A obrigação civil do Prof. Waldof

 .

hermes

Há quem diga que alguns titãs  receberam dos deuses a incumbência de caçar sacis…

C

Francisco Santana
Prof. Aposent. da UFBA

Contrariamente ao prezado professor, acompanho com boa vontade essa lista e leio principalmente as postagens que expressam posições claramente opostas às minhas, pois é do contraditório que surge o aprimoramento de nossas idéias e além disso não debato por diletantismo e nem por interesse material mas por amor ao meu país.

Você disse:


“Contra a minha vontade, mas por um tipo de obrigação civil, tenho acompanhado essa lista e lido todas as postagens, inclusive aquelas que expressam posições claramente opostas às minhas. E tenho visto que tem se tornado um hábito, em nome de um sentido estranho de democracia e de luta trabalhista, censurar qualquer um que se manifeste contrário à greve ou contrário à condução da greve.”

Você afirma categoricamente que TEM VISTO ISTO e AQUILO . E ISTO realmente ocorreu? Você não teria por acaso que citar fatos concretos que evidenciasse que isto realmente ocorreu ou para você basta uma “verdade” consensualizada entre você e seus amigos que são contra a greve?

Tudo indica que sua constatação quanto a censura é falsa. Para que isso ocorresse, primeiro era necessário que existisse alguém com poder de censura e um fato pelo menos concreto fosse citado de que essa censura foi efetuada.

Examinemos os dois ambientes citados por você, onde provavelmente ocorre tal censura. A lista de de debates, debates-l e as assembléias.

Primeiro a lista debates-l – Na lista debates-l, o poder de censura está a cargo de seus curadores e felizmente eles não tem acolhido os pedidos de censura e de “tire meu nome dessa lista” que vão desde o tipo, “Como faço pra não receber esse tipo de palhaçada que algum palhaço insiste em enviar?”, a outros bem mais sutís. Você se enquadra nos mais sutís. Por exemplo quando enviou o seguinte e-mail:

“29 de abril de 2014 17:07

Colegas,

Sou desses que defende o direito irrestrito à livre expressão, sobretudo no que concerne a temas políticos. Mas todo aquele que usa esse direito deve arcar com certas obrigações morais. E a principal delas é a honestidade intelectual. O que implica usar argumentos claros, deixar claro seu ponto de vista, respeitar eventuais adversários e assim por diante.

Acho importante que o prof. Menandro se utilize desse espaço para expressar suas opiniões sobre a movimentação em torno da eleição para reitor da UFBA. Esse é um bom modo de exercício da democracia, principalmente porque somos uma comunidade pequena com interesses muito semelhantes acerca dos mesmo temas.

Meu único – e grave desconforto – diz respeito a uma prática que, na minha opinião, não é virtuosa: o Prof. Menandro pretende assumir o lugar de um “intérprete” da campanha eleitoral e tenta colocar seu blog como uma espécie de “observatório” (isento, neutro, crítico, que arrola fato, reúne as diferentes opiniões, expõe o real). Ele pretende isso, mas o que tem feito é exclusivamente criticar e atacar um único candidato, o Prof. João Carlos Salles, e o amplo (e plural) grupo que lhe dá apoio.

Seria mais virtuoso fazer uma das duas coisas a seguir: a) assumir que seu interesse é opor-se à candidatura do Prof. João Carlos, reunir críticas e depoimentos desfavoráveis a ele e defender seu próprio candidato ou b) tornar-se um observador crítico de todos os candidatos e grupos.

Creio que “b” é impossível, pois o “certo” e o “errado” já está posto: “certo” são aqueles que assumem a agenda que o próprio Prof. Menandro defende. Por isso, sugiro que assuma a opção “a”, declare sua preferência político acadêmica, defenda seu candidato.

Não há nada de errado nisso. Ao contrário, isso é virtuoso. O prof. Câmara fez isso, o Prof. Paulo Fábio fez isso. Muitos outros têm assumido escolhas políticas, e, por curioso que pareça, são as pessoas (de diferentes colorações) que dão apoio ao candidato da Chapa 1 que têm mais desenvoltura, leveza e clareza nesse item.

Eu, por exemplo, não tenho dificuldades para dizer que votarei no Prof. João Carlos e que acredito que, sendo eleito, ele terá todas as condições para dirigir uma universidade plural, contraditória, rica, como a nossa. Será capaz de manter um diálogo franco e aberto com todos, principalmente porque a sua campanha não é contra alguém, não se pretende derrubar, desmoralizar, desacreditar alguém.

Todo mundo critica grupos ideológicos fechados. Na hora em que um candidato consegue dialogar tranquilamente com pessoas de diferentes posições políticas, começam a questionar, lançar suspeitas? O que está acontecendo?

Atenciosamente,

Waldomiro Silva Filho
Dep. de Filosofia”

Você tem todo o direito de criticar o Prof. Menandro mais o que você sugere sutilmente, logo no início desse e-mail de 29/04/2014 é a exclusão de Menandro e ou do Saci, por não ter ou não assumir as obrigações morais, segundo os critérios do Professor Waldomiro, necessárias ao direito de exercer a livre expressão. Menandro não tem segundo esse e-mail a virtuosidade exigida pelo Prof. Waldomiro para exercer o direito da liberdade de expressão. Um discurso velho e manjado do liberal de ontem e reacionário de hoje como define bem Marx. É necessário o discurso do liberal de ontem para justificar práticas reacionárias hoje.

Assim o Prof. Waldomiro reviveu Karl Heinrich Hermes, redator político da Gazeta de Colônia, contra quem Karl Marx travou debates calorosos. Leia, quem tiver interessado o atigo de Marx, EDITORIAL DO Nº 179 DA <<GAZETA DE COLÔNIA>> e confirmem se um não é tal e qual o outro.

Mas o CENSOR não se revela só pela a ação mas também pela omissão.

Sabe-se que a APUB tinha uma lista de debates, a apubdebates, que quando se sentiu incomodada per e-mails contestadores, a direção se achou com o direito de censurar esses e-mails até que finalmente tirou do ar a lista. Isso foipúblico e notório ao ponto de seu ex-presidente e ex-diretor, Prof. Israel Pinheiro, declarar em alto e bom som durante a aula inaugural da UFBA, proferida pelo Prof. Janine, que a direção da APUB tinha esse direito e dever de censurar os e-mails. Numa mensagem o Prof. Joviniano comunicou que vetava a distribuição de minha mensagem por ela abordar um assunto que ele considerava inadequado que era, URNAS ELETRÔNICAS.

Essa censura por parte da diretoria da APUB era portanto de total conhecimento público e eu não me recordo de você ter se pronunciado contra essa censura. Hoje você assina um manifesto em defesa da Diretoria da APUB, será em defesa também dela censurar debates?

Saiamos da censura de opinião para a repressão política. Não há muito tempo a diretoria da APUB apoiou a atitude fascista da Reitoria (Naomar) de mandar a Polícia Federal retirar à força os estudantes que ocuparam a Reitoria. O diretor João Rocha em sua campanha para reitor, confirmou no debate não só esse apoio como ratificou a retidão desse apoio em nome da ordem contra a anarquia. Esse seu apoio hoje à Diretoria da APUB é extensível a essa atitude da APUB?

Há mais algum tempo ocorreu um fato vergonhoso na história do movimento sindical dos docentes universitários que é ilustrado pelas fotos abaixo;

 Foi publicado uma convocação de assembléia pela CUT para fundar um novo sindicato de professores, sem professores. Mas os professores compareceram e foram proibidos de entrar (veja as fotos AQUI). As fotos são auto explicativas, mas eu peço ao Menandro que as publique todas e o relatório do Prof. Leher,pois o debates-l tem limitações de anexos. Por trás dos seguranças malhados e escondidos estavam os professores chapa-brancas com umas 400 procurações. Entre eles estavam alguns diretores da APUB.

seguranc3a7ad

O manifesto de apoio a Diretoria da APUB, que você assinou, não deveria pelo menos ter uma ressalva quanto a esta atitude vergonhosa da APUB de ter participado de cenas de gangsterismo?

Passemos agora ao outro ambiente citado, o das assembléias.

Nas assembleias o poder de censura está concentrado na mesa que dirige a assembleia e esse poder tem sido exercido em todas as assembleias pela Direção da APUB, evidentemente com a mediação da própria assembleia. Sempre que a Presidente da APUB está presente ela é a presidente da mesa que dirige a assembleia.

As assembleias dessa greve foram as que mais tiveram maior e mais tolerância quanto a participação de estudantes de que as de outras greves.

A prova disso é que uma estudante sem nenhuma credencial a não ser a que ela mesmo se atribuiu, falou mais de 15 minutos ininterruptos agredindo o comando de greve e os professores que são favoráveis a greve intitulando-os etc. de classe branca intelectual racista etc. E os professores a ouviram sem interrompê-la e sem a mesa advertí-la que ela estava ferindo o regimento da assembléia. Enquanto os professores senhores de sua assembleia não têm o direito de falar mais de 3 minutos.

Isso não é só uma observação subjetiva ou constatação do Prof. Menandro ou do Saci. Isso está nos videos das assembléias gravados inclusive pelo Prof. Menandro ou o Saci. Existe a prova com filmes e fotos.

Eu me considero uma vítima das maquinações da Diretoria da APUB quando das assembléias, mas nem por isso deixo de frequentar as assembleias pois considero a assembléia a única e legítima instância de decisões da categoria.

Pessoas como você deveriam seguir as máximas de Churchil, substituindo onde tem democracia por assembleia e regime por instância decisória:


“Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos.

A democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela.

A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais.

O melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com um eleitor mediano.”

 Em 30 de setembro de 2015 21:07, Waldomiro Jose da Silva Filho <waldojsf@ufba.br> escreveu:

Prezados,

Quando estamos em “desacordo” é possível assumir diferentes posturas. Entre elas, podemos assumir, de antemão, que nosso adversário está errado e, com isso, esforçarmo-nos para desqualificá-lo, censurá-lo ou silenciá-lo. Outra maneira é enfrentar o desacordo como um desacordo de posições e argumentos e, com isso, aceitar a possibilidade de nós mesmos estarmos errados.

Contra a minha vontade, mas por um tipo de obrigação civil, tenho acompanhado essa lista e lido todas as postagens, inclusive aquelas que expressam posições claramente opostas às minhas. E tenho visto que tem se tornado um hábito, em nome de um sentido estranho de democracia e de luta trabalhista, censurar qualquer um que se manifeste contrário à greve ou contrário à condução da greve. Assim, os estudantes que livremente (e, para nossa felicidade, livremente) se manifestam contrários à greve são pichados como “de direita”; os professores que proclamam uma posição divergente ao Comando de Greve são ridicularizados… E assim vai, quem é a favor da greve (mesmo que defenda um ideia absurda) é bom; que é contrário (mesmo que tenha um argumento sério) é estúpido. 

Isso não é apenas constrangedor, mas preocupante. Para todos os lados que eu olho, na UFBA e na atual crise econômica e de governância, só vejo palavras de ódio e de autoritarismo.

Não, Prof. Menandro, não tenho “sólida convicção teórica acerca das greves e das assembleias”, não sou cientista político ou ideólogo. Eu tenho apenas apontado duas coisas: a) a greve nasceu de uma plataforma espúria (uma pauta difusa, contra a política econômica, pela educação pública e gratuita – já não era?) que, na verdade, ocultava uma disputa pela hegemonia sindical entre PROIFES/ANDES e b) a estratégia da greve não tem contribuído para convencer a sociedade da relevância da universidade nem ao Governo para rever suas políticas (enquanto isso, a UFBA enfrenta uma crise sem precedentes, sendo que ninguém, além da administração central, parece se ocupar em a resolver).

Não, não sou “douto”. Eu apenas prefiro enfrentar os desacordos com ideias e, para tanto, busco os melhores argumentos (mas quase sempre eu fracasso nesse esforço). Há algum tempo um estudante mostrou à minha esposa uma montagem que o senhor vez com minha imagem (e do Prof. Charbel). Isso, sim, é ridículo: trocar um argumento por uma brincadeira.

Fui às assembléias, sempre que tive condições. Reuniões, defesas, relatórios, projetos, pareceres, prazos para entrega de artigos e outros compromissos que eu e outros professores dessa universidade não podem evitar, não permitiram que gozasse da agradável liturgia das assembleias. Algumas vezes fui, mas devo confessar, que não consegui ficar até o final.

Lamentavelmente, não pude ir votar pelo fim da greve ontem, pois desde agosto passado estou no exterior realizando um estágio de pesquisa. Espero que quando eu voltar, em julho de 2016, a greve tenha acabado. 

Meus melhores votos,

 Waldomiro Silva Filho

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Uma resposta to “A obrigação civil do Prof. Waldof”

  1. osaciperere Says:

    https://osaciperere.wordpress.com/2015/07/29/genese-da-proifes/

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