1407 – Chutando o pau da barraca

reitores.

Chutando-o-pau-da-barraca

Para o Saci, o protagonismo dos dois dirigentes das universidades federais mais antigas na greve das IFES pode contribuir para diminuir o pacote de maldades contra a “Pátria Educadora”…

.Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

O.

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s que asseveram que a “Pátria Educadora” não passa de um mero slogan, apresentam como argumento o fato de o atual titular do MEC, Prof. Renato Janine, acadêmico por excelência, ter sido antecedido pelo ex-ministro Cid Gomes, um político sem nenhuma afinidade com as questões ligadas à Educação. Que o diga a categoria docente do Ceará! Foi o próprio que alardeou pela mídia que “professor não deveria trabalhar por salário, mas por amor”, como prova do seu desrespeito à categoria… Ou seja, a escolha de um ou de outro nome, tanto do político profissional Cid Gomes ou do acadêmico Renato Janine, segundo o Saci, não se deu por critérios avalizadores do nome de um titular com muitas horas de voo na Educação, mas de uma simples contingencialidade, absolutamente fortuita. Felizmente, dessa vez, o ponteiro da roleta parou no nome do Prof. Janine…

De toda forma, sabe-se que o ministro da Educação não apita nada em termos de grana, pois subordina-se à troika brasileira de plantão (Ministério da Fazenda, MPOG e Banco Central) que, por sua vez, conforme o Prof. Francisco Santana (aposentado da UFBA) tem insistido, é controlada pela poderosa chefona Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI.

A reação das IFES em forma de greves que espocam pelo país afora, dos três segmentos universitários, face o pacote de maldades oriundo da reforma ou ajuste fiscal de Levy/Dilma, tem um diferencial de outros movimentos paredistas do passado. É que no último dia 3 de julho tomou posse à reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Prof. Roberto Leher, conhecido crítico das criações lulistas neoliberais disfarçadas, assinadas pelo governo petista qual o Reuni, o Prouni e o Pronatec, entre outras. Diferente dos seus colegas reitores eleitos e  referendados pelo MEC, para o exercício da box 2 Lehermagnificência por quatro ou oito anos, o Prof. Leher já chega destoando dos demais dirigentes. Em vez de se curvar diante do determinismo econômico imposto pela troika brasileira, como tantos o fizeram, ele chega esperneando e denunciando os desatinos do governo para com a Educação. Segundo ele, “a falta de autonomia do Ministério da Educação é uma das grandes causadoras dos problemas das instituições”. Diz ainda que, “para resolver a atual situação da universidade, precisa conversar com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e não com o Roberto Janine, que é o ministro da Educação”. (Fonte: AQUI).

Para engrossar o caldo dos descontentes, também o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) manifesta-se inteiramente solidário e comprometido com a greve da UFBA, inclusive patrocinando importantes eventos no Salão Nobre da Reitoria, com o propósito de discutir com a comunidade baiana os perrengues em que se encontra submersa a universidade que ora dirige, com uma dívida asfixiante de quase 30 milhões de reais, sob a permanente ameaça de ter cortado até o fornecimento de energia elétrica de todas as suas unidades por falta de pagamento.

Para o Saci, a presença desses dois reitores na ANDIFES, ou no CLUREMA (Clube Recreativos dos Magníficos), como escrachadamente ele se refere à Associação dos Dirigentes de Instituições Federais do Ensino Superior, pode ser a mistura de Nitrogênio + Glicerina para formar a explosiva Nitroglicerina, demolidora de barreiras físicas e psicológicas.

Leitor assíduo dos textos do Prof. Leher, o Saci imagina que a atual situação de penúria financeira em que está mergulhada a UFRJ vem produzindo insuportáveis comichões no reitor recentemente empossado. Como ex-dirigente do Andes-SN e autor de inúmeros textos críticos e propositivos para a Educação brasileira, são enormes as expectativas de grandes realizações para o seu reitorado. Pelo menos assim imaginam os seus eleitores e leitores de longa data. Esta é, pois, a oportunidade ímpar que ele tem para por em prática o que durante décadas teorizou de forma, sem dúvida, bastante competente. Mas eis que ele encontra o cenário completamente desfavorável à concretização das suas conjuminâncias teóricas, inclusive de seus projetos submetidos ao crivo de sua comunidade acadêmica, durante a campanha nas eleições para o cargo que ora ocupa, juntamente com sua vice, a Profa. Denise Nascimento.

O mesmo aconteceu – na avaliação do Saci -, com o Prof. João Salles e seu vice, o Prof. Paulo Miguez. O Prof. João Salles, talvez, um pouco mais “comportado” ou “menos insurgente”, do que o Prof. Roberto Leher, dado que a sua biografia não inclui, salvo erro, a militância sindical. Claro que sem nenhum demérito por isso! O Saci até arrisca a compará-los com os irmãos Prometeu e Epimeteu, filhos de Titãs da mitologia grega – já que a Grécia, pós-OXI, está na moda novamente! – designados por Zeus, como conta Platão em “O Protágoras”, para criar os seres mortais – homens, bichos e plantas – do mundo que conhecemos hoje. Só para relembrar, coube a Prometeu (aquele que pensa antes, o pro-ativo), responsabilizar-se pela criação da humanidade; ao passo que Epimeteu (aquele que pensa depois, o reativo), ficou encarregado de produzir tudo o que é animal irracional, bem como os vegetais. Para os desligados, Prometeu foi o mesmo que afanou o fogo de Zeus.

Aqui abro um parêntese para salvaguardar a outra perna do meu amigo de gorro vermelho e pito, antes que algum engraçadinho queira fazer associações impróprias como se ele tivesse dito que um dos titãs é superior ao outro. Insisto: ele nunca quis dizer isso. Tanto Prometeu quanto Epimeteu, para o Saci, foram dotados de extraordinária inteligência. Apenas cumpriram missões divinas específicas inquestionáveis e fim de papo. Sinalizando também que não existe, segundo o pilantrinha, superioridade entre as suas criações. Ambas formam a Biosfera terrestre, esta extraordinária composição sem a qual o Planeta Azul não teria a menor graça…

No fundo, é bem provável que o Saci queira dizer que a longa militância sindical do Prof. Roberto Leher talvez o tenha dado uma visão mais panorâmica da realidade para além de uma ingenuidade acadêmica encoberta por sete véus: “O movimento Todos Pela Educação” – afirma com coragem e ousadia o Prof. Leher –,  “é uma articulação entre grandes grupos econômicos como bancos (Itaú), empreiteiras, setores do agronegócio e da mineração (Vale) e os meios de comunicação que procuram ditar os rumos da educação no Brasil”. (Fonte: AQUI).

Para o Saci, o que o Prof. Roberto Leher já se dava conta de longa data, é possível que só tardiamente – qual a Coruja de Minerva! –, chegou ao conhecimento do Prof. João Salles, justamente quando lhe caiu ao colo a batata quente da robusta dívida da UFBA, enquanto seu dirigente maior e agora responsável por ela. Ou, então, ele tinha conhecimento do rombo, durante a campanha, mas não soube ou não pôde dimensionar-lhe a ordem de grandeza.

O importante, entretanto, é que o Prof. João Salles percebeu a tempo o engodo do slogan da “Pátria Educadora” e bem mais rápido do que agiria Epimeteu tratou de convocar a comunidade da UFBA para a defendê-la. Frase de efeito ou não do seubox 1 Salles discurso de abertura proferido para os presentes no Ato por ele convocado, o certo é que marcou muitos pontos até com os que não foram seus eleitores: “A UFBA não pede socorro, luta!”.

Há quem diga que houve até mais radicalidade nas atitudes do reitor da UFBA, em relação às do reitor da UFRJ, uma vez que, como se sabe, a campanha do Prof. João Salles contou com amplo apoio de parlamentares e figuras ligadas à base de apoio do governo, “esse mesmo que ataca impiedosamente o estômago da Educação”, nas palavras pesarosas do meu entristecido amigo de gorro vermelho e pito.

O certo é que, para a nossa alegria e esperança, o reitor e a comunidade da UFBA estão unidos como poucas vezes ocorreu na história da nossa instituição, considerando quase por unanimidade a justeza da Greve e a pertinência da luta em favor da Educação pública brasileira, de qualidade, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada.

No cabo de força que é a greve, a entrada no movimento paredista de uma universidade cujo reitor está empenhado em sair da ortodoxia dos dirigentes em relação à tradicional submissão dos mesmos ao MEC ou, com o perdão da gíria, disposto a “chutar o pau da barraca”, quem sabe contamine positivamente outras e outras universidades e seus administradores, a ponto de o movimento grevista ter mais visibilidade para o país, inclusive para a chamada grande mídia que constrói e destrói coisas belas, da mesma forma que o capital… Se isso ocorrer, é possível até que o pacote de maldades destinado pelo governo à “Pátria Educadora” seja bem menor do que foi planejado e imposto pelas mãos invisíveis de além mar.

Num mundo de incertezas, em que o PI (tão grego quanto o OXI!) é a maior prova da inexistência das Ciências Exatas, é preciso considerar com atenção, mais e mais, ao menos os elementos que aumentam a probabilidade das ocorrências…

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Z-incerteza

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prometeu-2015

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Uma resposta to “1407 – Chutando o pau da barraca”

  1. altino Says:

    OLÁ,
    complementando, importante que os dirigentes que destacas pautem a Crise no MEC e na CLUREMA enquanto a comunidade poderia mobilizar-se em VIGILIA nas respectivas universidades.
    Destaco também o fato de (finalmente??) a comunidade universitária começar a eleger dirigentes efetivamente comprometidos com a instituição e não meros sabujos dos governos.
    Saudações,
    altino

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