Magníficos não rastejam

.

Magníficos não rastejam

Isto não é um cachimbo, digo, um Magnífico…

.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

S-cap.

.

em dúvida, os diálogos entre os professores Altino Bomfim e Francisco Santana acerca do Congresso que a UFBA irá realizar em junho são por demais pertinentes. As observações feitas pelos dois docentes poderão ser da grande valia para os organizadores do evento. Em resposta ao Prof. Altino, assim se manifestou o Prof. Francisco na “debates-l”:

Para mim, para se começar só precisa se criar um endereço eletrônico devidamente organizado e estruturado tipo, “congressodebates-l” e a definição do formato dos trabalhos ou teses que podem ser enviados para debates. os coletivos e grupos poderão participar como tais sem prejuízo da participação individual.

Tanto o Reitor pode definir já essa organização como o ANDES, ASSUFBA e APUB podem tomar a iniciativa. (Prof. Francisco Santana).

É oportuno perguntar qual a natureza do anunciado Congresso. Imagina-se não ser de caráter “científica”, mas tão-somente político. E se assim o for, o evento “não é do reitor da UFBA, mas “com o reitor da UFBA”.Ou estamos equivocados?

Foi bastante simpático o gesto do dirigente maior da UFBA convocar o Congresso no momento em que as IFES amargam a escassez de recursos advinda da opção política da Pátria Educadora para com a educação, em função do ajuste fiscal. Certamente, o gesto do reitor, Prof. João Carlos Salles, será muito mais largo se ele se limitar a apenas “catalizar” inicialmente as ações da comunidade sem, entretanto, chamar para si, com mão forte, a condução de uma agenda previamente carimbada e sem a participação efetiva da comunidade. Do contrário, não seria a construção de soluções democráticas para a UFBA, mas uma mera conformação perante as determinações altamente questionáveis do executivo federal para com os destinos da educação do país. Infere-se pela fala do reitor, durante o ato realizado no ano passado, no Salão Nobre da Reitoria, em defesa da instituição, que não haverá atitude servil por parte do dirigente: ” A UFBA não pede socorro, luta!”

Os mais otimistas acolheram, desde o início, a proposta do Congresso com olhos esperançosos. De toda forma, sem querer ser pessimista, mas apenas realista, há mais de dois mil anos o filósofo estagirista Aristóteles já dizia que “uma andorinha só não faz verão. De fato, a UFBA só não poderá fazer muito para mudar o que aí está posto. O cenário das IFES é estarrecedor. Já não mais provocam impactos notícias como esta: “Hospital da UFRJ cancela cirurgias após falta de energia parar elevadores“. Vale lembrar que a UFRJ é uma das mais importantes e prestigiadas universidades do país.

Numa publicação de 2015, o Prof. Roberto Leher, reitor da mencionada instituição federal, assim se pronuncia:

[…] Como salienta Ernest Mandel, as novas configurações do capital monopolista provocam mudanças profundas e estruturais nas universidades: os cientistas passam a operar estritamente vinculados ao capital, nos departamentos de pesquisa e desenvolvimento das corporações e em diversos espaços no Estado como proletários qualificados; o contingente de técnicos, engenheiros, administradores mudou de escala, engendrando um processo de massificação sem precedentes nas universidades. […] Os capitalistas exigiram de seu governo uma infraestrutura financiada e efetivada pelo Estado, em especial construção pesada, hidrelétricas, portos, aeroportos, energia, siderurgia, telecomunicações e agricultura. Ao mesmo tempo, contam com a formação de uma força de trabalho qualificada para setores específicos, como indústria de autopeças, naval, de construção civil e negócios, e de uma força de trabalho massificada para distintas áreas de serviços e indústria. As instituições educacionais públicas. particularmente aquelas com alguma tradição em pesquisa, foram ajustadas às demandas do Estado e, mais amplamente, ao capital. A tecnologia operada para ampliar a obtenção de mais-valor no setor industrial, entretanto, permaneceria sob controle das corporações, e não do Estado (*).

É muito bom saber que alguns dirigentes das instituições federais não se submetem, não rastejam diante do governo federal. Suas nomeações para os cargos devem ser pensadas andifes-medalha-16como uma rotina republicana e não como uma dádiva do executivo federal, que somente respeita, em tese,  a vontade dos eleitores de cada comunidade universitária. Nunca é demais lembrar isso para os membros da ANDIFES…

Há de se perguntar como a UFBA se comportará diante dessas declaradas vicissitudes, e quais as suas estratégias de enfrentamento. A foto ao lado está publicada no site da ANDIFES.

 

 

———————
(*) – Roberto Leher, artigo: “Crise universtária, crise do capital”, pp 27-28. Margem Esquerda – ensaios marxistas, n. 25, S.P., Boitempo Edidorial, 2015.

 


EM DEFESA DO PIBID

Enquanto isso, recebemos um relato de uma docente que mostra o quanto o trabalhador ainda precisa caminhar para compreender a importância da solidariedade…

Em defesa do Pibid

.

Gostaria de manifestar que parte de mim, hoje, é felicidade e uma outra parte tristeza:
Feliz, pois, por meio do esforço coletivo das bases, juntamente com a forte intervenção do FORPIBID, conquistamos a revogação do ofício 002, que prevê os cortes dos bolsistas que completarem 24 meses de programa em março.
Triste, pelo ocorrido na nossa manifestação no Campo Grande… Quando a polícia me perguntou quem era o responsável pelo ato, eu respondi, TODOS NÓS; e é assim que penso! Apesar de sermos um grupo extremamente diverso, que possui perspectivas variadas em termos de métodos de expressar a sua insatisfação com as mazelas sociais, não podemos perder de vista que somos um coletivo que luta por uma mesma causa…
… Essa perspectiva do coletivo se perdeu no momento em que entregaram a professora Riomar à polícia, que é um aparelho Ideológico do Estado; lavando as mãos sobre o restante do movimento e partindo em retirada.
 Estou triste sim, pois o que ocorreu hoje foi a expressão máxima do individualismo burguês em meio ao nosso programa.
Solidarizo-me com a professora Riomar que sofreu hoje com a truculência do braço armado do Estado, sendo até ameaçada de prisão.
Por mais diferenças que tenhamos, isso não se faz em um grupo.
Enfim, é isso, encerro aqui a minha fala sobre o assunto!
Sem mais
Bárbara Pinheiro (professora de química)
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: