Não há noites eternas

DIRETAS JÁ 2016.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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cap a 2.9.

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nos atrás, quando ainda vivíamos sob as botas do governo militar, um jovem, depois de ter algumas charges recusadas de publicação pelo redator-chefe, lia sofregamente os jornais da época tentando descobrir um assunto mais ameno que não desse margem à tesoura vil entrar em ação. Foram vãs as leituras. Tudo conduzia a charges que denunciavam a noite de terror em que o país estava mergulhado. A morte do jornalista Vladimir Herzog, a bomba no Rio Centro, o general Newton Cruz, o SNI, o AI-5 eram espectros no imaginário que impediam que se pensasse na cor da esperança.

No meio daquela Redação de máquinas datilográficas barulhentas, o jovem pensava, pensava, e não via a menor possibilidade do país desvencilhar-se daquela noite eterna. Desconfiava-se de tudo e de todos. Falava-se que até professores civis de instituições federais, infiltrados nas redações dos diários e vespertinos da época, espionavam colegas e se prestavam ao torpe papel de censor pro governo militar…

Mas eis que, de forma quase imperceptível, a madrugada foi raiando bela e alvissareira, imprimindo na mente daquele jovem a convicção da impossibilidade de noites eternas enquanto o Sol existir.

Aquele jovem sou eu.

.BATER 2016.

FATIA 2016.

LÁGRIMAS 2016.

TUDO PASSA.

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