UFBA: Censo e contrassenso

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CENSO-UFBA.

E.

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u estava meio sonolento quando o Saci me chegou com umas postagens recuperadas da lixeira.

– E aí, chefia, publico ou não.

Automaticamente, balbuciei: se for para o bem da UFBA, “publique-se”! Até porque não me pediram segredo…

Só depois é que fui ver do que se tratava. Mas já era. Se havia consenso ou não em publicá-las eram outros quinhentos. O que eu sabia era que o material já virara domínio público…

 

Caros amigos,
 
Perdoem-me se estou enviando muitos textos sobre a questão do PRODUTIVISMO e do ASSALTO NEOLIBERAL às nossas vidas. Gostaria inclusive de saber de vocês se acham que devo responder àquela demanda para o chamado CENSO que uma PRO-REITORIA solicitou à todos os Grupos de Pesquisa para um recadastramento que o CNPq não demandou, até onde sei. A questão é que, muitos colegas terminam usando de dupla linguagem: são contra, mas por vias das dúvidas respondem e OUTROS TERMINAM FICANDO EM DESVANTAGENS OU PREJUDICADOS.
Se puderem me responder agradeço a atenção e a gentileza.
Bom domingo,
Jorge
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Caro Jorge,

Registro que não aceito o censo, que tenho denunciado desde o primeiro debate, em Arquitetura. Mais que isso, em uma reunião ampliada da nossa campanha, aprovamos uma moção de apoio a um documento elaborado pelos colegas do Instituto de Letras.
Assim, eu lutarei para que essa decisão do CAPEX seja revista. Por isso mesmo, como parte dessa luta, não o responderei. Se ele visou a estimular a pesquisa, está fazendo exatamente o contrário.
Forte abraço,
João Carlos
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OI Jorge e demais,

Eu atualizei o grupo d pesquisa o que faço regularmente, pois me pareceu ser esta a única exigência. Também não concordo com os critérios que estão sendo postos em prática,infelizmente mais uma vez aprovados pelo Conselho Superior. Creio que uma posição contrária à medida deveria ser aprovada em consulta à categoria docente e não ser tomada individualmente. De qualquer forma não sei se além da atualização existem outros procedimentos.

Abraços

Câmara

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Caro João,
Obrigado pela resposta.
A decisão que tomamos de não responder ao referido “CENSO”, não apenas foi correta, mas também acertada taticamente. Esta reflexão deve ser extensiva a questões outras em função das quais muitos colegas terminam reagindo de modo ambíguo, como por exemplo, em relação aos concursos que cada vez mais estão se tornando CARTAS-MARCADAS. Por pragmatismo colegas respeitáveis terminam capitulando diante da “pressão geral”. O modo como têm sido medidas as qualificações atentam tão somente a uma mise-en-scène que encobre as competências e as confundem (etimologicamente competência está ligada à raiz CONCORRÊNCIA) com as qualificações. Tenho certeza que você será capaz de constituir, uma vez REITOR, os Fóruns QUALIFICADOS para que se possa discutir amplamente tais questões, assim como também, elaborar políticas que possam contrariar a lógica quantitativista.
Abraço,
Jorge Nóvoa
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Câmara e todos,
Atualizar junto ao CNPq nós da Oficina Cinema-História fazemos a cada seis meses ou um ano. Isto é uma coisa necessária e natural. Outra coisa é a exigência que foi feita com o tal “CENSO” – que constitui, aliás, uma contradição em termos, vez que um Censo, para ter validade de fidedignidade necessita da espontaneidade do COLABORADOR com o censo -, e as consequências oriundas a uma não participação. Além de um constrangimento, isto significa uma coerção à qual muitos colega terminam se submetendo.
Acredito que a oportunidade da conjuntura específica da UFBA que estamos vivendo deve ensejar o pronunciamento, não apenas de SOLDADO RASO como eu, mas também de todos aqueles que ocuparam e ocupam postos de direção e administração vez que, nem sempre, ou muitas vezes, não estão de acordo com as pressões de superegos extra universitários e acadêmicos.
A hora é esta, aqui e agora.
Abraços,
JorgeJorge,
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Câmara tem razão. Creio que a posição contrária tem que ser coletiva, tem que ser construída coletivamente, passando inclusive pela elaboração conjunta de uma política de pesquisa para a UFBA.
De todo modo, não considero correto que eu mesmo, tendo criticado dura e publicamente os critérios do censo (e não o fato de haver um censo), tendo criticado pois a falta de senso do censo, venha simplesmente a respondê-lo.
Meu gesto foi mais de solidariedade com os colegas que disseram que não iriam tomar qualquer providência. Meu grupo deve estar atualizado, pois a atualização é automática sempre que alguém ingressa nele, mas não tomei qualquer providência adicional para satisfazer o censo.
Abraço forte,
João
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PS: Acrescento. Solidariedade e luta, de modo que possam ser revertidas as consciências danosas de sua aplicação. Não devemos diminuir o número de grupos de pesquisa da UFBA. Isso é um grande desserviço à pesquisa. Menos ainda podemos aceitar o critério de haver projetos financiados. Isso, como tenho dito publicamente, (1) fere a autonomia da universidade, fazendo com que a decisão sobre a relevância de uma sua pesquisa seja tomada fora dela, (2) faz com que essa perda da autonomia não se deva a critérios acadêmicos, mas sim pelo questionável elemento do financiamento, e (3) desconhece a diferença entre as áreas de pesquisa. Afinal, se em algumas áreas a pesquisa depende de financiamento, em boa parte delas isso não se dá. Por exemplo, em muitas pesquisas de filosofia e de letras, pesquisa de qualidade reconhecida, não dependemos de financiamento, mas sim de infraestrutura, a saber, boas bibliotecas, acesso ao portal de periódicos, etc.

Jorge,

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Câmara tem razão. Creio que a posição contrária tem que ser coletiva, tem que ser construída coletivamente, passando inclusive pela elaboração conjunta de uma política de pesquisa para a UFBA.
De todo modo, não considero correto que eu mesmo, tendo criticado dura e publicamente os critérios do censo (e não o fato de haver um censo), tendo criticado pois a falta de senso do censo, venha simplesmente a respondê-lo.
Meu gesto foi mais de solidariedade com os colegas que disseram que não iriam tomar qualquer providência. Meu grupo deve estar atualizado, pois a atualização é automática sempre que alguém ingressa nele, mas não tomei qualquer providência adicional para satisfazer o censo.
Abraço forte,
João
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Prezados,

Além de concordar com as críticas de João Carlos em relação a essa decisão da CAPEX, também decidi não enviar as informações exigidas pela pró-reitoria para o Censo.
Solicito ao João Carlos que divulgue e coloque na sua página da candidatura o manifesto de Letras e o adendo. Pois desconheço-os e seria um ótimo instrumento para uma ação mais coletiva.
abs
Graça
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Graça,

Vou pedir que coloquem na página.
Abraço,
João
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Graça,O manifesto, cujo texto reproduzo abaixo, já está postado em nosso Facebook. Em seguida será publicado em nossa página, pois não fazer isso sozinho.Registro que foi lido e discutido em uma de nossas reuniões amplas, tendo tido o apoio de todos os presentes.Abraço,João———-À Comunidade universitária, em especial à Administração Central, à Pró-Reitoria de Pesquisa, Criação e Extensão, ao Conselho Acadêmico de Pesquisa e Extensão, à área das Humanidades,

Nós, líderes de pesquisa da área de Letras e líderes potenciais de novos grupos de pesquisa em Letras, vimos manifestar a nossa indignação contra a Resolução 02/2013, publicada em 22 de julho de 2013, que dispõe sobre os critérios para credenciamento de líderes e certificação de grupos de pesquisa, em especial contra o item VI, do Cap. II, Art.8, §3 que reza como pré-requisito para a certificação do grupo que seu líder tenha “ao menos um projeto de pesquisa ou de infraestrutura em pesquisa aprovado com apoio financeiro nos últimos cinco anos por setor público mediante editais e setor privado na condição de coordenador do projeto”.

Acreditamos que a universidade vem sendo equivocadamente definida como gestora e produtora apenas de bens materiais. A Resolução ignora, ao propor o requisito em pauta, toda a área das Humanidades, na qual a maior parte das pesquisas trabalha o e com o capital cultural e o conhecimento espiritual e imaterial, não gerido assim por nenhum tipo de financiamento.

Tudo isso macula a trajetória das Ciências Humanas, uma das áreas fundadoras da UFBA, eclipsa suas memoráveis conquistas na pesquisa científica e na formação de novos quadros profissionais, constrangendo, decepcionando e desmotivando a comunidade acadêmica atingida. Trata-se de uma postura deveras nociva.

No nosso entender, uma universidade tem como finalidade principal preservar e fomentar o direito ao conhecimento, seja ele propiciado por projetos subsidiados ou não. O filtro daquele estudo que será bom ou mau não é garantido por uma Resolução, defendendo uma determinada verba protetora, mas sim a exposição democrática e sua amplitude junto aos pares. A avaliação científica é uma reivindicação histórica do movimento docente. Mas o cerceamento à liberdade do conhecimento humanístico desvinculado de uma fonte financeira, é inadmissível.

Longe de querermos impedir a legislação, nem mesmo a reflexão sobre modos de aferirmos qualidade às nossas pesquisas, desejamos e exigimos apenas respeito ao que vimos produzindo e pontuando nesta universidade até então sem o critério estabelecido.

Vimos, portanto, defender a liberdade de prática do conhecimento das Letras e das demais áreas que compõem as Humanidades, lembrando que lidamos em nossas pesquisas com corpora documentais que abrangem bancos de dados linguísticos, literários e culturais. O texto oral ou escrito é a nossa base de toda e qualquer investigação nos estudos da linguagem e quase sempre não nos custa nada para produzi-lo.

Pelos motivos expostos, pedimos a reconsideração e consequente revogação do critério contra o qual nos opomos veementemente.

 

 

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