CUT diz NÃO à Marcha a Brasília

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA
Salvador, 10/04/13

N.

ão é fácil ficar do lado do governo que aí está. Principalmente para quem quer manter a coerência. A CUT se vê numa situação dessa. De uma lado, reconhece, nas entrelinhas, que há dez anos o trabalhador vem sido ferrado e aferrado. No tempo que o síndico do Palácio do Planalto era FHC, era bem mais fácil. Bastava ir às ruas fazer os justíssimos protesto. O governo tucano dava carradas de motivo. A partir do momento em que Lula assumiu, e resolveu seguir as pegadas do sociólogo para saciar o insaciável apetite do capital, a coisa mudou de figura. Se por um lado tem que levantar algumas bandeiras para levar o trabalhador na gaiva, já que sua opção é hegemonicamente pró-governo, que se tornou generoso com as lideranças (vide Marinho et caterva), por outro, enverga o pomposo nome de “Central Única dos Trabalhadores”.

Conforme me relatou o Saci, a CUT “fugiu do pau”. Não vai querer levantar bandeiras e palavras de ordem contra a tal “Reforma da Previdência” que apoiou, cuja movimentação da grana em busca de apoiadores desaguou no famigerado “Mensalão” que todos conhecem.

Só restaram desculpas esfarrapadas, como se lê na nota que soltou para os sindicatos :

[…] Assim, a CSP-Conlutas e outras entidades, que não participaram da marcha de 6 de março, apesar desta ter levantado muitas das bandeiras que dizem defender, preferem fazer coro com aqueles que jogam na “judicialização” da ação política e sindical, buscando apoiar-se no julgamento de “exceção” do STF da Ação Penal 470 (“mensalão”) para pedir, ao próprio STF, a “ anulação da reforma da Previdência”,  sem esconder objetivos meramente político-partidários. E o fazem em detrimento dos reais interesses dos trabalhadores no momento de campanha salarial, tirando o foco da pauta de reivindicação e alimentando falsa expectativa que vamos conquistar direitos através do STF.  A CUT, que sempre combateu as reformas redutoras de direitos, inclusive as da Previdência, nunca precisou do STF para fazê-lo! […] (Vide Circ. EE 05015096611/SG/2013).

Imediatamente a Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) esclareceu a retórica pífia com outra nota:

[…] Não podemos falar por todas as entidades que estão organizando a marcha, muitas delas, inclusive, filiadas à CUT. Mas não podemos deixar de externar uma opinião da CSP-Conlutas acerca desta nota. Uma opinião breve, pois ao contrário do que diz a nota dos companheiros, não estamos envolvidos em uma disputa com a CUT. O que estamos fazendo, e é isto que queremos continuar a fazer, é buscando unir todos os setores da nossa classe que queiram lutar em defesa de suas reivindicações para, justamente, fortalecer esta luta. Uma simples leitura do manifesto de convocação da marcha e da plataforma política unitária da mesma não vai deixar lugar a dúvidas (www.cspconlutas.org.br).

A luta pela anulação da reforma da previdência de 2003 – que foi aprovada na base da compra de votos de deputados e senadores no Congresso Nacional – não tem, em nossa opinião, objetivo “meramente político-partidário”. Trata-se da defesa dos direitos dos cerca de 8 milhões de servidores públicos brasileiros que foram surrupiados com esta reforma. Servidores, aliás, cuja ampla maioria é representada por sindicatos filiados à CUT. […]

Para os mais atentos, fica esclarecido o empenho de alguns professores da UFBA – inclusive que se dizem oposição à direção pelega da APUB proificista -, em demonizar a palavra “judicialização”.

Respeitando os cutistas sérios (e por que não dizer, trambém, ingênuos?) que não sabem ainda como resolver as profundas contradição plantadas a partir do governo Lula, estar na CUT, hoje, é tropeçar na coerência… S.M.J.

Sem sombra de dúvida, é fundamental a educação política e o exercício da reflexão crítica. Agora, que a nossa entidade sindical vegeta, mais do que nunca. Só assim podemos gritar em alto e bom som:

Todo poder ao trabalhador!

Uma resposta to “CUT diz NÃO à Marcha a Brasília”

  1. osaciperere Says:

    A CUT faz o possível para justificar o injustidicável. Ela não quer e
    não pode se envolver em manifestações pela revogação da “Reforma da Previdência”, lesiva a mais de oito milhões de servidores públicos.

    A nota de “esclarecimento” que ela divulgou, de alguma forma, explica o porquê de alguns professores – que se dizem oposição à direção atual da Apub proificista -, implicarem tanto com o expediente da “juridicialização”. Inclusive esses professores exerceram alguma liderança na época da greve. O tal movimento de “amarelar”, durante a última greve dos professores da UFBA, partiu desse “fogo amigo”…

    Também ficam patentes os percalços para a formação de uma autêntica oposição na UFBA…

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