– Quem tem medo de Assembleia?

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Bom seria se o coletivo dos docentes da UFBA pudesse ter um único foco doravante: a defesa da categoria…

Sabemos que alguns foram surpreendidos com o que se pensava impossível. Assim, podemos concluir que estavam certos os estudantes franceses dos idos de 1968, quando exortavam à população de seu país “Sejamos realistas, exijamos o impossível”. Estava certa, também, a APUB-OPOSIÇÃO SINDICAL quando acreditou poder “destravar” a APUB seção sindical do ANDES-SN. Mas a vida segue…

Quem acompanha a “festivização” da nossa entidade sindical, sabe que até o governo FHC, a nossa luta maior e que despendia mais energia era contra um adversário externo. A partir do governo Lula, que coincide com o início do reitorado naomariano, a coisa começou a pegar. Logo depois veio o marketing do Reuni, da expandão de vagas, a falácia da Universidade Nova e, como bem aponta o Prof. Luiz Humberto Pinheiro em vídeo recente (veja AQUI), a subserviência da diretoria da APUB frente a Casa Grande da Reitoria.

Em termos nacionais, no mesmo período, o ANDES-SN repudia a CUT, transformada em aparelho do governo. Nesse ínterim, professores ressentidos por não conseguirem ocupar, pelo voto, a direção do ANDES-SN começam a regar a semente do fórum Proifes, de DNA oportunistamente governista – quer tucano, quer petista. O Proifes, por sua vez, foi a opção que a diretoria da nossa entidade encontrou para não desagradar o petismos e a pseudo-esquerda de plantão incrustados na UFBA. Investir em folguedos e quermesses foi o caminho natural da seção sindical, cuja direção não mais afinava com o ANDES-SN. Daí a armação do plebiscito desmascarado pelo Prof. Francisco Santana e anulado pela Justiçã do Trabalho.

O meu amigo de gorro vermelho e pito tem se deliciado com o desconforto dos “ultra reflexivos” apoiadores da direção da APUB. De quebra, sou contaminado e vou na onda do pilantrinha, me esbaldando da mesma forma. A perplexidade dos tais apoiadores, diante do resultado das Assembleias, é hilária. Um ex-presidente da APUB ensaia atualmente uma “resistência heroica”. Logo ele que no passado usou a lista do sindicato para fazer propaganda de um colega professor, candidato a deputado. Por mais méritos que tivesse o candidato, tal atitude da parte de um dirigente sindical poderia ser justificada? Não estaria ele usando a “máquina” sindical para beneficiar – no final das contas -,  o partido do governo? Na mesma linha e na mesma época também se manifestou o Pai da Universidade Nova, o ex-reitor da UFBA que antecedeu a atual dirigente da UFBA, mas dessa vez no repositório imagético do YouTube. Baixei-o como recordação e ainda o tenho guardado num lugar seguro, para que não digam que inventei tal história. Claro que houve quem o desculpasse, alegando que o mesmo não falou enquanto reitor da UFBA, mas como colega e admirador do candidato. Há quem discorde, entretanto, dessa defesa, uma vez que a imagem do dirigente da nossa instituição não se descolava automaticamente da figura de um simples apoiador, porém antes a ligava à chancela da Universidade Federal da Bahia. Ainda assim, intelectuais “orgânicos” (ou seria “transgênicos”?) ousam falar de membros do comando de greve a serviço do seu partido de oposição! Bela piada!…

Se trago essas memórias para lista, entretanto, o propósito não é levar ninguém ao paredão ou à fogueira, mas, antes de tudo, alertar aos puros pensadores ufbianos  que a legião de anjos e arcanjos da atual diretoria da APUB é constituídas de seres mortais comuns que, quando não cobrados e pressionados, puxam, de forma nada angelical, a brasa para suas gulosas sardinhas. Ademais, como lembra o Saci, ser filósofo ou cientista político não é salvaguarda de equívocos demasiadamente humanos – ou o grande pensador alemão Heidegger, autor de O Ser e o Tempo e reitor da Universidade de Freiburg em 1933, não teria feito sua inscrição no partido Nazi de Adolf Hitler. Só depois é que o ilustre viu a mancada que deu… Para não acusar ninguém da Pindorama, o mesmo pode ser dito do pensador e ensaísta inglês Francis Bacon, autor de O Novum Organum, considerado por muitos como o fundador da ciência moderna, que trocou os pés pelas mãos quando exercia importante cargo para a coroa inglesa, a ponto de ser afastado por corrupção e proibido de exercer cargos público, depois de ter sido obrigado a pagar pesada multa…

Nem quero recordar a forma autoritária e truculenta que o agora tão preocupado cientista político – que dirigiu a APUB no biênio anterior ao dessa direção -, exerceu a censura na lista de discussão da APUB. Prefiro que outros colegas, também censurados, possam dar seus testemunhos, como a Profa. Maria Inês (FACED), Profa. Cecília de Paula (FACED), Prof. Tavares-Neto (Medicina), Prof. Marcos Tomasoni (IGEO), só para citar alguns. Quero apenas lembrar aos colegas que foi na gestão do colendo cientista político mencionado, que veio ao mundo o Blog do Saci-Pererê, justamente para criar uma alternativa para a comunicação mais crítica de docentes que a direção da nossa seção sindical cerceava.

Por fim, devo manifestar-me surpreso diante do medo quase patológico que alguns ilustres colegas cultivam pelas Assembleias, pelo olho no olho. Creio que não vivemos mais a necessidade do voto secreto, e que é muito mais segura a contagem dos votos às claras do que através dos frutos de uma soturna urna deixada às moscas, espalhadas pelos campi da UFBA. Prudente é as deixarmos a salvo das tentações que o poder equivocado exerce…

Assim, plebiscito, referendo ou qualquer outro casuísmo engendrado nos laboratórios políticos astuciosos e interesseiro de grupos governistas não devem ser impedimento para que nós, docentes da UFBA, marchemos – juntos! – contra o nosso verdadeiro adversário comum: o governo que sucateia as Universidades Públicas e faz pouco dos seus docentes e servidores técnico – administrativos. E, por tabelinha, dos estudantes e de toda a sociedade brasileira, privada da Educação de qualidade.

7 Respostas to “– Quem tem medo de Assembleia?”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l” da UFBA:

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    ASSEMBLEIA OU ARRASTÃO?

    Israel Pinheiro
    Depto. de Política da UFBA.

    Como professor de política, sempre ensinei aos meus alunos que a política é o reino do imponderável. Nunca sabemos exatamente o que vai acontecer amanhã e nunca temos uma boa explicação para o que nos acontece hoje. A coisa anda muito pelo mundo da imensa complexidade do ser humano na dimensão aqui do coletivo. O ufanismo ou a frustração de sentido social tem o seu epicentro nos indivíduos. E como somos, individualmente muito diferentes, sempre demoramos muito para chegar ao momento da confluência coletiva, que sempre entendemos que chegou tarde.

    Boa parte de nossas IFES neste momento está em um acelerado processo de mobilização e é forte o sentimento de greve entre nossos professores. Simplesmente a coisa estourou . Não vamos aqui buscar as “causas”. Não que isto não seja importante, mas que não é o escopo desta pretensa pequena nota. O que queremos trazer à baila é a natureza, completamente inusitada das nossas assembléias neste momento de repique do autodenominado movimento docente. A assembléia do dia 29/05 que proclamou greve aqui na UFBA já foi muito estranha. Lá os nossos professores em sua grande maioria queriam a greve. Foram lá para isto. Havia um clima de greve nas fisionomias. Até aqui estamos no mais normal dos mundos. O que é muito estranho é que havia uma claque organizada de estudantes, militantes de algum partido aguerrido, “revolucionário”, de criação recente, porque nos meus trinta anos de vida sindical, dentro ou fora da APUB, nunca vi algo semelhante. Os nossos partidos políticos sempre existiram, mas tinham limites e cerimônias para intervir no movimento sindical. Agora não, a coisa é escancarada. Eles vaiavam duramente os professores que diziam qualquer coisa, imagino eu, em desacordo com os seus chefes e aplaudiam efusivamente aqueles que faziam o contrario. O que estava ali muito claro era o controle e intimidação dos professores, algo, portanto, planejado, por certo. Intimidação que funcionou. Das dezenas dos “nossos” que estavam lá, somente três falaram e foram vaiados. Este que escreve estas linhas, protestou veemente e inutilmente contra as vaias de estudantes a professores. Havia ali uma perigosa inversão de valores, patrocinada, certamente por quem não pertencia ou não se identificava com a classe dos professores. Na reunião do CONSUNI na semana passada, que tratou das greves que estão ocorrendo na Universidade neste momento, a professora, nossa representante naquele Conselho Superior, foi vaiada pelos estudantes amontoados nos espaços que lhes restavam, porque disse coisas que não eram do agrado desta platéia muito particular e não usual no recinto. Ela os enfrentou, portanto há esperanças. Na nossa última assembléia, a do dia 26 na reitoria, a situação estava muito pior. A intimidação já começava com os cartazes agressivos e desrespeitosos com aqueles pensam diferente do partido único instalado nas nossas assembléias, desde o 29 de maio passado. Desta vez a claque estava muito maior e também muito mais agressiva. E o que é pior, acho que desta vez intimidaram mesmo os professores. Nenhum dos “nossos” falou. Eles falaram sozinhos. Se este era o objetivo, foram vitoriosos. Não valia a pena, não ia ter significação nenhuma ali a nossa palavra.

    Este, pelo menos foi meu sentimento para não ir lá. Aquilo ali não era exatamente uma assembléia de professores, aquilo ali era um arrastão. O comportamento era de turba.

    Levavam tudo o que queriam. Começaram impondo à mesa suas “regras”, que era exatamente violar todas as regras, as mais comezinhas, do movimento sindical. A mesa de uma assembléia é composta pela direção do sindicato, que convida quem ela acha importante estar lá. A professora Eloisa Pinto, nossa vice-presidente em exercício, que dirigia a mesa, já havia anunciado que alguém do “comando” estaria na mesa. Mas os comandantes foram lá e impuseram quem eles queriam e quantos. Resta a nós, agradecer a generosidade dos nossos novos chefes, porque podiam sim ter ficado sozinhos na mesa e acabar de uma vez com o “sindicato pelego”. Não o fizeram porque a existência da APUB hoje é alguma coisa útil para eles, já que em política nada é de graça. Ou quem sabe, talvez tenham pensado nos 817 professores que não atenderam a sua ordem de boicote ao referendo organizado pelo sindicato e foram lá votar. Afinal de contas, a burrice também é uma coisa que não existe na política.

    Ato seguido, falaram sozinhos, aprovaram tudo o que queriam também sozinhos e sozinhos hoje são os donos da UFBA. Nada se move hoje nesta universidade, se eles não querem. Levam a sua turba e resolvem o assunto. A qualquer momento começam a espancar professores, só os “pelegos” es “traidores”, por certo. Já estão falando em destituir a profa. Ana Alice, nossa representante no CONSUNI porque disse lá coisas que eles não gostaram. Como, com que regras? Afinal a professora foi eleita, mas parece que isto é o de menos… Já marcaram uma assembléia para modificar o estatuto da APUB (tirando o artigo 16, o do plebscito). Um estatuto que passou por longas discussões no interior da categoria. Mais de mil professores o aprovaram. E agora em uma simples assembléia, com o numero que tenha, eles querem jogar no lixo todo este trabalho. Eu irei lá protestar. É o que me resta.

    Enfim, muitos colegas nossos ficaram extremamente insatisfeitos com todas as concessões que a diretoria do sindicato fez aos nossos comandantes na mesa da ultima assembléia. Para este nossos colegas, o sindicato saiu dalí completamente desfigurado. Eu até concordo com a desfiguração, mas entendo as razões dos dirigentes da Entidade. Eles foram eleitos para nos representar ali. Precisam levar isto até o fim, fazendo tudo o que podem e foi o que fizeram. Um confronto ali com os comandantes e podia ser o fim do sindicato.

    Há um clamor entre os professores pela unidade do movimento , uma unidade que por certo, so poderá ser feita se for pelos dois lados da pendenga, quando um não quer, dois não brigam, já dizia a avó do Varela. A unidade dos comandantes é a unidade deles. Não respeitaram nada que a APUB fez ou propôs. Passaram por cima de tudo. Não gostavam de uma coisa, entrava a turma do barulho e resolvia. Era na base do vai ou racha. Esta é a unidade deles. A APUB, no entanto, ouvindo, como sempre a voz de seus associados, está disposta a buscar a unidade, fazendo sacrifícios imensos. Foi o que fizemos naquela assembléia com a desaprovação de muitos dos nossos apoiadores, por termos ido “longe demais”. Mas tudo neste mundo tem um limite. É preciso entender que a APUB hoje não está reduzida a uma secretaria dos comandantes. O prof. João Augusto disse com todas as letras lá na mesa da ultima assembléia que a APUB está filiada ao PROIFES e que não vai mandar ninguém para comando nacional de outra entidade. Isto e mais algumas coisas desta natureza, nós devemos garantir. Afinal, somente 149 votaram pelo greve e são 2800 os filados ao sindicato. Minimamente devem ser espeitados. Eles sabem da nossa responsabilidade na condução da Entidade. Acompanharam todo este processo. Sabem, por exemplo, que o PROIFES não podia abandonar uma mesa de negociação, partindo para uma greve intempestiva, se este processo estava tendo um curso normal com perspectivas de um “final feliz”. Mas já em 3 deste mês, o Conselho Deliberativo do PROIFES saiu com indicativo de greve, porque o governo não compareceu a uma reunião no fim de maio. Na segunda falha do governo, convocamos uma assembléia de greve para o dia 26 passado. Tudo isto, porque não fazemos a greve pela greve ou com objetivos alheios à categoria que representamos.

    Não é demasiado lembrar que estas pessoas a quem nos dirigimos nesta nota, não estavam nestas assembléias, mesmo porque são numerosas, mas merecem da nossa parte o mesmo respeito e acatamento de sua opinião. E somente o plebiscito podem fazer este registro. É bom lembrar também que os comandantes pongaram no movimento, pois até bem pouco tempo atrás não ganhavam eleição. Nem chegavam a se candidatar. O que acontecerá com eles depois dos agitados dias que vivemos neste momento na IFES?

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l” da UFBA:

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    FOCO E DESVIO DE FOCO

    É sintomático que, após a assembleia na Reitoria, na quarta-feira passada, o número de mensagens postadas na lista tenha diminuído tão significativamente. Naquela assembleia virou-se uma página e de certo modo, aliviamo-nos com a ultrapassagem de uma agenda de polêmicas internas que já dava sinais de saturação.

    Embora entre as pessoas que foram à Reitoria e entre as que se informaram por terceiros possa haver diversas interpretações sobre o desfecho de trinta dias de acirrada controvérsia, talvez haja uma lúcida convergência da maioria de nós em evitar, ao menos por ora, comentar pormenores de performances que assistimos, sendo em muitos casos difícil distinguir firmeza de intransigência, assim como transigência de pusilanimidade. A discussão das pautas reivindicatórias é neste momento o ponto mais importante e a esse respeito é compreensível que estejamos a nos perguntar: e agora?

    Se é verdade que quase tudo daquilo é passado, cuja evocação, no futuro, servirá apenas de lição para todos nós, por outro lado, o que não deixa esse quase ser apenas um detalhe desimportante é o fato de ter sido convocada, para a próxima quarta-feira, uma assembleia para discutir a “retirada” do artigo 16 do Estatuto da APUB. Em outras palavras, para remover permanententemente das nossas regras de convivência sindical aquela que prevê audiência ao conjunto dos docentes, para fins de referendo, mediante voto direto e secreto, em caso de assembleias decidirem greve por tempo indeterminado.

    Essa persistência na pauta anterior, decidida pela maioria dos presentes à assembleia, leva-me a trazer aos colegas algumas opiniões adicionais. A imolação do referendo é, a meu ver, um equívoco, que eu entenderia mais facilmente no contexto de posições do comando de greve que, desde o início, adotou como postura combater essa regra para proclamar a soberania absoluta da Assembleia. Mas para minha surpresa e de muitas pessoas que estavam na Reitoria no dia 26, a ideia partiu de ninguém menos que o representante da Diretoria da APUB, que dirigia a Mesa. O espanto provém do fato de que durante trinta dias a regra foi defendida como se fosse questão de princípio, pelos que agora propuseram descartá-la sem cerimônia, em meio a um contexto aclamativo de greve onde não é possível discutir o assunto com a objetividade e a moderação devidas.

    Reitero aqui as opiniões que dei aqui nesta lista de debates durante as últimas semanas: 1. não há contradição de princípio entre assembleia e referendo, são ambos instrumentos legítimos de nossa democracia direta, que nós não deveríamos demonizar em função da atual
    conjuntura, porque podem ter, tanto uma como outro, grande validade para a democracia entre os docentes, a depender de cada contexto específico; 2. a combinação dinâmica dos dois instrumentos (cuja forma e dose podem variar também conforme os contextos) é útil como antídoto para diversos tipos de despotismo, seja o despotismo de quase eternas maiorias silenciosas que inibem ou bloqueiam mudanças, seja o despotismo de maiorias ruidosas que podem se exacerbar em assembléias (sejam elas de que tamanho forem) e que já causou males ao movimento docente, em passado recente.

    Coloco-me medindo as palavras e com escassa expectativa de obter concordâncias imediatas, mas ainda assim o faço, para que não se torne omissão a percepção que tenho de que o terreno político atual é inóspito para o tipo de reflexão que proponho. No fundo busco, neste momento, menos convencer colegas sobre o mérito da questão e mais ponderar sobre a conveniência de agirmos com prudência, deixando esse assunto para ser decidido após a conclusão da greve. Penso que não há razão para decidi-lo emocionalmente agora, se objetivamente não haverá mais referendo no âmbito da atual greve. É preciso que tenhamos consciência de que uma mudança desse porte no estatuto tem repercussões para além da conjuntura atual e por isso pede reflexão mais amadurecida, para que não criemos espaços para ressentimentos e/ou arrependimentos no futuro.

    Devemos comemorar porque não se consumou uma divisão no nosso movimento, mesmo que seja precária e muito relativa essa unidade provisoriamente alcançada. E dosar bem os foguetes da comemoração, porque se instala, onde havia impasse, contornos de uma ilusória e
    perigosa aparência de unanimidade, da qual a remoção abrupta do referendo do nosso estatuto é apenas uma manifestação, dentre outras.

    Creio que precisamos prevenir novos riscos de celeumas internas desviarem nosso foco. Concentrar energias na discussão dos vários pontos da pauta de negociação e da sua hierarquização política, em termos de prioridades e prazos. E também na imaginação de modos de quebrar o presente silêncio do governo sobre tudo isso. Aqui cabem também preocupações, pois agora, na ausência ou recuo do contraditório interno, o movimento pode ser levado a pensar, mais do que nunca, que o mundo corresponde ao seu umbigo. A mobilização interna tende a ser cada vez mais considerada como “prova” de que estamos em posição de força nas negociações com o governo. Esse ledo engano já nos levou a greves intermináveis, que começaram eletrizantes no entusiasmo e terminaram definhando na ineficácia prática. Afastada a divisão do movimento, resta agora lutar politicamente para que ele não se reduza à vertigem de uma aventura.

    Saudações persistentes,
    Paulo Fábio
    – professor do Departamento de Ciência Política

  3. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l” da UFBA:
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    Prezados,

    Entre os integrantes do Comando de Greve, sempre achei que as posições do Prof. Zamparoni foram as mais ponderadas.

    Acho interessante sua proposta, mas ainda desconfio que a ferramento do referendo é mais eficiente e a mobilização para discussões nas unidades, algo de fácil realização. Acho realmente difícil termos uma assembleia com 50% dos professores (isso seria, se não me engano, algo em torno de 700 pessoas).

    Waldomiro Silva Filho

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    Citando charbel@ufba.br:

    [Hide Quoted Text]
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    Prezado Prof. Zamparoni,
    Agrada-me sua sugestão, porque pode levar a uma conciliação sobre o tema assembléia vs. plebiscito, sem a perda das garantias de que as decisões realmente refletem vontade da maioria, que é o que me atrai no plebiscito.

    Assim, seria interessante que a APUB discutisse sugestões como estas e tb as colocasse em votação.

    Att
    Charbel El-Hani

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    Citando “Prof. Dr. Valdemir Zamparoni” :

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    Caros colegas, desde o começo desse nosso movimento grevista ponderei acerca do debate assembleia x plebiscito. Vou aqui resumir os pontos e fazer sugestões.

    A) plebiscitos são instrumentos de consulta ampla quando NÃO for possível a consulta direta. Temas nacionais, exigem plebiscito. Assim, precedidos de ampla discussão pública, por meios massivos de comunicação, nos quais as partes tenham igual tempo, a decisão é tomada. No Brasil a participação em plebiscito é obrigatória o que garante que a imensa maioria da população expresse a sua opção.

    B) esse não é o caso dos docentes da UFBA pois é plenamente possível reunir todos em um único espaço físico. Plebiscitos entre docentes é voluntário e isso estimula a manutenção do status quo e o imobilismo.

    C) Devemos estabelecer que toda assembleia decisória (sobre greve, p.ex.) deve reunir ao menos 50% dos docentes e a deliberação vitoriosa seria aquela que obtivesse maioria inquestionavel (2/3?) dos presentes na
    assembleia. Assim, as partes com opinoes diferentes tudo fariam para mobilizar os colegas quer para irem ás assembleias, quer para votarem em suas teses.

    D) as assembleias docentes devem ser EXCLUSIVAS para docentes. NÃO seria permitida a entrada de pessoas alheias à categoria, exceto em representação de suas respectivas categorias e unicamente para dar infiormes e acompanhar os debates, sem direito à palavra, exceto se forem para isso convidados. Professores, estudantes e funcionários são categorias distintas. Somente as Assembleias gerais universitárias estariam abertas a todos indistintamente.

    E) para evitar pressões indevidas as votações podem ser realizadas em urnas, com resultados apurados na própria assembleia.

    Creio que com essas pequenas mudancas haveria um aprofundamento da participação política e da democracia.

    Abraços coreias,

    V. Zamparoni
    História

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    Em sexta-feira, 29 de junho de 2012, escreveu:
    ————————————–

    Prezados,

    Peço, sinceramente, desculpas pelo modo direto como vou me expressar. Mas são minhas opiniões e não posso as abandonar. Ora, quando ouço ou leio meus colegas afirmando que a “assembleia é soberana”, “é o lugar legitimo da discussão”, “é o lugar para expressar opiniões e debater” e depois de quase 30 anos de experiências em assembleias me ocorre dois pensamentos muito cruéis: essa pessoas são ingênuas ou maliciosas.

    As assembleias, como eu as entendo, são lugares de jogo de forças que se constituem “fora” do espaço da assembleia. Antes das assembleias grupos de interesse (legítimos talvez) se reúnem, estabelecem estratégias e lá vencerá aquele que tem maior poder de levar aliados e organizar a estratégias corretas (como uso de grupo para vaiar opositores, solicitação de destaques, adiamento de voltações quando o cenário não é favorável). Por isso, quase sempre, esses são espaços muito tensos, de confrontos verbais e pouco – pouquíssimo – debate em torno de argumentos. Quem não tem treino de militância quase sempre fica em silêncio, adere a uma posição ou se retira (pra pegar o filho na escola, pois já está ficando tarde).

    Não estou dizendo que deveria ser diferente. É assim, ponto.

    A ideia do referendo (que agora está sendo descartada) procurou acrescentar um novo elemento à natureza das assembleias de professores (supostamente pessoas mais inclinadas a avaliar argumentos, debater,
    deixar-se influenciar por melhores razões): a assembleia autônoma e soberana indica os temas e problemas e depois deve se instruir um amplo processo de discussão nas unidades, onde estaria em causa informações
    confiáveis, ponderadas. E somente depois o corpo docente delibera, por exemplo, pela adesão a um indicativo de greve.

    Qual o problema com isso? É claro que sou simpático a essa fórmula não porque sou mais democrata do que meu colega que é contra o regimento da APUB, mas porque acredito que essa fórmula me permite pensar melhor as questões. Ademais, estou perfeitamente disposto a discutir argumentos com meus colegas (esses anos todos de filosofia me animam a isso), mas não vou me expor ao ridículo de ser vaiado por quem quer que seja(sou de Camacã e o pessoal da minha terra não gosta muito de ser desrespeitado).

    Outro problema: o que significa “base” ou “maioria”. Sim, é claro, “base” e “maioria” é aquilo formado pelas pessoas que vão às assembleias. Tudo bem! mas isso não me parece correto, a conta na bate: 900 pessoas votam num referendo e outras 130 dizem que essas pessoas são idiotas!

    Tomaram meu brinquedo, mas não ficarei choramingando. Sou um realista.

    Waldomiro Silva Filho
    Dep. de Filosofia

  4. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l” da UFBA:
    ———————————–

    Caros,

    Minha visão é apenas um “pouco” distinta destas emitidas abaixo.

    Inicialmente, os fatos:

    1) O artigo 16 (do jeito que está escrito) se tornou a fonte de discordia público entre dois grupos de docentes.

    2) Houve, pelo menos na visão daquels que foram para a última assembleia, o reconhecimento da diretoria da APUB, que o artigo 16 deve ser revisto.

    3) A partir de última assembleia foi possível unificar (pelo menos por enquanto) todos na mesma linha de ação.

    Acredito que o fato (3) não seria possível se não houvesse o fato (2), que ocorreu após um longo desgaste que todos presenciamos, fato (1). A indicação que haveria uma próxima assembleia para revisar o artigo 16
    do estatuto, como foi acordado, era, portanto, necessária para que chegássemos até aqui. Conclui-se, então, não ser possível voltar atras agora neste acordo, sob pena de ficarmos novamente atirando uns nos
    outros.

    Agora, minha opinião pessoal.

    – O artigo 16 estava lá desde a aprovação do estatuto e não houve nenhum movimento para removê-lo/cancelá-lo, etc. Num momento como este, realmente não era o momento de fazê-lo, pois estávamos exatamente executando o previsto no estatuto que ficou tanto tempo ai sem contestações, pelo menos no que se refere ao dito artigo. Mas, por causa de (1)-(3), como falei, não dá mais para voltar atrás agora.

    – Entendo os pontos negativos a respeito da realização de plebicito/referendum, mas vejo também pontos positivos numa consulta ampliada para tratar de decisões como entrar ou não em greve. Como
    alguns já externaram aqui, acredito que daria para usar a própria assembleia para conseguir o mesmo ou parecido efeito da consulta ampliada. Algumas alternativas (apenas para exemplificar):

    a. Exigir quorum mínimo para a tomada de decisão. Isto obrigaria a mobilização em torno da assembleia.

    b. Exigir que a tomada de decisão (greve ou não) seja feita em dois turnos (duas assembleias consecutivas, separadas, digamos, por uma
    semana). Entre uma assembleia e outra poder-se-ia promover debates nas unidades para mobilizar os professores em torno do tema.

    c. Poderíamos ainda pensar em compor as duas alternativas anteriores ou modificá-las.

    Mas, decidir como será feita a alteração no estatuto agora me parece um ato temerário. Afinal, temos outras preocupações no momento e estamos vivendo no calor de todo este movimento grevista nacional.
    Este assunto merece mais reflexão.

    Então, minha sugestão é considerar o artigo 16 nulo neste momento (afinal foi isto que foi feito de fato), mas estipular um prazo, após a greve, para que em seu lugar possa haver a implantação de mecanismos
    para consulta ampliada via assembleia. Seria um compromisso que a próxima assembleia poderia assumir. Após o período de greve, poderíamos então prosseguir com debates/discussões para fazer do artigo 16 retorne como ponto de consenso e não discordia.

    É este encaminhamento que deveria ser dado na assembleia da quarta-feira próxima.

    Abraços
    George

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    Em 1 de julho de 2012 19:39, escreveu:
    [Hide Quoted Text]
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    Concordo que não é o momento adequado para se decidir a retirada do art. 16 sobre o referendo, especialmente em uma assembléia nos moldes das que temos presenciado. Apelo para o bom senso dos colegas para se concentrar na pauta de negociação e nas formas de condução do movimento (e das negociações) daqui para a frente, para não afastar ainda mais os professores que não aceitam a postura desrespeitosa manifestada nas falas e cartazes de vários defensores incondicionais da greve. Como é que se pode pensar em DEBATE de ideias sobre o referendo em um clima como esse?

    Marilena Ristum
    Instituto de Psicologia

  5. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:

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    Como professor de Política, Israel deve saber que em política, “pau que dá em Chico dá em Francisco”, e dói, né Israel?!

    Vou apenas lembrar-lhe da última assembéia da APUB à qual compareci, onde tive o constrangimento de assistí-lo, professor de política, interromper uma análise de conjuntura que vc mesmo fazia em nome da sua diretoria, para uma platéia esvaziada de menos de 20 docentes (representativa da desmobilização provocada intencionalmente por vc e pelos seus), para uma “singela” apresentação do grupo de dança dos alunos do ensino
    médio do Ifba!!! Me senti em Macondo, Gárcia Márquez que me perdoe…

    Convenientemente, Israel omite que a condução da assembléia do dia 26/06 foi de fato realizada por João Augusto Rocha, constrangido diante do “…a gente podemos…” proferido pela Presidente da Apub perante uma plenária de mais de 500 docentes dessa universidade! Que foi também do João Augusto a proposta de reforma do estatuto a ser realizada na próxima assembléia, na linha do pragmatismo característico dessa diretoria de “darem os anéis pra não perderem os dedos”!

    E, pra finalizar, quero dizer-lhe que só não me desfiliei da Apub devido ao Plano de Saúde que ajudei a construir e que hj é o único motivo de permanência minha e de centenas de outros professores nesta entidade, mas que agora me sinto estimulado pela perspectiva de chutá-los pra fora na próxima eleição, cso vcs sobrevivam ao seu impeachmant.

    Esse palavrório, seu e sua “trupe”, é cortina de fumaça pra não terem que responder as reiteradas acusações de benesses adquiridas com o beneplácito do poder da Universidade Nova. É sobre isso que vcs têm que prestar contas à história dessa categoria e dessa entidade!

    Prof. Leo Cruz
    Geografia/Igeo

  6. osaciperere Says:

    Caros,

    pela primeira vez, vou deixar de opinar sobre idéias, práticas e modos de proceder e vou me referir a uma pessoa, a uma individual, o que em geral não faço. Trata-se de uma
    manifesãção privada que quero tornar pública.

    Independente das dissemelhanças entre os nossos entendimentos atuais, acerca de alguns pontos – á exemplo da genese e natureza do PROIFES, das vantagens do REUNI e a associação que faço com a precarização do ensino na UFBA, além de outros aspectos menores porém importantes – o email que se segue me fez enxergar o colega Professor João Augusto que sempre conheci e com o qual lutei solidariamente em várias trincheiras por cerca de 32 anos, aqui na UFBA e em outros cantos, muitas das quais altamente desfavoráveis de antemão.

    Manifesto isso de armas abaixadas. É possivel que estivesse errado, com a visão turva, mas não conseguia enxergá-lo em quase todas as suas manifestações recentes. Houve momentos em que enxergava o oposto do combatente que sempre conheci, do qual obtive inspirações e firmeza para manter vários dos posicionamentos que venho adotando no momento.

    Sinto que continuaremos à divergir em alguns pontos, mas vou explorar toda e qualquer oportunidade que tenha para resgatar o que de valioso aprendi a enxergar no colega. Eu tenho paciência e vou aguardar que a vida nos evidencie quem está mais próximo da razão.

    Luiz Anibal
    DCTM – EP/UFBA

    ———————————————————–

    Quoting joarocha@ufba.br:
    [Hide Quoted Text]

    ———————————————————–

    Caros colegas

    Concordo que não há um instrumento ideal de democracia direta, mas estou com Pedro Abib no que se refere ao risco de o governo colocar o referendo como condição para a instalação da greve, no futuro, numa extensão da lei de greve do setor privado para o setor público. Acho que, desse jeito, dificilmente se poderá fazer uso do instrumento da greve no setor público, o que é muito ruim para nós.

    Coerente com a posição assumida, em nome da Diretoria da APUB, na Assembléia do dia 26/6, peço que todos os associados compareçam à Assembléia do dia 04/7, e indico que votem pela retirada do Art. 16 do Estatuto da APUB.

    Naturalmente, no Estatuto pode permanecer a salvaguarda de que a greve só pode ser instalad se a assmbléia, embora aberta a todo mundo da base sindical, conte com a presença, por exemplo, de mais de 5% dos associados do Sindicato.

    Abraços
    João Augusto

    Quoting pedrabib@ufba.br:
    Citando waldojsf@ufba.br:

    ——————————————–

    Prezados Waldomiro e Asher

    Em primeiro lugar, ninguém é contra o plebiscito por princípios. Ele é um instrumento utilizado em situações especiais para consultar a população em geral sobre alguma decisão que afeta a vida de todos. Isso é legítimo, saudável e democrático !!!

    O que acontece é que a utilização do plebiscito como tomada de decisão de uma categoria profissional sobre um assunto como GREVE, não contribui em nada com a construção do movimento reivindicatório, que é dinâmico, que depende de conjunturas políticas que podem se alterar de uma hora para outra, o que exige uma avaliação e uma tomada de posição rápida por parte da categoria em greve.

    Por isso a ASSEMBLÉIA se constituiu historicamente como esse espaço de tomada de decisão em todo e qualquer movimento reivindicatório profissional em qualquer parte do mundo, pois ela leva em conta esse dinamismo e ela permite discussão aprofundada sobre determinado tema, permite que posições contrárias se confrontem e aquela que tiver os melhores argumentos possa ser respaldada pelo voto da maioria dos presentes, que podem refletir e decidir.

    O plebiscito não permite esse aprofundamento nem esse dinamismo. Já imaginaram ter que se organizar um plebiscito por semana para decidir sobre fatos novos que se apresentam
    na conjuntura ???? Esse último plebiscito por exemplo, que discussão, debate ou aprofundamento houve para que se decidisse sobre o voto ?? Nada !!! Apenas chamou-se os
    professores para se pronunciarem se são favoráveis ou não à greve !!! Em que isso contribui para o debate e a reflexão sobre a conjuntura e o movimento ???

    E no mais, julgar que o conjunto de professores que participam de uma assembléia são todos “ingênuos cordeiros” conduzidos por articulações nefastas de bastidores como supõem as cansativas mensagens que vcs emitem para essa lista, é menosprezar a inteligência de todos nós que temos dignidade para lutar por nossos direitos e decidirmos pelos caminhos que queremos seguir !!!

    Eu não pertenço a nenhum partido político, mas minha consciência política me exige que as decisões que envolvem o coletivo profissional do qual faço parte, passem por uma discussão democrática, que muitas vezes implica em vaias e aplausos, como toda liberdade de expressão supõe, mas que no final das contas é uma decisão coletiva, no calor da boa discussão e dos bons argumentos. Levantar os braços numa assembléia é um dos atos de maior expressão da liberdade individual e coletiva !!!

    Não tenham medo de assembléia !!!

    Pedro Abib
    Faced

  7. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:

    —————————————————-

    Concordo com Paulo Fábio que o foco agora deve ser o processo de negociação e que devemos nos concentrar na nossa pauta de reivindicações. O recesso do congresso está próximo e temos que avançar para que não fiquemos em uma greve interminável, sem possibilidades de ganhos. Já asseguramos os 10% da educaçao?

    Acredito que outras mudanças precisam ser incluídas para possibilitar maior participação dos colegas dos campi do interior e de universidades novas que estão sendo criadas, lembrando que o nosso sindicato hoje é estadual. O plebiscito e outras formas de consulta devem ser assegurados, para que mais docentes possam participar além dos que freqüentam as AGs. Mas tudo pode ser feito depois que atravessarmos esta fase. O foco não é o artigo 16 mas os pontos da nossa pauta, porisso queríamos a unificação dos docentes da UFBA.

    Profa. Silvia L Ferreira
    (presidenta da Apub, afastada por férias)

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