Notas sobre o último debate

.

VÍDEO: MANIPULAÇÕES E CONCHAVOS

.

Breves anotações para um futuro
ensaio sobre a política universitária

Menandro Ramos
FACED/UFBA

A.

.

conteceu, afinal, o último e tão esperado festivo Debate entre os reitoráveis da UFBA. Mais uma vez, o Salão Nobre do Palácio da Reitoria ficou lotado. Ruidosamente, os três segmentos da universidade marcaram sua presença. Apesar de ocorrerem momentos de elevação da temperatura dos discursos, tudo ficou tranquilo no final. Aliás, como deve ocorrer num espaço de embates democráticos.

candidatos-16.05

Lamentamos não ter sido providenciado um palmômetro, para medir o entusiasmo das claques, mas tudo indica que o barulho feito por estudantes e trabalhadores técnico-administrativos superou de longe as manifestações docentes, bem mais contidas. Creio que a ordem ruidosa foi essa: o primeiro lugar acabou sendo disputado entre os candidatos João Salles e Dirceu Martins, e, o segundo, entre os reitoráveis Luiz Rogério e Nelson Pretto.

Ainda que se possa ter uma ideia dos concorrentes mais fortes na disputa, ainda assim, o cenário do resultado não está muito nítido. Diferente da eleição passada, não se pode afirmar, com segurança, que exista um laranja no páreo. A depender do instrumento que se utilize para fazer uma previsão de quem sentará na cadeira de Edgard Santos, o resultado poderá ainda ser diferente do que uma leitura superficial induz. Por exemplo, a enquete que utilizamos neste Blog, mostra uma polarização entre o Prof. Nelson Pretto e o Prof. João Salles, com leve vantagem para o primeiro. Levando em consideração que o Colégio Eleitoral da UFBA é de mais de 40 mil eleitores, as votações ocorridas neste Blog revelam muito pouco sobre a situação. Por outro lado, considerando o número de pessoas presentes no Salão Nobre da Reitoria, inclusive de curiosos que não são eleitores, não é possível, da mesma forma, dizer com segurança quem ganha ou quem perde, levando em conta apenas as manifestações efusivas vistas no último Debate.

A conclusão que se chega é que outras variáveis precisam ser consideradas, para afirmar qual a chapa vitoriosa. Mas isso, só se alguém quiser ser comedido nas suas afirmações. Coisa que nem de longe passa pela cabeça do meu amigo de gorro vermelho e pito, tão hiperbólico quanto lhe permite sua única perna!

candidatos-1

***

Numa conversa que tive com o Saci, ele me disse sem titubear:

– Chefia, se o critério para eleger o reitor fosse o de escolher aquele que tivesse mais votos dos políticos do PT e chegados ao governo federal, de longe, mas bem de longe, o Prof. João Salles ganharia essa eleição de goleada. Só espero que os apoiadores não queiram cobrar depois a fatura, como os grandes banqueiros e as grandes construtoras têm cobrado do Palácio do Planalto. A Copa aí para não me deixar mentir.

– É vero, Saci! – falei-lhe – de qualquer forma, tenho o registro, em vídeo, do discurso do titular da Chapa 1, em que o mesmo afirma a sua autonomia sobre os partidos políticos político e sobre o mercado. É bem verdade que, até agora, nenhum candidato foi preso por prometer e não cumprir…

***

Gostei da falas dos vices. Das quatro Chapas, sem exceção. Gostei da firmeza e da delicadezas – ao mesmo tempo -, das candidatas, da Profa. Eliane Benício e da Profa. Sueli Almuiña. Esta última, de quem tive o prazer de ser professor nos anos 80, ao evocar a sabedoria do Mestre Paulo Freire, mostrou que não foi em vão a sua passagem pela Faculdade de Educação…

***

Enquanto eu gravava as falas dos candidatos, alguém me segredou no ouvido que um casal influente de professores da UFBA estava, cada um, com uma “praguinha” de candidatos diferentes. Ou seja, a professora com a Chapa 1 e o professor com a Chapa 2. Pensei: viva a liberdade e viva a democracia! O diabo é que, depois da notícia recebida, fique o tempo todo assoviando a marchinha carnavalesca antiga: “E esse ano meu bem, está combinado, nós vamos votar separados“.

***

Fiquei pensando que o Prof. João Salles é um sujeito de muita sorte. Mesmo se abstendo de votar na ocasião que o Consuni votou a EBSERH, ainda assim, teve o apoio da trabalhadora técnico-administrativa Cássia Virgínia, da ASSUFBA, uma das mais lúcidas críticas das privatizações, inclusive tendo a mesma me concedido uma excelente entrevista sobre o assunto, em vídeo (veja AQUI). Por falar em ASSUFBA, ocorreu-me que essa mesma entidade que apoiou o Prof. Naomar Almeida, durante sua campanha para reitor da UFBA (assim como a APUB apoiou), também deu destaque no seu Informativo para o titular da Chapa 1. Por sinal, no vídeo acima, o titular da Chapa 2 faz uma abordagem sobre as manipulações imagéticas. No mesmo vídeo, o Prof. Pretto fala sobre as duas chapas derrotadas pelo Prof. Naomar Almeida, anos atrás, numa consulta para reitor da UFBA, cujos perdedores foram ele próprio e o Prof. Jaison Andrade, que hoje apoia o Prof. João Salles… Curioso é que, na época, o Prof. Dirceu Martins era seu companheiro de chapa, e hoje tornou-se seu concorrente. Ô mundo que dá voltas!…

docentes-da-ufba

***

Para o Saci, se a APUB, a ASSUFBA e parte do segmento estudantil que apoia o Prof. João Salles apoiou o Prof. Naomar Almeida, significa dizer que o DNA do ex-reitor da UFBA está na coligação esquerda/direita que apoia a Chapa 1. Por coincidência, o ex-presidente Lula contou com igual ecletismo ideológico. O mesmo pode ser dito, sem dificuldade, dos titulares da Chapa 3 e 4, galhos de uma árvore que o Pai da Universidade Nova um dia plantou e regou com entusiasmo. Origem “governista” esta que não impediu – creio que posso dizer, dialeticamente -, que docentes ligados a partidos de esquerda, fortes opositores do PT, apoiassem a chapa do Prof. Dirceu Martins. Justiça seja feita, para o bem ou para o mal, só o Prof. Nelson Pretto escapa da linhagem naomariana. Pelo menos até o presente momento.

***

Teclando

Eu não soube explicar quando me perguntaram se a nobre deputada Alice Portugal compareceu ao Debate como coligada do executivo federal ou se como uma funcionária licenciada e saudosista dos eventos do Salão Nobre da Reitoria da UFBA, que tantas vezes testemunhou seus discursos peremptórios em favor da autonomia universitária. Os seus reiterados manuseios do celular, durante o Debate, estimulou um amigo a aventar a possibilidade de a nobre deputada estar tentando chamar mais alguns colegas para engrossar a claque do candidato da Chapa 1, ou, quem sabe, passar informações a alguém interessado acerca do andamentos da peleja dos reitoráveis…

***

O vice da Chapa 1, Prof. Paulo Miguez, pontuou, com muita propriedade por sinal, que a Cultura é regra e que a Arte é exceção. Talvez, por isso mesmo, segundo o meu amigo de gorro vermelho e pito, a Profa. Joaquina Lacerda, aposentada do IGEO e eterna enamorada das boas causas da UFBA – que durante o Debate brindou o auditório com um pouco da sua rica e fértil produção artística -, tenha ficado magoada com os modos pouco delicados da presidente da APUB para com a engajada aposentada, ao  dirigir os trabalhos do alto de uma cadeira de espaldar avantajado, um tanto à moda dos feitores antigos…

***

Alguém me disse que, além do PT, o Prof. João Salles conta com o apoio de outros partidos. É vero. Mas o que quero investigar agora é se há possibilidade de alguém do PT não apoiá-lo. Soube de voz própria de colegas petistas da FACED que engrossaram a lista dos apoiadores da Chapa 1.

***

Quando o reitorável Luiz Rogério elevou a voz para dizer que os candidatos não precisam do apoio de pessoas de fora da UFBA, muitos desavisados, automaticamente, olharam para a poltrona que até pouco tempo estivera ocupada pela deputada Alice Portugal. Não sabendo eles que a parlamentar, tempos atrás, era servidora da UFBA. Talvez ela nem volte mais para o seu antigo cargo. Talvez. Do ponto de vista financeiro, com certeza, não vale a pena…

***

A experiência que o reitorável Prof. Dirceu Martins teve ao observar o trabalho da designer que preparou o seu material de campanha, por sinal sua filha, permitiu-lhe entender o quanto a realidade pode ser “alterada” pela mão do artista gráfico ou pelas ideias dos hábeis marqueteiros daqui e de alhures. Que confirme o que estou dizendo o mais conhecido, ou um dos mais, que é  o baiano Duda Mendonça, talentoso e rico, graças às necessidades de clientes quais Paulo Salim Maluf e Luiz Inácio Lula da Silva. A tal ponto de as sofisticadas construções linguísticas e  filosóficas, habilmente esgrimidas pelo candidato João Salles, não terem  o que dizer quando mostrei ao candidato da Chapa 1 a foto em que a presidente da APUB o cumprimentava com um ar aparentemente submisso.

Não é à toa que o tempo todo estou advertindo o Saci para que ele esclareça ao fruidor de sua obra – qual o pintor surrealista René Magritte o fez, “Ceci n’est pas une pipe” (Isto não é uma cachimbo) -, que há sempre uma mão que suprime ou acrescenta elementos sígnicos em peças de comunicação visual, e um cérebro nada neutro a coordenar todo o miserê, às vezes despudoradamente, para o bem ou para o mal…

————————-

OBS:
Pode ser que, ao longo do dia ainda me lembre de mais umas coisinhas…

 

Anúncios

Uma resposta to “Notas sobre o último debate”

  1. Lika Embassay Says:

    Vamos ficar de olho em João, caso ganhe. Só assim saberemos se a fórmula JEITÃO DE MOÇO BOM + ALIANÇA COM O PT foi algo programado para acariciar seu ego.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: