Epistemologias

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epistemologias 2016.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

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Cap-d.

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ecididamente, o juiz Sérgio Moro desperta sentimentos antagônicos: ora é amor, ora ódio. Poucos são os que ficam indiferentes ao meritíssimo, como o Saci, a Vaca Tatá e eu próprio. Independente de entrar no mérito de ele ter ou não o DNA tucano, como dizem por aí, vejo que a sua disputa com Lula descambou para uma malquerença mortal. Talvez o fato de ter  sentido que o ex-presidente estava prestes a lhe escapar das mãos, pelo iminente cheiro de blindagem escancarada no ar, o tenha motivado, no desespero, a liberar as conversas telefônicas grampeadas. Por sinal, nelas os ilustres republicanos envolvidos exercitam um palavreado de sanitário de bordel de quinta categoria… Há quem diga que ele se comportou mais como um caçador do que como um juiz que idealizamos. É possível. Sobretudo, um juiz do estado democrático de direito burguês, formado, conformado e doutrinado no juspositivismo, no direito posto, no direito imposto.

Já ouvi discussões acaloradas semelhantes por ocasião em que Edward Snowden, ex-administrador de sistema da CIA, botou a boca no trombone, publicizando as escutas e visualizações realizadas pelo governo estadunidense. Nem os países aliados, nas pessoas da presidente Dilma Rousseff e da premier alemã Angela Merkel, escaparam. O fato é que, para quem não morre de amores pelos EUA, ele é considerado um herói, enquanto que pelos simpatizantes de Tio Sam é visto como um tremendo traidor, com todos os requisitos para ser condenado à pena de morte.

No caso do juiz Moro, os próprios docentes da UFBA têm tomado partido, conforme venho observando na “debates-l”. Alguns são mais pragmáticos e o escracham de forma econômica, espartana. Outros rebuscam o verbo para “descer a mamona” de forma mais acadêmica, intelectualizada. E ainda outros o prestigiam e o admiram.

Da minha parte, prefiro aguardar o veredicto da História. Tudo o que sei a respeito do juiz Moro, ou é através da “imprensa golpista” ou por meio da vociferação raivosa dos governistas que se sentem injustiçados, e até de não governistas que aderiram aos apupos ao magistrado por razões diversas.

– Quem é o juiz Sérgio Moro? – indaga-me o Saci.

Diante do meu silêncio, ele toma a dianteira.

– Cooptado pelos tucanos? Não sei! Vaidoso temerário? Talvez. Salvador da Pátria? Jamais!

Verdade. Pensei com meus botões. Só o povo brasileiro poderá salvar o país!


 

Seguem duas manifestações distintas de docentes da UFBA a respeito do polêmico magistrado.

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Em 17 de março de 2016 16:38, Waldomiro Jose da Silva Filho <waldojsf@ufba.br> escreveu:

Prezados,

A partir de hoje adotarei a expressão “morismo” para nomear uma nova concepção em Epistemologia. Depois de 2 milênios de doutrinas epistemológicas dogmáticas, empiristas e nacionalistas, eis que no Brasil nasce uma nova e revolucionária teoria da Justificação Epistêmica: o MORISMO ou MORONISMO.

Por “morismo” estou entendendo uma teoria da justificação epistêmica que parte do seguinte pressuposto:

– Se você não encontrar provas [evidências] de que um certo fenômeno ocorreu isso significa que esse fenômeno ocorreu de fato.

Assim, casos como os do juiz Moro e dos promotores de São Paulo são os melhores exemplos dessa concepção.

CASO 1: se você não encontrou provas de que houve benefício ilícitos por parte da pessoa x, isso significa que essa pessoa, de fato, recebeu tais benefícios ilícitos (e as provas foram devidamente encobertas e/ou destruídas, logo, ato criminoso por si só).

CASO 2: se a pessoa x não falou nada sobre atos ilícitos em conversas que ela  não sabia que estava sendo gravada, isso significa que ela, de fato, fez atos ilícitos e, na verdade, sabia que estava sendo gravada.

Do CASO 1 decorre que toda vez que não forem encontradas provas contra uma pessoa, ela é culpada.

Do CASO 2 decorre que toda vez alguém não disser algo comprometedor, ela fez algo errado.

Isso tudo revolucionará a epistemologia a partir de hoje. Assim, podemos generalizar para uma NOVA TEORIA DA JUSTIFICAÇÃO EPISTÊMICA:

– Se você tem uma crença prévia, mas sem fundamentos e justificações racionais, sempre que, ao final de uma pesquisa/inquérido/investigação, não forem encontradas tais fundamentações e justificações, você está justificado.

– Ou seja, se você não tem razões fundamentadas, você tem razão. Ou, na forma mais curta: se você não tem razão, você tem razão. Isso é apenas GENIAL.

Isso resolverá todos os problemas iniciados por Platão no Teeteto e que os filósofos, até hoje, não conseguiram encontrar uma solução satisfatória.

Waldomiro.

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Para que serve essa verborragia, mesmo? Será resultado do desespero de ver um juiz de primeira instância, no exercício de suas prerrogativas funcionais e constitucionais, defenestrando a máfia que está administrando o país? Felizmente, é o Estado de Direito se impondo. Em breve, o chefe será preso! E lá vem mais verborreia, choros e velas……

[Luis Paulo Guimarães Santo]

 

 

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Uma resposta to “Epistemologias”

  1. osaciperere Says:

    Recebemos em off:
    ——————————

    No momento em que ele passa a agir fora da lei, torna-se tão criminoso quanto aquele a quem pretende julgar. O juiz está inebriado pela fama e pelo rótulo de herói popular dos seguidores tucanos que esquece das regras processuais e passa a agir em um vingancismo de menino mimado que perde o posto quando nasce um irmão.

    Divulgar grampos que se tornaram ilegais pela caducidade da ordem de interceptação só para “queimar o filme” de Lula junto ao STF, que seria o próximo Tribunal competente para julgá-lo demonstrou o estrelismo de um juiz que se tornou parcial e com juízos de valores preestabelecidos, tornando-o impedido de continuar funcionando na causa.

    O judiciário e o ministério público no Brasil formam uma dupla, tipo Batman e Robin, em parceria para “acabar com o mal”. Caminham lado-a-lado , dia-a-dia, incansáveis no anseio de um mundo melhor. Isso não é ótimo?

    Não! Juiz tem que ser equidistante. Não faz parceria nem com acusador nem com acusado. E na prática o que se vê no Brasil é um ministério público que desfruta da cozinha do judiciário e nela faz os piores conchavos.

    A vítima do mp já chega na ação perdendo por 1 X 0.

    Vira um duelo de juiz e mp X Advogado e Sociedade.

    E nos bastidores, a imprensa, comercial, tendenciosa, ávida por um furo de reportagem, um grampo, um laudo pericial em primeira mão… Tudo pela audiência!

    Portanto, ódio! Não a Sérgio Moro. Mas a todos aqueles que se escondem atrás de uma Instituição para promover interesses pessoais, escusos e ilegais.

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