ADM e Economia discutem Processo Eleitoral

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UFBA: Processo Eleitoral 2014

AGENDA PROPOSITIVA PARA OS DEBATES DO PROJETO UFBA

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ELEIÇÕES-UFBA-2014

 

Apresentação

Este documento busca sintetizar as preocupações de alguns professores e servidores da UFBA que se reuniram para refletir sobre os elementos marcantes da trajetória recente da Universidade. Nossa intenção principal é colaborar para os debates que irão necessariamente ocorrer para a definição de propostas de trabalho e de nomes que irão concorrer para a definição da Reitoria no próximo período.

Por definição, este material não é conclusivo, requer sucessivas discussões, inclusive com as representações do corpo discente e dos servidores e professores da nossa UFBA.

Cenário geral

A força do credo neoliberal tem sido tamanha e tão inebriante que até pessoas sinceras e de credo oposto parecem não enxergar outra opção senão rezar pelo catecismo que condensa os mandamentos que estão em voga. O principal comportamento adotado tem sido a substituição do conteúdo pela forma; a noção do coletivo pela cultura do individual dito esclarecido; as decisões coletivas e descentralizadas pelas decisões hierarquizadas e autoritárias. Como resultado, observamos que o orçamento da Universidade deixa de ser elaborado de acordo com as suas necessidades, mas conforme os parâmetros da disciplina fiscal e garantidores de superávits financeiros (do interesse da alta finança), definidos a partir de Brasília – que pouco sabe sobre o Brasil.

Testemunhamos, diariamente, situações indesejáveis, porém recorrentes, ao longo dos anos. Questões nefastas se repetem a cada gestão, relativas a transporte, segurança, limpeza, equipamentos e materiais de trabalho. Infelizmente, observamos atitudes descompromissadas e de falta de cuidado com o patrimônio universitário que retratam tanto a falta de contato entre as diversas Unidades como um sentimento de não pertencimento dos atores universitários. Em suma, assistimos certa desumanização na UFBA. Por exemplo, alguns concursados, após sua efetivação, logo pensam e agem tendo por meta um próximo concurso fora da Universidade.

Propostas e documentos interessantes são absorvidos pelo cotidiano burocrático, pelo  desempenho apenas cartorial dos órgãos colegiados. A grave fragmentação existente, bem como o isolamento nos e entre os Cursos não são discutidos e avaliados.

A gravidade de tal conjunto de questões não permite que na atual sucessão reitoral da UFBA o nome de pessoas esteja sempre à frente da proposta de trabalho. A indagação que se coloca é: quais são os nomes que estão em disputa? Perguntamos também: quais interesses serão representados? Assim sendo, infelizmente, a Universidade e seu Plano de Futuro tornam-se questões subsidiárias!

Pensar e Agir para Transformar

Não admitimos que a discussão mais aberta acerca da sucessão possa ser considerada como tardia ou atrasada, pois consideramos que algumas questões que estão obstruindo o desenvolvimento da Universidade são reconhecidas pela quase totalidade de nossa comunidade, professores, estudantes e funcionários, conforme apontamos em seguida:

  1. A autonomia universitária, que é sempre falada, particularmente nos momentos de eleição, não é encarada com a atenção que esta temática requer.

É necessário discutir, de forma mais confortável aos interesses da Universidade, propostas improvisadas e inconclusas do governo federal, a exemplo do REUNI, PRONATEC, Ciência sem Fronteiras, Programa Permanecer, etc.

Cabe refletir sobre a necessidade de alinhar e resolver as dificuldades da gestão de recursos financeiros perante os procedimentos determinados pelas instâncias de controle externo (TCU; AGU), com maior autonomia. Uma alternativa possível seria a discussão com as demais entidades federais de uma Lei Orgânica compatível com a autonomia universitária requerida e necessária ao atendimento de situações diferenciadas (tanto no objeto como na ordem de grandeza dos recursos).

No caso da nossa UFBA, como exercício inicial da autonomia, é importante o convite a todos os órgãos de controle para uma solução única e definitiva para a contratação dos serviços de limpeza, segurança e tecnologia de monitoramento.

Além disso, é importante explicitar e fomentar as relações da UFBA com a bancada baiana de parlamentares federais.

  1. 2.      Cabe elaborar um Plano de Repatrimonizalização da UFBA: desenvolver ações de integração físico-espacial; fazer a recuperação plena de todas as instalações existentes – e adotar como diretriz principal a política de só construir o novo depois do usufruto pleno do que já temos.

 

  1. 3.      Desenvolver instrumentos de integração daquilo que dizemos ser indissociáveis: a pesquisa, o ensino e a extensão.  Nesse movimento, recuperar a cultura de que a contratação do professor implica, por princípio, desenvolver integradamente essas atividades que só estão separadas para efeito de compreensão, mas não do ponto de vista da ação – e, com isso, melhorar a nossa inserção na sociedade, particularmente na sociedade baiana.

 

  1. 4.      Mobilizar as nossas capacidades e possibilidades visando a fazer dos institutos básicos (Filosofia, Matemática, Física, Biologia, Letras) produtores de um conhecimento vanguardista e de suporte às demais áreas da Universidade.

 

  1. 5.      Adotar um conjunto de medidas transitórias emergenciais, considerando que a UFBA está fisicamente sucateada: que passemos a fazer um orçamento de acordo com as nossas necessidades e não respeitando os parâmetros técnicos de distribuição elaborados pelos ideólogos do neoliberalismo.

Considerando que os pontos alinhados acima tendem a constituir o conteúdo principal de uma agenda definida, então podemos integrá-los num Programa de Trabalho, cuja prerrogativa de executá-lo estará em disputa no processo eleitoral em curso.

Não acostumados a essa prática, tendemos a indagar: sim, se já sabemos de antemão o trabalho a ser realizado, o que resta de motivação para a discussão eleitoral? Muita coisa: os aperfeiçoamentos naturais e a concepção coletiva do programa propriamente dito e, sobretudo, o plano gerencial para executá-lo – todos os meios e as formas de operacionalizá-lo. Nesse ponto, residem todas as nossas dificuldades de fazer as coisas como elas devem ser feitas e que a vulgaridade dos ideólogos do neoliberalismo (e seguidores outros pouco ingênuos) denomina de problemas de gestão! A falta de clareza sobre onde se quer chegar (com PROJETO UFBA), bem como o conteúdo do plano de trabalho e como este será executado têm facilitado a substituição de decisões colegiadas e descentralizadas por decisões hierarquizadas, centralizadas e monocráticas – dando lugar a relações tensas, conflituosas e onerosas! Tais elementos determinam e caracterizam a política pública estatal como parcial, desintegrada e inconclusa, como bem ilustram os projetos universitários, nas últimas décadas.

Apesar de tudo isso, a mistura ainda não está completa; para as circunstâncias que vivemos, falta considerar uma questão providencial: O Expediente – que é dado pelo tempo de trabalho e o grau de comprometimento da força trabalho em atividade dentro da Universidade. A inexistência de um Projeto – em todos os níveis hierárquicos e setores do Estado brasileiro, inclusive na UFBA – e a consequente falta de responsabilização dos respectivos dirigentes públicos por esse delito gestionário – estão nos levando ao total descompromisso profissional e social da força de trabalho atuante no Estado!  Esse é um problema que deve ser levado muito a sério. Do contrário, todas as nossas intenções – por mais progressistas e legitimadas que estejam – serão vãs e os problemas de gestão, novamente, aparecerão responsabilizados como os vilões!

No nosso modo de ver, aqui ficam alinhados os principais conectivos para engatar um processo em que todos possam pensar e agir simultaneamente para transformar a UFBA. Como isso será possível? Bem, só o exercício da prática nos ensinará – e a um custo bem mais baixo do que o custo de todas as práticas já experimentadas até aqui.

Salvador, 17/02/2014.

Em nome do Grupo:

Prof. Dr. Reginaldo Souza Santos – EAUFBA
Prof. José Murilo Baptista Philigret – Faculdade de Economia.

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