Por que Nelson Pretto é a melhor opção para a UFBA?

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Vote em Pretto

Tentei manter o meu voto em sigilo, mas o Saci me entregou. Enquanto eu votava, ele fotografou a cédula e divulgou nas redes sociais… Agora já era. Fazer o que, né?

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

P.

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referi ouvir primeiro os candidatos através dos debates e ler o material de campanha de cada um deles antes de me pronunciar. Medi, pesei, ponderei, sopesei e decidi. No contexto atual, a Chapa 2, constituída pelo Prof. Nelson Pretto e pelo Prof. Ângelo Serpa, candidatos a reitor e vice, respectivamente, é a melhor escolha. Ainda que tenha grande respeito pelo demais reitoráveis, creio que os candidatos Nelson e Ângelo me inspiram maior confiança no que diz respeito à capacidade de luta de ambos pela autonomia da UFBA.

A avaliação que faço é que os oito anos do reitorado do Prof. Naomar Monteiro de Almeida Filho, e mais os quatro subsequentes, contribuíram sobremaneira para deixar a UFBA na perigosa letargia em que se encontra atualmente. E isso, muito provavelmente por responsabilidade da ingerência do partido do governo e coligados nos destinos da nossa Universidade. É bom lembrar do título de Doutor Honoris Causa que a UFBA concedeu ao ex-presidente da República Lula da Silva, e o tapete vermelho que estendeu para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Este último, hoje condenado pelo STF e cumprindo pena pelo seu escandaloso envolvimento com o Mensalão.

Não será exagero dizer que nos últimos 12 anos a UFBA rezou pela cartilha do executivo federal e do Partido dos Trabalhadores. Diria o ex-presidente Lula da Silva: “Nunca na história da Bahia a UFBA contribuiu com tantos docentes para secretariar o governo petista”… Se quiserem fundar um time de  futebol de salão, os secretários e professores Osvaldo Barreto (SEC), Albino Rubim (SECULT), Jorge Solla (SESAB), Nilton Vasconcelos (SETRE) Sérgio Gabrielli (SEPLAN e ex-presidente da Petrobras) não terão dificuldades em encontrar um patrocinador para as camisas – de construtoras locais ou nacionais a petroleiras… É bom lembrar também que a atual reitora, antes de assumir a Reitoria da UFBA, fora gestora maior da FAPESB, fundação ligada ao governo petista do Estado da Bahia. Ressalvado, a bem da verdade, que a dirigente não demonstra ter colorações partidárias passionais.

Pode-se falar, ainda, que nesse mesmo período, além da Reitoria da UFBA ter sido invadida pela polícia federal, com o consentimento de dirigentes e até de liderança sindicais, foi palco também dos mais descabidos voluntarismos. Citaremos apenas três situações emblemáticas. A primeira e a segunda para mostrar o quanto os gestores da UFBA constituíram uma dedicada “correia de transmissão” do governo federal. A terceira, para trazer a reflexão do quanto, internamente, a postura de “subserviência” foi assimilada por doutos conselheiros.

Falemos, inicialmente, do Reuni, ditado de cima para baixo em consonância com as exigências do capital financeiro e do Banco Mundial. Da sua implantação até hoje, rios de tintas ou mar de teclados foram gastos mostrando o caráter deletério de uma expansão universitária feita irresponsavelmente um “pouco acima do joelho” – como dizem os eufemistas, com perdão dos acadêmicos puristas -, com o mero propósito de forjar números para o marketing do governo de plantão. A consequência disso está no the day after vivido pelas universidades brasileiras. Relatos de docentes das IFES podem ser lidos no site do ANDES-SN, ou na forma de impresso, em suas ricas publicações. Ainda que o governo tente dizer o contrário. Mas o certo é que o real está aí para ser observado. A segunda grande prova exemplar da subserviência da nossa universidade aos interesse neoliberais do governo foi a recente aprovação da EBSERH privatista pelo Consuni.

No que diz respeito à expansão proposta pelo Reuni, o Prof. Nelson Pretto, titular da Chapa 2, na época diretor da Faculdade de Educação, foi firme em rejeitá-la, por entendê-la como sendo, apresentada no afogadilho, irresponsável  e sem uma ampla discussão pela comunidade universitária. Ele foi um dos poucos membros do Consuni a se opor às “tratoradas” do ex-reitor Naomar de Almeida. Já o titular da Chapa 1, o Prof. João Carlos Salles, não teve a mesma firmeza, enquanto membro do Consuni, para contrapor-se à EBSERH privatista. Preferiu abster-se comodamente, colocando-se na contramão das três categorias da UFBA que a rejeitaram. A entrevista, em vídeo, que a trabalhadora técnico-administrativa Cássia Virgínia, da direção da ASSSUBFA, concedeu a este Blog, foi um vigoroso libelo contra as subterrâneas formas de privatização das IFES. Lamentavelmente, parte da militância sindical esqueceu facilmente do grave “desleixo” do candidato… Talvez para não melindrar os partidários das políticas neoliberais do Palácio do Planalto.

A terceira situação, refletindo a subserviência dos membros do Consuni ao seu presidente da época, diz respeito à rejeição de uma Estatuinte que pudesse nortear democraticamente a construção do Marco Regulatório da UFBA. Ainda sob a liderança do ex-reitor Naomar Almeida, preferiram a solução biônica, em que  decidiram apenas os doutos conselheiros, ao “arrepio” da participação da comunidade universitária.

Ao longo dos debates, tentei mapear os pontos nevrálgicos que poderiam assegurar salvaguardas para a UFBA, no sentido de garantir a sua autonomia e de libertá-la das nefastas ingerência partidárias. Cheguei até, em um dos debates, tentar fazer com que os candidatos tomassem um posicionamento em relação ao ANDES-SN e ao Proifes. As respostas de alguns me tranquilizaram; as de outros, nem tanto. Felizmente, nem sempre a rebuscada retórica triunfa…

Para não me estender mais, devo dizer que, desde o início da campanha reitoral fui instigado a compreender como o Prof. João Salles, titular da Chapa 1, conseguiu chamar para si o apoio de matrizes ideológicas tão diversas: de nomes respeitáveis como o do Prof. Antônio Câmara a nomes nem tão respeitáveis assim, os quais declino de mencionar aqui, mas que certamente não causam menos perplexidade ao leitor (e eleitor!) do que a mim causaram. Ao longo das últimas semanas, pude verificar o quanto o apoio ao Prof. João Salles vinha de poderosos nomes da política e da academia, apoio esse refletido, também, na qualidade do material de campanha produzido e distribuído, muito próximo do que produzem os partidos políticos financiados por grandes bancos e poderosas empreiteiras. Vi, com meus próprios olhos, enormes caixas de camisa sendo abertas e distribuídas na Reitoria para quem quisessem. Ocorreu-me perguntar: de onde veio esse generoso apoio financeiro e o que significa, nesse contexto, vestir a camisa do candidato? Seria, de fato, cândida como parecia ser a sua expressão facial?

A-seleção-do-João

Segundo o Saci, até entre apoiadores do Prof. João Salles há o temor de que a salada ideológica resultante, batida e liquidificada sabe Deus por quem, caso ele vença a eleição, mande-lhe a fatura tão logo o resultado seja divulgado…

Pelo sim, pelo não, acabei optando pelo candidato que com todas as letras reafirmou seu propósito em defender a autonomia da UFBA, cujas feições e gestual não foram tão apolíneos assim…

 

 

 

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2 Respostas to “Por que Nelson Pretto é a melhor opção para a UFBA?”

  1. Cajaíba Says:

    Análise perfeita Prof. Menandro. Parabéns pela lucidez!

  2. Por que Nelson Pretto é a melhor opção para a UFBA? — Por Menandro Ramos | CHAPA 2 Autonomia e Diferença Says:

    […] Fonte: https://osaciperere.wordpress.com/por-que-nelson-pretto-e-a-melhor-opcao-para-a-ufba/ […]

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