Castelo de cartas

.

PEDALADA DILMA TEMER 2016

.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

.

as.

.

impressão que me deu a postagem do insigne Prof. Waldomiro da Silva Filho (FFCH/UFBA), é que ela foi escrita, ou melhor, pintada com as tintas sombrias e saudosas, próprias de quem está longe da pátria, portanto, com paletas carregas de tons melancólicos. O poeta romântico Gonçalves Dias não sofreu menos no seu auto-exílio…

Essa foi a minha primeira leitura que fiz. A segunda, foi a de que ele está no rol dos

Gonçalves_dias

Gonçalves Dias

apaixonados pelo governo Lula.

Quanto à segunda impressão que tive, não entrarei no mérito. Recentemente escrevi que “quem gosta, gosta”. Já o Saci, sofistica mais a coisa:

– É mais ou menos, chefia, como o filósofo Kant pensava acerca do belo: é o que agrada universalmente, sem relação com qualquer conceito.

Respeito o ponto de vista do colega, e não mais me alongarei em comentar a sua preferência.

No que diz respeito, porém, a um visível desalento do colega por julgar que a faixa presidencial já é líquida e certa de Michel Temer, vice de Dilma, há controvérsias.

Há quem diga que a solução do problema criado não é tão simples como alguns podem imaginar: cai presidente, logo o vice assume… Se o vice Temer foi eleito na chapa da presidente Dilma, significa dizer que, se ela “pedalou” para se beneficiar – ou se isso ficar constatado/interpretado por quem de direito, frise-se bem -, ele também se beneficiou em consequência das pedaladas da presidente. Ou pegou carona na sua bike vermelhina, tanto faz. Portanto, a sua permanência à frente do executivo federal, trocando seis por meia dúzia, não teria o menor cabimento. Pelo menos segundo a lógica do meu amigo de gorro vermelho e pito, à qual sigo… Oxalá os doutos da Lei também pensem de forma análoga ao pilantrinha.

O que eu quero dizer com isso é que talvez o colega esteja sofrendo de maneira antecipada. Como intelectual ativo que é, talvez esteja jogando a toalha antes do soar da campainha. Também eu sofreria do mesmo modo que o Prof. Waldomiro, se houvesse golpe ou se Temer assumisse. Quanto à hipótese de Eduardo Cunha vestir a faixa, ainda que por um breve tempo, creio que seria mais fácil eu ganhar na loteria sem jogar. Do mesmo modo, eu sofreria se soubesse, mais tarde, que a história das pedaladas foi – de verdade!- artifício da oposição tucano-pmdebista-empresarial para defenestrar a presidente Dilma Rousseff do Palácio do Planalto. Ainda que reconhecendo todos os malefícios que atingiram o trabalhador brasileiro nos últimos 13 anos. Sempre o 13!

Não comungo com a fleuma do Saci quando o meu piedoso amigo tenta me confortar dizendo que daqui a dez anos teremos clareza de como o problema que nos flige hoje foi resolvido. Creio que podemos antecipar na mente algumas jogadas que estejam no horizonte da “regra do jogo”, como a realização, num tempo próximo, de eleição presidencial, de uma constituinte, de uma reforma política, entre outras soluções provisórias cabíveis. Aliás, na lista de discussão “debates-l”, dos docentes da UFBA, os professores Marco Palacio (FACOM) e Tavares-Neto (FAMED), já ensaiaram alguns desses exercícios mentais.

.

Poesia_Gonçálves_Dias.JPG

 


 

 

Prezados,

Boas (excelentes) notícias para muitos.
A Comissão de Impedimento no Congresso, no exercício do mais nobre espírito cívico e em atenção às letras da nossa Constituição, irá recomendar o afastamento da petralha Dilma. O relatório, lavrado por deputado do grupo politico de magnânimo Eduardo Cunha, expressará, de modo objetivo e neutro, um argumento exclusivamente técnico sem qualquer viés político.
O rito se completará com a decisão patriótica, grandiosa, democrática, pelo impedimento de Dilmafiosa.
Assumirá a presidência uma das mais importantes e honradas personalidades políticas do país, Temer – único homem realmente capaz de unir a Nação num pacto de governabilidade pautada do bem público e na defesa da democracia. Homem que não se dobrará aos interesses espúrios de grupos partidários e empresariais (como fora assolado o Brasil durante a nefasta administração petralha).
Temer criará uma agenda com todos os partidos e, finalmente, promoverá as condições para que a Operação Lava Jato se encerre imediatamente para que questões menores não atrapalhem a governabilidade e o humor dos mercados. “Não podemos perder tempo”, dirá o líder.
Êxtase. Até o final de abril, o líder maior dos petralhas, Lula da Silva, será preso, dando por encerrado o pior ciclo político-econômico-social da história do Brasil. As provas concretas dos seus crimes não serão encontradas, mas as reportagens idôneas e objetivas da Globo aliadas à precisão, honestidade, perícia jurídica, taumaturgia e beleza do juiz Moro serão bastantes para sacramentar a libertação dos 14 anos de escravidão que vivemos.
Executados o impedimento de Dilma e prisão de Lula, o país ingressará num ciclo de progresso, paz, honestidade e doçura jamais vistos por uma nação abaixo do Equador. Os injustiçados empresários, vítimas do vampirismo petista, voltarão ao seu duro e honesto trabalho para construir uma nação; os que estavam presos serão libertados e os que estavam sendo investigados voltarão a dormir em paz, pois, afinal, o grande mal foi destruído e não há mais porque criar dificuldades para o progresso. A cota da propina voltará aos patamares razoáveis de apenas 15%.
Haverá uma renovação muito fofa no cenário político: os antigos políticos se converterão em paladinos do bem público e novos líderes surgirão, qual flores que brotam onde havia um pântano.
A Reforma Política não precisará ser implementada, pois ocorreu o mais importante: uma mudança no espírito da classe política. Todos os partidos, inclusive, adotarão o mesmo lema: “Ordem e Progresso”. Há algo mais relevante?
Para 2018, a nação revigorada, abençoada, recriada como uma Fênix, levará ao altar – que fora maculado pelo petismo – um santo, talvez Aécio (homem incrível que sobreviveu a 5 denúncias da Lava Jato sem qualquer arranhão), Serra (impávido colosso) ou ele,  o espelho das próximas gerações, o dom feito homem, o reto, o bravo, o intrépido, o porreta – estou emocionado e já me faltam palavras -, sim, Moro (quem mais?). Sua candidatura será anunciada no Fantástico e a nação se abraçará num pranto de regozijo. Cumprir-se-á nosso destino.
Onde havia só escuridão, luz; onde havia só lama, pureza; onde havia Madureira, Nova York. No mais, um chororô infindável de almas pequenas, cegas, ingênuas, que um dia acreditaram que dar esmolas a pobres e vagabundos seria suficiente para criar uma hegemonia de 40 gerações.
Amém,
Waldomiro

.

CIRCULOU NA “debates-l”:


Prof. Tavares,

Uma constituinte específica para reforma política exigida pelo povo seria uma excelente saída. Seria ótimo, se essa fosse uma bandeira, dentre as muitas levantadas no último protesto, mas não me pareceu ser o caso.

Temo que, uma vez conseguida a consigna central (“Fora Dilma”), o movimento de rua reflua a zero, até porque não será mais incentivado/insuflado (como foi à exaustão, antes do domingo) pela imprensa e por setores produtivos (como a FIESP) interessados apenas em ter uma cúpula mais “amigável” a seus anseios….

abraço

Marcos Palacio


Só vejo nova Constituite como saída, exigida pelo Povo.

Saudações acadêmicas,

José Tavares-Neto


Prof. Tavares, 

A estas alturas, uma eleição geral talvez fosse um menor mal. Mas infelizmente mesmo assim não acredito em grandes mudanças. Voltariam 90% dos abutres, dos “evangélicos”, dos ruralistas, dos porcos chauvinistas em geral.

Precisaríamos de uma reforma política. Mas como fazê-la? Como já vimos, certamente não será feita pelas raposas que tomam conta do galinheiro. Uma Constituinte específica? Já foi proposta, mas a ideia não prosperou….

Saudações,

Marcos Palacios


Prof. Marcos Palacios.

Nem PMDB, nem PT, nem PSDB, e nem os nanicos, precisamos é de séria e responsável reforma política, com eleições gerais.

José Tavares-Neto

Anúncios

3 Respostas to “Castelo de cartas”

  1. osaciperere Says:

    Confira o que diz a Constituição Federal:
    ——————————————–

    Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente.
    ……………
    Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.

    Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.

  2. osaciperere Says:

    Confira também A LEI Nº 1.079, DE 10 DE ABRIL DE 1950:
    ———————————————————————————–

    Que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento:

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l1079.htm

  3. osaciperere Says:

    Ainda sobre o afastamento do vice:
    ————————————–

    Caso haja o entendimento por quem de direito, de que Michel Temer não pode
    ocupar o cargo, quem o assumirá temporariamente é o presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Supremo Tribunal Federal, nesta ordem, conforme visto acima no artigo 80 da Constituição Federal…

    Como ainda estamos na primeira metade do segundo mandato, caso Temer seja afastado, serão convocadas novas eleições.

    Salvo melhor juízo! (S.M.J.)
    ————————————

    Há de se perguntar: Eduardo Cunha poderá assumir no lugar de Temer? Caso a resposta seja negativa, Renan Calheiros estará apto?

    Perguntas para os universitários e doutos no saber jurídico.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: