Memória extra-somática

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trairas.jpgPara o bem ou para o mal, a votação do prosseguimento ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no dia 17/04, posicionou os holofotes da mídia para a Câmara Federal… Acima, um cartaz publicizado “coercitivamente” pela direção da APUB governista, durante a greve dos docentes das IFES, em 2015.

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ualquer criancinha de colo, hoje, já nasce sabendo que não há democracia sem voto, mas sabe também que o voto em si não garante a democracia. Há votos e votos. Voto de cabresto, voto por amizade, voto pela família, foto por grana, voto por um sanduíche de mortadela e um “refri” no dia da eleição, voto por gratidão, voto protesto ou escracho ( vide a eleição do deputado Tiririca, entre outros, da votação na onça Peteleca, em Salvador-BA), voto cartola de futebol, voto rostinho bonito, voto simpatia pela causa, voto gato por lebre, voto autoridade intelectual, voto favor, voto é dando que se recebe, voto ilusão, voto bom gogó etc.

Ninguém duvida da possibilidade de haver o voto consciente, em cima da análise da coerência de vida do candidato, de seus projetos relevantes e exequíveis para o bem da coletividade. Sem essa crença, não haveria a possibilidade da pólis se realizar ou da sociabilidade humana acontecer. Isso tudo é sabido. Mas que a questão é complexa, é. E isso para não falar do risco permanente do voto ser manipulado a partir da fraude eletrônica. Apesar da agilidade no que concerne à apuração do resultado da votação, diferente do Brasil, outros países tidos como desenvolvidos não fizeram ainda o uso da urna eletrônica. Sabe-se lá a razão…

Apesar de todos os percalços para que se chegue à democracia através do voto, ainda que longe da perfeição como gostaríamos que fosse, a fila anda, a Terra gira, e é preciso tocar adiante o processo eleitoral, caindo levantando, caindo, levantando, pois as demandas da pólis não param e precisam de soluções.

E o que temos para o almoço de hoje, ou melhor, qual o cardápio que podemos visualizar para as próximas eleições, além de belas e sedutoras promessas? Nada, além da nossa frágil memória, essa “danada de esquecida” que nem o nome dos últimos candidatos que votamos, via de regra, nos informa.

Mas foi por conta dessa nossa fragilidade mnemônica que surgiram, ao longo de milênios, os desenhos, os dedos amarrados, os nós em cordinhas, além das sofisticadas escritas como a dos sumérios, dos chinesa, dos egípcios, dos fenícios, dos gregos, dos romanos, e por aí vai… Além dos incríveis suportes como a madeira, o osso, a pedra, o metal, a argila, o papiro, couro, o papel, o celuloide e as suas complexas arquiteturas como o livro, o filme, o CD, o DVD, o Blu-ray, o HD, o pendrive, a tela do computador, entre outros, e agora os blogs e ambientes de rede espalhados pela iconosfera do ciberespaço, sempre crescente, constituindo uma extraordinária memória extra-somática, ao alcance de uns poucos cliques…

Com esses artefatos analógico-digitais é possível registrar a atuação dos nossos parlamentares ou políticos de um modo geral, e saber se suas promessas e realizações foram coerentes ou não. Sem choro nem vela.

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Abaixo,  breves registros deste blog acerca de ações parlamentares e de contextos político-partidários:

A Pedagogia das Manifestações

abril 15, 2016

1392 – A consciência revoltada da UFBA

junho 10, 2015

A APUB poupará deputados traidores?

maio 13, 2015

1188 – Minha taça, minha vida…

novembro 5, 2014

O PT baiano e a mulher-bomba

julho 15, 2014

Evolução da corrupção no Brasil

dezembro 3, 2013

797 – O partido do governo é 10…

setembro 4, 2013

– Código Florestal: como votaram os deputados

maio 28, 2011

111 – O Novo Código Florestal

julho 8, 2010

341 – O fim da oposição baiana

junho 4, 2011

303 – Tiro ao Álvaro

maio 12, 2011

301 – O Código Flore$tal

maio 11, 2011

268 – Partido da Motosserra do Brazil

abril 8, 2011


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