Voto nulo sem fraudes eletrônicas

.

H.

.

á vários dias que estou tentando escrever algo sobre a importância do voto nulo no segundo turno. Cheguei a conversar com o Saci sobre esse tabu de que voto não se anula, que foi cultivado ao longo do tempo. Mas ele não me deu bola. Parece que a fissura da terceira vértebra do craque Neymar Jr. afetou mais os seus miolos do que o próprio cérebro do locutor Galvão Bueno e outros famosos globais.

Felizmente, a empresa do doutor Roberto Marinho não deixou o funesto acidente passar em brancas nuvens, conforme observou um antenado participante das redes sociais:

overdose de neymar

O certo é que, em vez de ao menos ler o que eu havia escrito sobre a anulação do voto no segundo turno, o pestinha foi logo me dizendo:

– Não adianta, chefia, você fazer campanha em favor do voto nulo no segundo turno se a urna eletrônica brasileira de primeira geração tem a capacidade de anular até os votos nulos do eleitor… Se quiser, posso até lhe indicar alguns vídeos sobre o assunto…

Diante daquela convicção sacizesca, resolvi acatar a sugestão do pestinha de assistir aos vídeos que ele me recomenda, não sem antes de publicar o que eu havia escrito sobre a pertinência da anulação do voto no segundo turno.

——————————————————

 

Pelo voto nulo

Menandro Ramos
FACED/UFBA

R.

.

ecentemente, publicamos neste blog um vídeo com o teórico marxista José Paulo Netto (veja AQUI), em que o mesmo declarava o seu foto a favor da candidata Dilma Rousseff no segundo turno. Fazendo a ressalva que “taparia o nariz” para votar.

Na recente edição de julho (no. 807) da Revista Carta Capital, o jornalista Mino Carta, em editoria, escreveu “Por que escolhemos Dilma Rousseff, manifestando-se também favorável à recondução da atual presidente da República.

Numa entrevista, gravada em agosto de 2006, com João Pedro Stédile  o conhecido ativista social afirma sua escolha pelo, na época, candidato Lula da Silva, apesar de reconhecer a “ambivalência do seu governo” de composição com setores da direita, de centro e de esquerda.

.

.

Ao que tudo indica, foi construída, ao longo do tempo nestas plagas, uma cultura de que “voto não se anula”. Até hoje, não entendi o porquê dessa verdade sacralizada, proferida por pessoas ditas críticas e conscientes. Não vi, até hoje, um argumento plausível para que o voto não seja anulado, especialmente em determinadas circunstâncias – como a que vivemos agora. Tais argumentos remetem-me, mutatis mutandis, ao “rouba mais faz” que se dizia no passado do governador paulista Ademar de Barros, e hoje se diz de “políticos empreendedores” da atualidade. Com isso, abre-se mão de princípios fundantes para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e justa.

box-vnCaricaturando um pouco a situação, é como se entre um estuprador e um latrocida fosse possível escolher o menos pior…

Creio que, melhor do que ninguém, os três ilustres citados, acima, sabem do quanto o atual partido do governo foi lesivo à nação brasileira. Por acaso desconhecem a similitude das poções mágicas receitadas e praticadas pelos alquimistas tucanos ou petistas em favor da nossa miraculosa economia nacional? Em que Lula/Dilma foram radicalmente diferentes de FHC? No assistencialismo marqueteiro? No desaquecimento do lucro dos grandes banqueiros? Nas pirotecnias mensaleiras para assegurar a governabilidade? Por acaso fizeram distribuição de renda de verdade? Vá pra lá Polyanna Moça! Faça-me uma garapa!

Assim, diferente de José Paulo Netto, de Mino Carta e de João Pedro Stédile, não vejo nenhuma razão para votar, no segundo turno – que certamente haverá! -, nos midiáticos hegemônicos. Até entendo a posição do jornalista italiano – se é que isso possa constituir uma boa justificativa -, uma vez que, suas publicações, volta e meia são contempladas pelas ricas propagandas do governo federal. Quem folhear qualquer uma delas poderá contatar in loco o que se diz aqui.

Mas, em relação ao notável teórico marxista e ao ativista social ilustre, aos quais respeito e admiro, não consigo enxergar, no horizonte que atuam com tanta competência, nada de auspicioso. Ao contrário. O cenário é de desânimo e demanda muita luta. Tanto com Dilma, Aécio ou Eduardo Campos o quadro da pré-barbárie  não será alterado para melhor.

Se o VOTO NULO não contribuir para modificar o acúmulo de maldades depositadas nesses quinhentos e poucos anos no lombo de Pindorama, patrocinadas de uma forma ou de outra por todos os que estiveram a frente do seu destino, se não servir para nada, ao menos dará ao eleitor insurgente a certeza de que não contribuiu para a manutenção das seculares perversidades perpetradas pela classe dominante intalada. Pelo menos, até que se pense em algo mais efetivo para a conscientização das massas. E também, claro, para não entregar os pontos sem ao menos espernear…

————————————–

Abaixo, os vídeos recomendados pelo meu amigo de gorro vermelho e pito:

 .

.

.

.

Anúncios

Uma resposta to “Voto nulo sem fraudes eletrônicas”

  1. Duílio Says:

    É isso aí, saci. Excelente!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: