– Poder e política na UFBA e na APUB – Altino Jr.

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PODER E POLÍTICA NA UFBA E NA APUB:
CONTINUAMOS A SONHAR!!!                 

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Altino Bomfim Jr.
Prof. da FFCH/UFBA

 

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força da mobilização e organização dos docentes na UFBA, neste ano de 2012, abriu espaço para a discussão do poder (na reitoria e na APUB) que implantou modelo neoliberal de produtivismo e a precarização do ensino ao longo dos anos 2000.

Como e partir de que esse modelo foi implantado na universidade? Quem o implantou? De que forma? Quais as implicações na vida da universidade? Qual a relação com nosso sindicato, a APUB? Onde entra a APUB nesse processo?

PODER NA UFBA

 

Desde a chamada redemocratização em 1985 e da constituição de 1988, que os que lutaram contra a ditadura se articularam na UFBA para encamparem o poder, representado pela reitoria. Com as eleições abertas para a comunidade, desde os primeiros escrutínios ocorridos, estabeleceu-se o confronto entre conservadores, os “cientistas” e a oposição organizada por professores que lutavam por aprofundar a democracia e por outro modelo social. Esses últimos, na maioria das vezes, foram tripudiados pelos governos que indicaram candidatos de sua conveniência.

O governo FHC marca o início da fragmentação entre os grupos de oposição, passando a explicitar-se as diferenças de projetos para a universidade, o que redundou na criação de vertentes dentro da chamada oposição. De um lado professores militantes sociais e sindicais, defensores da universidade autônoma, democrática, de qualidade e socialmente referenciada e, de outro, grupos institucionais defensores das políticas de governo, da meritocracia, de modelo de gestão empresarial e da privatização das universidades configurada na ação por captação de recursos junto a empresas, cursos pagos, consultorias e realização de serviços para empresas, na manutenção de fundações privadas.

O primeiro confronto desses projetos ocorre na eleição de 1998 quando o grupo de professores articulado com o projeto do PT (em que se destaca segmento criado por diretores) perdeu as eleições para o grupo dos militantes que não assumiu a reitoria porque o governo indicou o quinto mais votado.

Na eleição de 2002, assume o poder o grupo dos diretores e integrados ao PT, com candidato alinhado, que buscou implantar ao longo de oito anos o projeto neoliberal do governo federal para a educação superior, que vinha sendo implantado em doses homeopáticas, por medidas pontuais, desde o governo FHC. Esse grupo que dirigiu a UFBA por oito anos tinha projeto de vinte anos assim como o PT no plano nacional.

As medidas pontuais dessa gestão ganham nova dinâmica com o REUNI, implantado na UFBA em 200  a toque de caixa,  autoritariamente. Na UFBA, não só gestou-se a ideologia da “universidade nova” (batizada por Unimercado pelo blog do Saci) como esta foi utilizada como cobaia com o até hoje polêmico projeto do Bacharelado Interdisciplinar.

O governo Lula alterou pontos introduzindo as diretrizes neoliberais para a educação  e o implantou no país. Astutamente aliou a demanda pela ampliação do número de vagas nas universidades – medida de interesse social – com medidas produtivistas e de gestão empresarial com contenção do número de trabalhadores, aumento da relação professor/aluno e precarização e péssimas condições do trabalho cujos resultados são, entre outros, a degradação da qualidade do ensino e aumento de casos de Bournout entre os docentes.

No que se refere ao poder na UFBA, cabe ressaltar que os “diretores” e petistas saíram diretamente da reitoria mas elegeram em aliança com novo grupo de diretores a atual reitora e continuam a ocuparem cargos, pontos estratégicos e influenciarem as decisões haja visto as posições dos conselhos. Em síntese, não alterou-se o projeto político em execução. Cabe aos professores desvelarem a esfinge desse reitorado cujas posições oscilam e oscilam.

O PODER E A APUB

 

A APUB/Seção Sindical do Andes, criada em 06 de agosto de 1968, que pautou sua história por princípios políticos, pela combatividade e busca de autonomia e independência de governos e partidos (apesar da convivência de representantes dos diversos partidos), não escapou da estratégia dos diretores e petistas.

Aproveitando-se do descenso mobilizativo dos anos 2000, do cansaço de lideranças históricas e falta de renovação de professores, esse grupo ocupou o sindicato em 2004 onde implantou a ideologia e políticas do PT e coligados, ajoelhando-se face à política  de cooptação e subordinação das organizações dos trabalhadores. Na prática promoveu intensa campanha de desmobilização centrada na idéia que existia uma cultura do grevismo na UFBA, que não se trabalhava, que havia prejuízo das sagradas férias e que os “debates/decisões” deveriam ocorrer de forma virtual. A essa ação ideológica associaram a legal, avançando para mudarem os estatutos se desfiliando do ANDES através de questionada “assembléia permanente de três meses” e de plebiscito, julgados nulos pela justiça. No novo estatuto introduziram no artigo 16º a excrescência do plebiscito para aprovar greves, forma de impedir a livre manifestação dos professores através da reunião em assembléias.

A castração dos sindicatos de professores tanto no plano local quanto nacional, passou a ocorrer com a criação do PROIFES em 2008, como parte da estratégia de cooptar, silenciar e controlar os movimentos sociais reivindicatórios implementado nacionalmente pelo governo Lula e seguido pelo de Dilma, objeto das importantes reações dos trabalhadores nesse 2012.

O amordaçamento e atrelamento do sindicato aos governos e reitorado praticamente coincide com a gestão de oito anos e continua até o presente, 2012. Os diretores eleitos constituem-se em prepostos que implementam políticas amortecedoras e “culturais” (as festas, lançamentos etc) definidas por mentores e gestores externos ao sindicato, integrada dentro da política de cooperação com o governo implantada por Lula.

A fortíssima greve da UFBA, organizada pela base, com intensa participação de professores jovens e o retorno de lideranças antigas, abre espaço para discussão do poder com vistas a produzir-se novo arranjo de forças e de projetos para a universidade.

No presente identifica-se três grupos. O grupo dos diretores e petistas e coligados alinhados com os governos federal e estadual, aliançados com setores conservadores da UFBA, fornecer de quadros tanto para o governo federal quanto secretários para o atual governo estadual, com projetos de ocupar o governo do Estado em 2014. Os independentes e sindicalistas que propugnam a autonomia e independência do sindicato que contam com apoio de setores mais à esquerda não entranhados na universidade e um grupo que poderia se caracterizar como “cientistas e meritocráticos” que correm em faixa própria e buscam chegar ao poder com o discurso de suposta neutralidade científica e eficiência acadêmica.

O vitorioso movimento social dos professores da UFBA de 2012, com a formulação e discussão da pauta local, entre os três setores, se credencia para discussão do poder – configurada na reitoria mas abrangendo os órgãos superiores e diretorias de unidades – com vistas a outro projeto para esta universidade. A vigorosa organização pela base, a expressiva participação de novos professores distanciados das correntes e partidos, o ressurgimento de antigas lideranças, cria condições para a disputa qualificada pela retomada do sindicato do peleguismo e dos partidos e da reitoria. Com as competentes novas lideranças o movimento social dos professores da UFBA se qualifica para lutar por uma universidade pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada e por um sindicato de luta, autônomo e independente de partidos.

Cabe aprofundar a organização, solidificar a solidariedade, azeitar a comunicação. Nesse sentido é fundamental que se evite a dispersão pós-greve convidando todos para assumir o sindicato e que nos envolvamos na construção de diversos eventos para analisar o Reuni, a Uninova/BI, as condições de trabalho etc coroando com o I Congresso da UFBA. Enfim, que saiamos do isolamento social e político que nos coloca o trabalho acadêmico nas salas, laboratórios, grupos entre outros.

No calor da greve, 10 de agosto de 2012.

2 Respostas to “– Poder e política na UFBA e na APUB – Altino Jr.”

  1. marco Says:

    Grande Amigo Altino. Isolamento é a morte da alma. Vamos fazer valer as lições que aprendemos durante este renscimento da democracia na UFBA.

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:

    —————————–

    Blá, blá, blá do Poder e pol ítica na UFBA e na APUB – Altino Jr

    Olá a TODOS:

    O menino do gorro vermelho fumando cachimbo deu uma passada lá na minha sala da UFBA e disse jé estar cansado do papo de que foi o tal “neoliberalismo que criou o produtivismo”.

    Ora, disse ele, quem criou o produtivismo foi o desejo inato em pessoas que amam o trabalho, de fazerem o MÁXIMO com as habilidades que Deus lhes deu e com a formação acadêmica que obtiveram!!!!!.

    Eu disse então para o menino do gorro vermelho, Você está certíssimo!!!

    Por exemplo, eu IARA BRANDÃO DE OLIVEIRA, por ter estudado em Colégios públicos a minha vida inteira, ter feito Graduação em Física pela UFBA e Mestrado em Geofísica pela UFBA, gratuita para o meu bolso, mas PAGA, pela coletividade “O POVO BRASILEIRO”, e além disto, ter feito doutorado na Universidade de Michigan, com bolsa pelo CNPQ, outra vez paga pelo erário público, me sentia na OBRIGAÇÃO
    de ser PRODUTIVA, e não IMPRODUTIVA, ou PREGUIÇOSA, ou IRRESPONSÁVEL com a formação recebida!!1

    No que ele, o menino do gorro vermelho, CONCORDOU PULANDO NUMA PERNA SÓ!

    FINALMENTE! FINALMENTE! gritou excitado o menino do gorro vermelho,alguém me diz alguma coisa séria a respeito do tal PRODUTIVISMO, tão xingado e odiado por uma grande parcela dos professores da UFBA.

    Sorri para o menino do gorro vermelho que, já havia voltado a se deliciar com o seu cachimbo, e lhe disse: Menino, vou lhe dizer mais uma outra verdade.

    Sobre a tal PRECARIZAÇÃO DO ENSINO de que tanto falam, ela é somente fruto da imaginação de alguns!! Eu continuo motivada para ensinar dando o MEU MELHOR e EXIGINDO O MELHOR DOS MEUS ALUNOS!.

    A esta altura do campeonato, o menino do gorro vermelho parou de fumar, esticou sua única perninha e foi dormir em paz.

    Graças a DEUS, disse o menino, antes de pegar no sono, acho a que a UFBA está salva. Ainda restam pessoas PRODUTIVAS E MOTIVADAS que gostam de receber salário mas amam trabalhar.

    Viva o PRODUTIVISMO, abaixo a IMPRODUTIVIDADE a DESMOTIVAÇÃO E A PREGUIÇA!!!!!!!!!!!!!!

    Profa. Iara Brandão de Oliveira
    Professora Associado III – Escola Politécnica
    Com 33 anos de trabalho na UFBA e ainda motivada a trabalhar mais!!!!

    ————————-

    Veja também “FUNDAÇÃO” (AQUI)

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