Ayrton Senna e o Racismo

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AYRTON-SENA.

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Francisco Santana
Prof. Aposentado da UFBA

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E.

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nquanto se vende a ideia do combate do racismo no varejo, as elites emplacam o racismo no atacado, vendendo o nome de Airton Sena, filho da elite branca, como o herói de um povo predominantemente mulato.

Criticam as declarações de Ronaldo, Pelé etc., mas as atitudes e declarações de Ayrton Senna, Piquet e Fittipaldi foram mil vezes piores com relação ao boicote ao apartheid da África do Sul

Vejam a vergonha que Ayrton Senna fez o Brasil e todo o povo brasileiro passar:

Quando todos saíram perdendo

Admito que me surpreendi com o cancelamento do GP do Bahrein de Fórmula 1. Ainda que todos os motivos mais sensatos do mundo apontassem para a não-realização da prova barenita, é sabido que negócios nem sempre combinam com sensatez. Ainda mais quando ingredientes políticos estão no recheio.. Há pouco mais de 25 anos, na África do Sul, foi exatamente assim. A Fórmula 1 não deveria ter sequer colocado os pés no país naquele outubro de 1985. Mas não só o fez como realizou uma corrida, contrariando apelos de todo o mundo.

A África do Sul vivia um dos momentos mais sangrentos do Apartheid, regime repressor que segregava a maioria negra da população. Repudiado pela comunidade internacional, o país sofria boicotes políticos e embargos comerciais da ONU. Os embargos também atingiam o campo esportivo. Ainda nos anos 70, a FIFA baniu a África do Sul de competições de futebol, o COI proibiu o país de disputar os Jogos Olímpicos e mesmo o rúgbi e o críquete, esportes mais populares do país, também não podiam mais participar de competições internacionais. Mas, ainda assim, a Fórmula 1 continuava realizando sua corrida por lá, anualmente.

Normalmente programada para o começo do calendário, em 1985 foi diferente. A corrida foi agendada para outubro, como penúltima etapa do campeonato. E sofreu uma infeliz coincidência. Para a sexta-feira, véspera do GP, estava marcada a execução de Benjamin Moloise, poeta militante do Congresso Nacional Africano, partido tornado clandestino cujo presidente de honra era Nelson Mandela. O regime do Apartheid condenava e executava mais de 60 negros por ano no país, todos acusados de crimes políticos. Moloise era um deles. Apelos vinham de todas as partes. A comunidade internacional fez esforços para evitar a execução do condenado, algo similar ao ocorrido ano passado com Sakineh Ashtiani, condenada à morte no Irã. Mas tudo em vão.

O local previsto para a execução era a prisão central de Pretória, distante pouco mais de 20km do autódromo de Kyalami. O que reforçava a ideia de que a Fórmula 1, além de não dever correr na África do Sul, estava no lugar errado e na hora errada. A Finlândia fez apelos para que Keke Rosberg não disputasse a prova. O governo italiano pediu que suas equipes e pilotos boicotassem a corrida. A RAI, TV estatal da Itália, cancelou a transmissão pela televisão. A França fez o mesmo apelo e foi a única nação parcialmente atendida. As equipes Renault e Ligier não viajaram ao país, mas os pilotos franceses foram para Kyalami normalmente. Alain Prost chegou a prometer que, em protesto, não subiria ao pódio, o que acabou não cumprindo.

No Brasil, as pressões também foram imensas. Dois meses antes, em agosto, o presidente José Sarney havia assinado um decreto proibindo a todos os cidadãos brasileiros o intercâmbio esportivo, artístico e cultural com a África do Sul. Como brasileiros, Ayrton Senna e Nelson Piquet não poderiam participar da corrida e teriam seus vistos de saída negados caso embarcassem do Brasil. Como estavam na Europa, viajaram sem problemas para Kyalami, ainda que tenham recebido uma carta da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados pedindo a “deserção”. O Ministério das Relações Exteriores enviou telegrama à CBA solicitando interferência junto à FIA para a não-realização da corrida. O ministro da época, Olavo Setúbal, fez um pedido pessoal a Jean-Marie Balestre. E foi ignorado.

Como também ignoraram os pedidos os pilotos brasileiros. Senna disse: “Não tem problema. Faço o meu trabalho, que é pilotar um carro para uma equipe inglesa”. Piquet deu ainda mais de ombros: “Essa história de que fui pressionado é invenção de um jornalista”. E Emerson Fittipaldi, que já estava na Indy, deu sua opinião à Folha de São Paulo: “Está muito certo [o acontecimento da corrida]. Esporte e política são coisas diferentes”.

E assim, enquanto Moloise era executado e a África do Sul entrava em convulsão social, com negros agredindo brancos nas ruas, quebrando vidraças, brigando e tomando tiros da polícia e colocando fogo em barricadas, a Fórmula 1, superficial, alienada e indiferente, ligava seus motores. Mas as pressões surtiram algum efeito, ainda que tardio. A FIA aderiu ao boicote ao país e só voltou a levar a Fórmula 1 novamente para lá em 1992, com o fim do Apartheid e dos embargos, dois anos após a libertação de Mandela, que seria eleito presidente em 1994.

http://blogdocapelli.warmup.com.br/2011/02/quando-todos-sairam-perdendo/

E quando morre, esse alienado das elites, é por unanimidade aceito como herói de um país de população predominantemente mulata. Evidentemente houve exceções com críticas, mas publicada na imprensa só me lembro de uma, um artigo do Prof. Luís Mott, publicado na Tribuna de Imprensa, contra o culto de Ayrton Senna, mas por outras razões.

Mas não satisfeitas, as elites, aproveitando o 20º aniversário da morte de Ayrton Senna, impõem outra derrota à cultura humanística e à cultura afro-brasileira. Desta vez foi na Sapucaí.

A Salgueiro fez um lindo enredo, “GAIA A VIDA EM NOSSAS MÃOS”. Uma ode á vida, á terra (Gaia), um hino humanista e ecológico e homenagem à África onde nasceu a humanidade, usando a mitologia yorubá, misturada com mitologias greco-romanas e outros conceitos da antiguidade, como os dos três elementos primordiais. As cores e fantasias outro deslumbramento, não só vivas e belas como lembrando a cultura africana.

O samba-enredo “Meu Samba vai tocar seu coração” foi cantando a plenos pulmões pelos 4.100 componentes salgueirenses e pelo coro de aproximadamente 73 mil expectadores que ecoavam o som da Academia.

Mas aí as elites respondem com o que há de pior das invenções humanas; o carro de corrida; a exacerbação do pior símbolo de nossos problemas: engarrafamentos, poluição gasosa, poluição sonora, poluição ambiental (pneus velhos, óleos e mil e um produtos não degradáveis), guerras genocidas pelo monopólio do petróleo etc.

Um apelo ao irracional, ao consumismo e desperdício, o oposto de, “GAIA A VIDA EM NOSSAS MÃOS”

Compare o título do samba enredo desta, Acelera, Tijuca  com o da Salgueiro, “Meu Samba vai tocar seu coração”. Num a competição selvagem, noutro, um apelo à razão.  Vejam as letras nos links abaixo.

http://www.vagalume.com.br/salgueiro/samba-enredo-2014.html

http://letras.mus.br/unidos-da-tijuca-rj/samba-enredo-2014/

As alegorias não se comparam. Enquanto a salgueiro exibe com sucesso a origem dos três elementos, da terra e e a diversidade de orixás,  a unidos da Tijuca exibe em seu carro principal personagens de história de quadrinhos americana; um dos quadrinhos mais reacionários e alienados, que deveria ser proibido para crianças; nele se exalta violência misturada com a trapaça e um dos personagens é o Barão Vermelho, ou seja o Barão Von Christophen que deu nome a esquadrilha de elite nazista cujo padrinho era Göring.

Alguém poderá dizer que a culpa é do processo de julgamento que ao invés de ser holístico é segmentado. Não é verdade, os segmentos foram tendenciosos.

Procurem os vídeos dos desfiles das duas e assistam e verão que estou coberto de razão.

E assim a grife Ayrton Senna é usada para mais uma afronta ao povo brasileiro.

 

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Uma resposta to “Ayrton Senna e o Racismo”

  1. Dragão Says:

    Não há limites para estupidez e maucaratismo esquerdistas…

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