Antigos e novos Carnavais

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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elo que há de registro, a humanidade sempre gostou de festejar alguma coisa: das festas egípcias em homenagem a Ísis e ao boi Ápis até as bacanais romanas e muito além delas. Seja para agradecer aos deuses pela colheita farta, seja como pretexto para tomar umas gororobas que ninguém é de ferro…

O fato é que muitos anos se passaram entre o primeiro Carnaval inventado talvez pelos  gregos, até ser apropriado e reelaborado pelos cristãos, já na Idade Média. Mais tempo ainda se passou para que na Bahia surgissem as primeiras inocentes caretinhas: “careta malagueta tira a chave da gaveta pra comer farinha seca”.

Nas últimas década, entretanto, o Carnaval se expandiu muito, a partir do momento em que o capital vislumbrou a possibilidade de faturar horrores com a festa. Na Bahia, a tímida fobica do pau elétrico transformou-se numa mega nave de potência sonora nunca vista antes. Os modestos banquinhos de madeira colocados pelas famílias ao longo dos logradouros públicos consagrados para os festejos carnavalescos, como que tocados pelo rei Midas, da noite para o dia viraram suntuosos camarotes metálicos, de acesso  apenas para deuses olimpianos e cobrados a peso de ouro…

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Outra grande invenção dos magnatas do solo baiano foram os chamados  blocos carnavalescos. Neles, as singelas “mortalhas” deram lugar aos cobiçados “abadás”, vendidos também a peso de ouro. A cotação alta de cada peça acabou por fazer surgir os larápios de abadás, o que obrigou, por sua vez, o Estado destacar forças policiais para proteger os locais de venda e de recebimento.  Também, com o surgimento dos blocos, ocorreu a privatização desmesurada do espaço público. De repente, o espaço privê teve a necessidade de contratar a força bruta de cordeiros ou seguradores de cordas – a preço de banana, ou menos! –  para isolar o público do privado. Presumido-se sempre segurança e conforto para os foliões que pudessem pagar.

A mídia, agora, alardeia que a generosidade desse ou daquele artista, com o apoio das autoridades mandatárias, aboliu as cordas, em benefícios dos foliões “pipoca”.

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Há os que odeiam o Carnaval. Há os que o amam de paixão. Há os que preferem o meio termo: nem tanto nem tão puco. Há os indiferentes. Há os saudosistas que cantam loas aos carnavais passados e que até guardam em livros ou porta-joias pequenos picotes de papel, os confetes, e que os chamam de “pedacinhos coloridos de saudade”.

Há quem veja no Carnaval uma oportunidade para extravasar, para “soltar a franga”, para se divertir um pouco ou para a realização da catarse: “a vida é tão dura, né?”

Há quem veja a ocasião propícia para ganhar um dinheirinho com a venda de água mineral ou para faturar horrores direta ou indiretamente. No primeiro caso da exorbitância, com o patrocínio do governo; no segundo, com o marketing, que é a alma do negócio. Considerando ainda a possibilidade de ambas as coisas.

O reinado momesmo possibilta, pois, que múltiplos “apetites” se manifestem. Para o bem ou para o mal.

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Ainda nesse espírito de Momo comandando a vida por essas bandas de cá, postamos um texto de autor não identificado que está circulando nas redes sociais. Vale a pena conferi-lo:

Jamais vou entender este fenômeno chamado, Carnaval.

Um povo sofrido, roubado, explorado, muitas vezes sem perspectivas, de uma hora pra outra, explode numa alegria sem motivo…sem limites, sem pudor.
Homens que até  sexta feira, trabalharam de terno e gravata, no sábado vão para as ruas, maquiados, vestidos de mulher, sutien por cima de peitos peludos, braços  e pernas cabeludas, numa imitação  grotesca e sem sentido do sexo feminino. Mulheres que se matam em trabalhos, muitas vezes degradantes e mal remunerados…sofrem nas filas de hospitais e creches, aparecem na passarela, cobertas de brilho e rebolando, como se não  houvesse o amanhã.
Os canalhas no poder,  adoram esta orgia sem sentido, porque pelo menos por alguns  dias, o povo está  olhando pro outro lado, enquanto eles continuam sugando cada gota de sangue e cada centavo que puderem roubar.
As ruas estão  tomadas de foliões urrando de alegria…e eu me pergunto: VOCÊ  ESTÁ  ALEGRE PORQUÊ, OTÁRIO ??? Sua vida melhorou de ontem pra hoje? Seu salário  aumentou? Seu filho entrou numa boa escola? Se você  cair de um trio elétrico  e quebrar a cabeça, vão  te levar para um bom hospital? Você terá  água em casa, pra tomar banho, quando voltar da gandaia?

Então  me explica, seu trouxa…TÁ RINDO DE QUE??? Você  irá pra rua com esta mesma vontade, pra protestar contra esta roubalheira absurda, que está  destruindo nosso país?Por estas e outras que os governantes adoram Carnaval e eu jamais vou entender porque nosso povo é  tão  alienado.

FELIZ CARNAVAL, MANÉ!!!

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Os velhos Carnavais de mil novecentos e antigamente. Fonte da foto: (AQUI).

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