Uma neoescravidão na UFBA?

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Rugendas 2015.

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R.

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ecebemos da Profa. Sandra Marinho (FACED/UFBA) a seguinte mensagem:

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Menandro.
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Por favor noticie no blog do Saci a brutal exploração dos terceirizados da UFBA. Os atrasos dos pagamentos dos trabalhadores  terceirizados das empresas Líder,  agentes de portaria da Faced e dos trabalhadores da Tectenge e das demais empresas prestadoras de serviço. Temos que avançar na luta e denunciar os impactos dos cortes orçamentários no funcionamento da UFBA e na vida dos trabalhadores terceirizados que não podem assumir o ônus da crise.  Quem trabalha necessariamente tem que receber seus proventos.
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Sábado, dia 11/07, na Faced, foi realizado um cine debate com o filme Pão e Rosas, de Ken Loach. Na ocasião, um dos terceirizados presente noticiou a situação de um trabalhador da Tectenge que tinha infartado nesta semana e estava numa difícil situação. Entre eles fizeram uma campanha de solidariedade em que recolheram alguns trocados, entre 0,50 centavos e R$1,00, para ajudar a família. Após o cine debate, alguns encaminhamentos foram feitos no sentido do fortalecimento da luta.
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À tarde, fomos surpreendidos com a noticia da morte deste trabalhador que estava à espera de um leito e não conseguiu sobreviver ao infarto. Os colegas avaliam que a situação vivida por ele e sua família foi um dos elementos motivadores deste infarto.
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Seu Manuel exercia a função de carpinteiro e trabalhava na base do Vale do Canela. Sabemos que vários trabalhadores morrem, principalmente os que conformam um verdadeiro exército silencioso, vulnerável, vilipendiado em seus direitos. Que esse exercito silencioso se levante, conheça sua importância histórica na sociedade. Que a morte deste trabalhador invisibilizado pela sociedade não seja em vão na luta dos terceirizados da UFBA.
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A terceirização escraviza, humilha e divide!
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Quero compartilhar com vocês uma citação de Trotsky para entender este momento.
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“Aqueles que lutam com mais energia e persistência pelo novo são os que mais sofreram com o velho”.

3 Respostas to “Uma neoescravidão na UFBA?”

  1. Sandra Marinho Siqueira Says:

    A terceirização, portanto, anula e deforma direitos. A subcontratação foi uma maneira encontrada pelos exploradores para burlar a legislação trabalhista e desproteger os explorados de antigas conquistas. A insegurança do trabalhador, em poder ser dispensado a qualquer momento, leva adoecimentos cada vez mais frequentes e o medo é mais um obstaculo à organização. A terceirização envolve além do ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários, o ataque as liberdades democráticas. afeta decisivamente a possibilidade de liberdade de expressão e organização. Levam à maior sujeição á exploração capitalista do trabalho e maior empobrecimento absoluto e relativo da família dos assalariados.

  2. J. Tavares-Neto Says:

    Ao Amigo do Saci,

    Sou contra alguns tipos de modismo, ou de despertar tardio! Enquanto estive membro do CONSUNI, de 2003 a 2011, em algumas ocasiões foi denunciada, pela representação da FMB-UFBA, a lastimável situação das pessoas com vínculo terceirizado, mas não tenho lembrança de nenhum apoio, alguma providência, etc. Em 2009, os frequentes atrasos nos salários, não pagamento de direitos e uma farda da empresa de terceirização do setor de higienização ofensivo à dignidade humana, motivaram denúncia da direção da FMB-UFBA ao Ministério Público Federal do Trabalho (MPFT), o qual, após três audiências, determinou Termo de Ajuste de Conduta e esse teve na UFBA impacto zero. Ademais, aos esquecidos lembro a Operação Jaleco Branco da Polícia Federal. Ou seja, a terceirização na UFBA requer ampla investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, sem desviar a atenção da Operação Lava Jato ou do Petrolão.

    Saudações acadêmicas,

    J. Tavares-Neto
    Medicina

  3. Sandra Marinho Siqueira Says:

    Em 2012, na greve histórica das Federais travamos uma luta contra a adesão da UFBA à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), porque representa o avanço da mercantilização e desnacionalização da saúde, além de aprofundar no campo da saúde, o aprofundamento da terceirização, por meio das cooperativas e empresas médicas, que intermedeiam os contratos. Fomos derrotados e a EBSERH foi aprovada.

    Na Faced mantemos uma relação de solidariedade com os terceirizados, embora reconheçamos que temos muito a fazer e quando foi lançada em março de 2015 uma carta pela reitoria propondo às unidades um corte “participativo” em que deveria indicar 25% dos trabalhadores para serem demitidos, a Faced foi a primeira unidade a chamar uma congregação extraordinária para discutir a carta e apresentar uma resposta politica aos cortes propostos pela reitoria. Desde então temos feito ações em defesa dos terceirizados. Ocorre que a Câmara dos Deputados aprovou o PL 4330 (agora, PLC 30/2015), que expressa a expansão sem limites da terceirização para as atividades-fim, o que vai representar a extensão da terceirização a todas as relações trabalhistas, o maior golpe contra os trabalhadores desde a criação da legislação trabalhistas. De nossa parte, temos travado um combate contra a terceirização em defesa das conquistas e direitos trabalhistas..

    Se não houver a constituição de uma frente única de luta do conjunto dos explorados contra a terceirização e os ataques aos direitos e conquistas trabalhistas seremos mais uma vez derrotados. Quando se trata de travar a luta em defesa das conquistas trabalhistas, não há outra saída senão a organização coletiva e a intervenção ativa.

    No caso da terceirização na UFBA, nas ações de greve em Ondina fomos interpelados pelos trabalhadores da Tectenge, solicitando nosso apoio à sua luta. Entendemos que esta greve coloca os três setores da luta (professores, técnico-administrativos e estudantes) diante da realidade da terceirização, que se ampliará ainda mais com a aprovação pelo STF da constitucionalidade das Organizações Sociais (OSs), o que significa defender, apoiar e colocar-se pela organização dos trabalhadores terceirizados.

    Após este contato, participamos de reuniões, de oficinas de cartazes, da participação no 2 de julho, de cine debates e outras ações. Agora, estamos sob o fogo cerrado do governo e dos capitalistas e do congresso reacionário. Todos os assalariados estão sofrendo o bombardeio contra os direitos e conquistas sociais. Nossa resposta deve ser: unidade das lutas para defender os empregos, os salários e os direitos trabalhistas e tantas outras reivindicações. É preciso passar à ação efetiva. Não adianta retóricas e discursos, se na prática não se faz nada contra os ataques. O comodismo só demonstra a impotência, em grande parte fortalecida pelo apodrecimento do PT no governo. De nossa parte, não ficaremos calados diante dos ataques aos terceirizados. Esperamos que os que se colocam pela defesa dos direitos trabalhistas e em defesa dos trabalhadores terceirizados estejam presentes nas reuniões para discutir a questão e encaminhar as lutas.

    Prof. Sandra Marinho
    Faced/Ufba

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