Golpe e contragolpe

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golpe e contragolpe.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

cap h 21.

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á quem diga que os marqueteiros do partido do governo trabalharam duro em cima da palavra “golpe” para sensibilizar alguns universitários e outros tantos militantes… Parece que conseguiram! Vão alegar, se contestados, que a linguagem é polissêmica, que só os humanos constroem metáforas, pois os gatos apenas miam, e o chilrear é próprio dos pássaros etc, etc. Só não vão admitir, para o grande público, embora o saibam, é que para o capital, tanto faz ser gerente da birosca um afrodescendente como Obama, um sociólogo como FHC, um retirante nordestino como Lula ou uma ex-guerrilheira como a presidente Dilma. Contanto que não queiram alterar a ordem burguesa da soberania do 1% sobre os 99% habitantes do Planeta Terra…

Moral da história: Mesmo que o Congresso continue com os 300 picaretas ou mais, conforme mencionou Lula anos atrás, mesmo que os juízes sejam agentes tucanos, mesmo que não tenha havido Mensalão nem Petrolão e o escambau, ainda assim, a democracia que se pôde construir até então, ou o estado de direito burguês, não sofrem riscos de solução de continuidade. Pelo menos, hoje não!

Há quem diga que os poderosos “capos” do Atlântico Norte, capitaneados pelos EUA, estão desgostosos e preocupados com o PT na gerência do país, desde o envolvimento com o BRICS, bloco econômico que arrebata para si cerca de 3 bilhões de almas consumidoras, cuja extensão territorial de seus países-membros, com cerca de 39.000.000 de k² não é para se fazer pouco. Tudo indica que chegaram à conclusão que com a turma tucana seja mais fácil para desfazer a parceria celebrada pelo governo petista e ter melhor acesso às riquezas do Pré-sal, do nióbio, do urânio e do aquífero amazônico, só para citar algumas delas…

Resta indagar sobre as vantagens para o trabalhador brasileiro de o país ter laços mais estreitos com esse ou aquele bloco comercial, se o modo de produção não for alterado. O mesmo, claro, vale perguntar em relação aos trabalhadores dos demais países-membros do BRICS. Se o Estado e o Direito continuarem sendo a armadilha na qual os ditos revolucionários sucumbem, ou exaurem suas melhores energias, o horizonte de o proletariado ser tudo como queria Marx, “Hoje não sou nada; mas [amanhã] tudo serei” –  indo muito além da razão ser “Rosa na cruz do sofrimento presente”, como pensava Hegel -, ainda permanece muito estreito e nebuloso.

Mais uma vez, o nacionalismo se confronta com o internacionalismo para negar o apelo à solidariedade exortada por Marx e Engels: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!

 

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