A presidente e o golpe de 64

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Dilmas

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Menandro Ramos
FACED/UFBA

C.

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ertamente, nenhuma cartomante seria capaz de prever tantas mudanças na vida da presidente Dilma Rousseff. O fato é que ela mudou muito de 1964 ou de 1967 para cá. Alguns afirmam que mudou para melhor; outros, para pior.

Durante a sua campanha presidencial, a internet ficou apinhada de sites que a descreviam como assaltante de banco, de casa de arma e de dependências militares para roubar armas, dinheiro e o escambau. Divulgou-se até que ela teria participado do famoso assalto  à casa do governador Ademar de Barros, em São Paulo. Além de Estrela (seria uma premonição?), também era conhecida na militância como Luíza, Patrícia e Wanda. Até uma suposta ficha da época em que foi capturada surgiu como “prova” de suas supostas ações terroristas (AQUI). Com receio da repercussão perante os eleitores, o PT tratou logo de refutar o que fora divulgado.

[…] a assessoria de imprensa da campanha de Dilma enviou uma nota à revista em que diz que “a candidata do PT nunca participou de ação armada”. “Dilma não participou, não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada e nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacional, por ‘subversão’, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser ‘subversivo’”. (Fonte: Revista Época).

Talvez ela não tenha mesmo participado de nenhuma ação mais radical e tenha se limitado a apenas dar aulas sobre o marxismo e a se indignar com palavras diante das misérias que afligiam o trabalhador brasileiro daquela época. Os jovens são sempre muito sensíveis às injustiças do mundo, e o tempo todo querem modificá-lo. Talvez, também, tudo não tenha passado de teorias conspiratórias de mentes férteis montadas para desestabilizar a imagem daquela que poderia suceder Lula da Silva…

De acordo com os depoimentos, nas reuniões – muitas realizadas no apartamento de Dilma – o grupo decidia suas ações. Em seu depoimento, Nahas afirmou que parte do Colina, com o decorrer do tempo, passou a acreditar que a organização deveria ter um caráter mais militar. Foram criados setores de “ex-propriação, levantamento de áreas, sabotagem e inteligência e informações”. “Dilma e Oscar permaneceram no setor estudantil”, diz Nahas. Essa decisão marca um ponto de inflexão na curta história do Colina. O grupo passou a fazer ações armadas. O historiador Jacob Gorender, que esteve preso com Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, é autor de Combate nas trevas, o mais completo relato da luta armada contra a ditadura militar. Ele afirma que o Colina foi uma das poucas organizações a fazer a “pregação explícita do terrorismo”. (fonte supra citada).

Quem se dispuser a visitar as páginas da  história das insurgências brasileiras da década de 1960, vai concluir que, ou se lutava para resgatar a velha ordem institucional – ainda que injusta –  surrupiada pelos militares golpistas ou se pretendia virar a então vigente ordem econômica, política e social pelo avesso. Estaria a jovem subversiva Dilma Vana Rousseff Linhares nessa segunda frente de luta? Se estava, ao vê-la, hoje, tão sensibilizada aos interesse da FIFA, por exemplo, e tão cordial com as demandas do capital sem pátria, pode-se especular que a Presidente Dilma Rouseff, muito provavelmente, se envergonhe dos arroubos tresloucados da sua distante juventude…

Confesso, aqui para nós, que tenho um misto de simpatia e de nostalgia pelos olhos sonhadores que se escondem por trás das lentes grossas daquela foto antiga… Juro que tenho!

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Uma resposta to “A presidente e o golpe de 64”

  1. Maria Says:

    Com uma ficha extensa destas, chegou a presidência da república, interessante.Acho que tá bom para nós.

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