa República está vivendo na atualidade, senão a um acirramento nunca visto antes na ordem do capital, uma tal deterioração que caminha para a desordem absoluta, até sua superação por uma outra forma de organização que está em marcha, aconteça hoje, amanhã ou depois. A dupla Marx/Engels muito bem se expressou sobre o movimento do real, na concepção do materialismo histórico e dialético. Quem tiver paciência para lê-los, verá que nada disso é novidade. Menos como capacidades adivinhatórias ou mágicas, e mais como clarividência, como argúcia científica dos pesquisadores e analistas dos eventos humanos, tendo por laboratório a História.

Mas isso não vem agora ao caso, porque já é São João, é alegria, pois ninguém é de ferro!  As quadrilhas de entretenimento e de meio de ganho do micropoder calarão por algumas horas, ou mesmo por alguns dias, as quadrilhas do macropoder federal. Lava-Jato, envolvimento de parlamentares e empresários de alto coturno e até de Tribunais de Contas estaduais com ilícitos, cederão lugar para o forró, a canjica, o milho assado, o licor, o quentão, a fogueira, a bombinha, o estala-salão e traque de massa. Tudo é muito massa!

Assim, o pobre-rico do pop star Wesley Safadão, que talvez jamais fará parte da galeria dos grandes compositores e músicos brasileiros, não é nem mais nem menos o que a mídia o vendeu a sua imagem para as massas, ou seja, um cantor capaz de faturar um alto cachê, de acordo com as fantasias e quimeras forjadas por partícipes dos privilégios do deus mercado. Este teve, sem dúvida,. a competência de forjar um discurso de bases mercadológicas dizendo que o povo, de vida tão sacrificada, merece apreciar um show cujo cachê custa muito mais do que os olhos da cara.

Nem que para isso tenha que mandar para as cucuias os investimentos sociais de montantes razoáveis esperados  para uma República, no seu sentido mais autêntico: res publica (coisa pública) voltada para todos, e não apenas para alguns olimpianos ou deuses do Olimpo.

De toda forma, tudo isso fortalece o que vem dizendo o Saci: “bobo é quem pensa que a arte é, necessariamente, tudo de bom no modo de produção capitalista”… Bobo é quem pensa isso!

 

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